Variedades de Pera: Guia Definitivo para seu Clima [2025]

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Índice

Como escolher a variedade certa para o seu clima?

Imagine a cena: você prepara a terra, investe nas mudas, cuida do pomar por cinco anos e, na hora da colheita… nada. A árvore está bonita, mas não deu fruto. Sabe qual é o erro mais comum nessas horas? Ter plantado uma variedade que exige muito frio em uma região quente.

A pereira precisa de horas de frio (temperaturas abaixo de 7,2 °C) para “acordar” bem e florescer. Mas nem toda pera é igual. Para facilitar sua vida, dividimos em três grupos:

  1. Baixa exigência: Precisam de menos de 400 horas de frio.
  2. Média exigência: De 400 a 700 horas.
  3. Alta exigência: Mais de 700 horas de frio no inverno.

Onde plantar o quê?

  • Rio Grande do Sul e Santa Catarina: Nas regiões serranas, você tem mais liberdade. Pode plantar variedades de alta exigência como a famosa William’s ou a Rocha. Em locais mais baixos, opte pelas de menor exigência.
  • Paraná: O clima é mais “manhoso”. O ideal é focar em variedades de baixa ou média exigência, como a Hosui, Ya Li e a Cascatense.

O Segredo da Polinização: Ninguém Produz Sozinho

Você sabia que plantar um pomar de uma variedade só é o caminho mais rápido para o fracasso na cultura da pera? Diferente de outras frutas, a pereira precisa de companhia. Ela depende da polinização cruzada.

Isso significa que o pólen de uma flor (a “poeira” masculina) precisa viajar até a flor de outra variedade para que a fruta “vingue”. Até existem variedades que produzem frutos sem semente (partenocárpicos) sozinhas, mas o resultado geralmente é inferior.

Quando há o cruzamento certo entre duas variedades, você ganha em três pontos:

  1. Tamanho: Frutos maiores e mais pesados.
  2. Formato: A pera fica com aquele formato padrão de mercado.
  3. Sabor: A qualidade melhora muito.

Como fazer isso no campo? Não adianta plantar de qualquer jeito. O recomendável é ter, no mínimo, 10% de plantas polinizadoras no meio das produtoras.

Um arranjo comum é plantar linhas inteiras da polinizadora intercaladas com a produtora (exemplo: 4 linhas da produtora para 1 da polinizadora), ou intercalar plantas na mesma linha. E não esqueça das abelhas: ter colmeias no pomar durante a florada é fundamental para levar esse pólen de uma árvore para outra.


Quais são os “casais perfeitos” para garantir a safra?

Muita gente erra feio aqui: planta duas variedades que não “conversam”. Para a polinização funcionar, as duas precisam florescer ao mesmo tempo. Se a variedade A soltar flor em agosto e a B em setembro, não vai ter troca de pólen.

O ideal é que a polinizadora abra a flor um pouquinho antes ou junto com a variedade principal. Além disso, existe a compatibilidade genética — nem toda pera aceita pólen de qualquer outra.

Confira na tabela abaixo as combinações que funcionam bem no Brasil (os “casamentos” que dão certo):

Se você plantar (Produtora)Use estas Polinizadoras (O Par Ideal)
William’sPackham’s Triumph
RochaHosui
Packham’s TriumphAbate Fetel, Forelle
Abate FetelForelle
Santa MariaPackham’s Triumph
KiefferLe Conte, Ya Li
SmithKieffer, Ya Li
Hosui (Asiática)Packham’s Triumph, Shinseiki

Porta-enxerto: A base que ninguém vê, mas que sustenta tudo

Já viu produtor perder pomar inteiro porque a planta não tinha vigor ou morreu cedo? Muitas vezes o problema está debaixo da terra: no porta-enxerto (o “cavalo”).

A maioria das peras europeias vai bem enxertada no Marmeleiro. Ele ajuda a planta a produzir mais cedo e ficar num tamanho bom para colher. Mas cuidado: nem tudo são flores.

5 planilhas para controle da fazenda

O problema da Incompatibilidade Algumas variedades famosas, como a William’s, não se dão bem diretamente com o marmeleiro. É como tentar encaixar peças de quebra-cabeças diferentes. A seiva não passa direito e a planta pode quebrar ou morrer (a chamada “incompatibilidade localizada”).

