Índice
- Vai vender no mercado interno ou exportar? Entenda onde está o dinheiro
- Como o Clima e a Época Afetam o Seu Bolso?
- Qual o Tamanho de Fruta que o Mercado Quer?
- O Problema das Plantas Femininas: Por que Arrancar?
- Transporte: Onde o Lucro Escorre pelo Ralo
- Quanto Custa Produzir? (Na Ponta do Lápis)
- Vale a Pena Exportar?
- Glossário
- Veja como o Aegro pode ajudar a profissionalizar sua produção de mamão
- Perguntas Frequentes
- Qual a principal vantagem de vender diretamente para supermercados em vez de usar atravessadores?
- Como o clima afeta a resistência e a doçura do mamão entre o verão e o inverno?
- Por que o mamão de plantas femininas é considerado um prejuízo logístico?
- Existe uma diferença real de lucratividade entre o mamão Solo e o Formosa?
- Qual é a fase da plantação que mais exige investimento financeiro?
- O que é necessário para um produtor começar a exportar mamão?
- Artigos Relevantes
Vai vender no mercado interno ou exportar? Entenda onde está o dinheiro
Você já parou para pensar por que, sendo o Brasil o segundo maior produtor de mamão do mundo, a gente vê tão pouca fruta nossa lá fora? A conta é simples: 98,6% do que colhemos fica aqui mesmo. O brasileiro gosta de mamão.
Mas será que você está vendendo para quem paga melhor?
A maioria da produção vai parar nas Ceasas, que distribuem para feiras e quitandas. O problema é que, muitas vezes, vender para o intermediário é a opção que deixa menos dinheiro no seu bolso.
Como o Clima e a Época Afetam o Seu Bolso?
Seu Carlos, lá no norte do Espírito Santo, sempre reclama que em janeiro o preço cai. Não é perseguição, é a lei da oferta e da procura batendo na porta.
A produção de mamão no Brasil tem dois momentos bem claros e você precisa jogar com eles:
- Verão (Setembro a Abril): A produção bomba. Tem muita fruta no mercado, então o preço cai (principalmente de dezembro a fevereiro). O fruto fica com a casca brilhante, mas mancha fácil e a polpa fica mais mole. É mais doce (16% a 18% de brix), mas aguenta menos pancada.
- Inverno (Maio a Agosto): A produção cai. Como tem menos fruta, o preço sobe, atingindo o pico em agosto. O fruto fica com a casca mais áspera e sem brilho, e menos doce, mas a polpa fica firme e viaja melhor.
Qual o Tamanho de Fruta que o Mercado Quer?
Não adianta produzir um mamão gigante se a dona de casa quer um tamanho que caiba na geladeira. O “padrão” é o que manda no preço.
No grupo Solo (o nosso papapya ou havaí), a classificação é pelo número de frutos que cabem na caixa:
- Mercado Interno: Caixas com 7 a 20 frutos.
- Exportação: Caixas com 6 a 12 frutos.
Agora, vamos falar de peso, que é onde a balança não mente:
- Para vender bem aqui no Brasil: O fruto ideal pesa entre 420g e 600g.
- Para mandar para fora (Exportação): Eles preferem menores, de 350g a 500g.
O Problema das Plantas Femininas: Por que Arrancar?
Você já deve ter ouvido algum vizinho dizer que “mamão fêmea” é prejuízo. E ele não está errado. O fruto da planta feminina tem uma cavidade grande (muito oco por dentro) e menos polpa. O mercado não gosta e paga menos.
Mas o prejuízo vai além do preço de venda. Vamos fazer uma conta rápida de transporte:
- Um caminhão trucado leva até 10 toneladas de mamão hermafrodita (aquele compridinho, ideal).
- O mesmo caminhão só consegue levar 7 toneladas de mamão de planta feminina.
Por que? Porque o fruto fêmea faz muito volume e pouco peso. Você paga o mesmo frete para levar 3 mil quilos a menos!
Por isso a gente faz a sexagem. Plantar três mudas por cova e, lá pelo 3º ou 5º mês (na primeira florada), arrancar as fêmeas. É duro ver a planta ir embora depois de gastar adubo com ela? É. Mas manter ela no campo é perder dinheiro no frete e na venda.