A solução prática:

  1. Interenxertia (Filtro): Se você quer William’s sobre marmeleiro, precisa usar uma variedade “ponte” no meio (como a Beurré Hardy), que conversa bem com os dois.
  2. Outros Porta-enxertos: Para peras asiáticas ou solos diferentes, o marmeleiro pode não servir. Nesses casos, usam-se porta-enxertos do gênero Pyrus (como P. calleryana ou P. betulifolia), que dão muito vigor, mas podem demorar mais para começar a produzir.

Tipos de Pera: O que o mercado compra?

O consumidor brasileiro gosta de pera, mas nem sempre sabe o que está comendo. Para você que produz, é vital saber o que sai melhor na venda.

1. Peras Europeias (Textura amanteigada): São as mais famosas. As principais cultivadas aqui são William’s, Packham’s Triumph, Rocha e Santa Maria.

  • Característica: Polpa macia, derrete na boca.

2. Peras Asiáticas (Textura crocante): Parecem mais com uma maçã na mordida. São muito suculentas. As principais são Hosui, Kosui, Ya Li e Shinseiki.

  • Característica: Casca geralmente mais áspera ou amarela, muito caldo.

3. Híbridas (As rústicas): São cruzamentos feitos para aguentar o tranco do clima brasileiro. Exemplos: Kieffer, Triunfo, Tenra e Cascatense (da Embrapa).

  • Característica: Mais resistentes a doenças e menos exigentes em frio, mas com textura mais firme.

E aquela “ferrugem” na casca? Você já deve ter visto peras com a casca meio marrom e áspera. O nome disso é russeting. Não é doença, é uma característica fisiológica. Variedades como a Rocha têm bastante. Na Europa, isso é sinal de qualidade. No Brasil, o consumidor ainda prefere a casca lisa, mas isso não afeta em nada o sabor ou a saúde.


A questão dos Royalties: Não compre “gato por lebre”

Aqui entra a parte séria que mexe no bolso. Criar uma variedade nova demora anos de pesquisa. Por isso, existe a Lei de Proteção de Cultivares.

Se uma variedade é protegida, você não pode multiplicar as mudas na fazenda para vender ou passar para o vizinho. Você só pode plantar se comprar de um viveirista autorizado, que paga os royalties (uma taxa) ao dono da genética.

“Mas Seu Antônio, todas são protegidas?” As variedades mais antigas e comuns disponíveis hoje no Brasil (como a William’s clássica) geralmente são de domínio público. Porém, novas variedades que chegam ou são lançadas pela Embrapa/IAC podem ter proteção.


Glossário

Horas de Frio: Soma do tempo em que a temperatura permanece abaixo de 7,2 °C durante o repouso hibernal da planta. Esse acúmulo térmico é essencial para que árvores de clima temperado quebrem a dormência e tenham uma florada uniforme.

Polinização Cruzada: Transferência de pólen entre flores de variedades diferentes para que ocorra a fecundação e formação do fruto. Na cultura da pera, essa prática é obrigatória para garantir frutos com melhor tamanho, formato e peso comercial.

Partenocárpicos: Frutos que se desenvolvem sem que tenha ocorrido a fecundação e, consequentemente, não possuem sementes. Embora ocorra em algumas variedades de pera, o resultado costuma ser uma colheita de qualidade inferior à obtida via polinização.

Porta-enxerto (Cavalo): Parte inferior da planta, composta pelas raízes, sobre a qual é inserida a variedade produtiva (copa). Ele define o vigor da árvore, a velocidade com que ela começará a produzir e sua resistência a pragas ou condições do solo.

Interenxertia (Filtro): Técnica que utiliza uma terceira variedade de planta entre o porta-enxerto e a copa para superar problemas de incompatibilidade entre eles. Funciona como uma ‘ponte’ para garantir que a seiva circule corretamente entre as partes enxertadas.

Russeting: Alteração fisiológica na casca da fruta que a torna marrom e rugosa, conhecida no Brasil como ‘ferrugem’. Não é uma doença e não afeta a polpa, mas possui grande impacto na aceitação visual do consumidor no mercado interno.

Incompatibilidade Localizada: Falha na união física e fisiológica entre o porta-enxerto e a variedade copa na região da enxertia. Esse problema impede a passagem de nutrientes, podendo levar à quebra da planta no ponto de união ou à morte prematura do pomar.

Como a tecnologia auxilia na gestão e na produtividade do seu pomar

Além de escolher a variedade correta e garantir a polinização, o sucesso da safra depende de um planejamento operacional rigoroso. Utilizar um software de gestão como o Aegro permite registrar o histórico de cada talhão e monitorar dados climáticos, ajudando a acompanhar o acúmulo de horas de frio e a organizar as atividades de campo com precisão. Isso evita que você perca janelas críticas de manejo, garantindo que a coordenação entre variedades produtoras e polinizadoras ocorra sem falhas.

No aspecto financeiro e fiscal, a compra de mudas certificadas e o controle de insumos exigem uma organização que evite prejuízos e multas. O Aegro facilita essa gestão ao automatizar a emissão de notas fiscais e centralizar o controle de custos de produção, oferecendo relatórios simples e visuais para que você saiba exatamente qual a rentabilidade do seu pomar. Com os dados organizados em um só lugar, fica muito mais fácil tomar decisões seguras e provar a viabilidade do seu negócio.

Vamos lá? Quer ter mais controle sobre o clima, as atividades e as finanças da sua fazenda? Experimente o Aegro gratuitamente e transforme a gestão do seu pomar em uma atividade mais lucrativa e organizada.

Perguntas Frequentes

O que acontece se eu plantar uma pereira que exige muito frio em uma região de clima quente?

Se a exigência de horas de frio (temperaturas abaixo de 7,2 °C) não for atingida, a planta terá dificuldade para sair do estado de dormência. Isso resulta em uma floração fraca ou inexistente, impedindo a produção de frutos, mesmo que a árvore apresente um crescimento vegetativo saudável. Por isso, é fundamental cruzar os dados climáticos da sua região com a variedade escolhida antes de iniciar o plantio.

Como garantir uma polinização cruzada eficiente no pomar de peras?

Para uma polinização eficaz, deve-se reservar no mínimo 10% do pomar para variedades polinizadoras que floresçam simultaneamente à variedade principal. Além da proximidade física entre as plantas, a presença de colmeias de abelhas é indispensável para transportar o pólen entre as flores. Utilizar duas variedades polinizadoras diferentes também é uma estratégia de segurança caso uma delas apresente falhas na florada.

Qual é a principal diferença entre as peras europeias, asiáticas e híbridas?

As peras europeias, como a William’s, possuem textura amanteigada e macia, enquanto as asiáticas, como a Hosui, são crocantes e muito suculentas, lembrando a textura de uma maçã. Já as híbridas, como a Kieffer, são cruzamentos desenvolvidos para serem mais rústicos e resistentes a doenças. Estas últimas costumam ser menos exigentes em frio, sendo ideais para adaptação em climas brasileiros mais variados.

Por que a variedade William’s precisa de uma técnica especial de enxertia?

A pera William’s apresenta uma incompatibilidade localizada quando enxertada diretamente no marmeleiro, o que compromete a circulação de seiva e pode causar a quebra da planta no ponto de união. A solução técnica é a interenxertia, que utiliza uma variedade intermediária compatível com ambos para servir de ponte. Alternativamente, podem-se usar porta-enxertos do gênero Pyrus, embora estes possam demorar mais para iniciar a produção comercial.

A aparência áspera ou ’enferrujada’ na casca da pera afeta a qualidade da fruta?

Não, essa característica é chamada de russeting e é puramente visual e fisiológica, não sendo causada por doenças. Em variedades como a Rocha, essa textura é comum e muitas vezes indica um fruto mais doce e de alta qualidade organoléptica. Embora alguns consumidores prefiram cascas lisas, o russeting é valorizado em mercados internacionais como um diferencial de maturação e sabor.

Quais os riscos de multiplicar mudas de variedades protegidas por conta própria?

A multiplicação não autorizada de cultivares protegidas fere a Lei de Proteção de Cultivares e pode resultar em multas pesadas e apreensão do material vegetal. Além do risco jurídico, mudas produzidas sem certificação não garantem a sanidade e a pureza genética necessárias para um pomar de alta produtividade. O ideal é sempre adquirir mudas de viveiros registrados que forneçam nota fiscal e certificado de origem.

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  • Produção de Mudas Cítricas: Guia Completo das Etapas e Legislação: O artigo expande a discussão sobre a aquisição de mudas e a Lei de Proteção de Cultivares abordada no texto da pera, detalhando as normas e legislações envolvidas na produção de mudas. Ele é essencial para o produtor que deseja entender o rigor técnico e legal necessário para garantir a sanidade e a procedência genética do seu pomar.
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  • Semente de Soja: O Guia Completo para Escolher, Manejar e Garantir a Qualidade: Este guia complementa o tema de escolha varietal ao focar na qualidade do material genético e no manejo inicial para garantir a produtividade. Ele oferece uma perspectiva prática sobre o que considerar antes da compra, validando o conselho do artigo principal de que o sucesso da colheita começa muito antes do plantio, na seleção da semente ou muda.