Transporte: Onde o Lucro Escorre pelo Ralo
Imagine que você cuidou da roça o ano todo, e na hora de levar para a cidade, 40% da sua produção se perde. Parece mentira, mas é a média de perda pós-colheita do mamão no Brasil.
O transporte rodoviário é o grande vilão. Estradas ruins, caminhões inadequados e caixas erradas.
- Em condições normais, o mamão aguenta até 4 dias de viagem.
- Um caminhão leva cerca de 1.700 caixas pequenas ou 300 caixas duplas.
Normalmente, a perda na carga gira em torno de 6% só na viagem. Se for verão, perde mais. Se o caminhão balançar muito, perde mais.
Quanto Custa Produzir? (Na Ponta do Lápis)
Muitos produtores me perguntam: “Doutor, qual o custo real por hectare?”. A resposta depende de muita coisa (se tem irrigação, qual a variedade), mas o comportamento dos gastos muda conforme a idade da planta.
Se você usa irrigação, prepare-se para um custo extra de energia e manutenção de uns R$ 1.300,00 por hectare/ano (considerando a vida útil do equipamento).
Veja onde o dinheiro vai em cada ano:
- Primeiro Ano (Implantação): O peso está nos Insumos. Adubo, muda, calcário… isso leva quase 69% do seu custo. Mão de obra de colheita aqui é quase zero.
- Segundo Ano: O jogo vira. Seu maior custo passa a ser a Colheita (quase 43% do total). Você gasta menos com insumo, mas precisa de gente para tirar a fruta do pé.
- Terceiro Ano: A colheita domina tudo, representando 64% dos custos. O gasto com adubos e venenos cai lá para baixo (só uns 8%).
Vale a Pena Exportar?
O mercado europeu (Países Baixos, Portugal, Reino Unido) é nosso maior cliente. Os Estados Unidos também compram desde 1997, quando provamos que nossa fruta não levava a mosca-das-frutas.
O preço médio de exportação gira em torno de US$ 1.196 por tonelada. É um valor interessante, mas exige certificação, rastreabilidade e um padrão de qualidade altíssimo. As barreiras fitossanitárias (regras de saúde das plantas) são rígidas.
Mas, se você conseguir entrar nesse mercado, é uma excelente forma de não depender apenas das oscilações de preço do Ceasa daqui.
Glossário
Grau Brix: Escala numérica utilizada para medir a quantidade de açúcares solúveis na polpa da fruta, indicando o seu nível de doçura. É um dos principais parâmetros de qualidade exigidos tanto por consumidores brasileiros quanto pelo mercado internacional.
Sexagem: Prática de manejo que consiste na identificação e seleção das plantas de mamoeiro pelo sexo das flores durante o início da floração. O objetivo é eliminar as plantas femininas para manter apenas as hermafroditas na lavoura, garantindo frutos com melhor formato comercial.
Planta Hermafrodita: Tipo de mamoeiro que possui flores com órgãos masculinos e femininos, produzindo frutos de formato alongado e com pequena cavidade interna. São as plantas mais valorizadas comercialmente por apresentarem maior rendimento de polpa e melhor encaixe nas caixas de transporte.
Barreiras Fitossanitárias: Conjunto de normas de saúde vegetal impostas por países importadores para evitar a entrada de pragas e doenças em seus territórios. No caso do mamão, o cumprimento dessas regras é essencial para garantir a exportação para mercados exigentes como a Europa e os Estados Unidos.
Pós-colheita: Etapa que abrange todo o manejo do fruto após a colheita, incluindo transporte, embalagem e armazenamento. Um manejo pós-colheita eficiente é crucial para reduzir o desperdício, que no Brasil pode atingir até 40% da produção de mamão.
Rastreabilidade: Sistema que permite monitorar o histórico da fruta desde o plantio até a mesa do consumidor, registrando o uso de defensivos e adubos. É uma ferramenta de transparência fundamental para acessar mercados de alto valor agregado e grandes redes de supermercados.
Veja como o Aegro pode ajudar a profissionalizar sua produção de mamão
Gerenciar uma lavoura de mamão exige atenção constante aos números, especialmente quando os custos de produção mudam drasticamente entre o plantio e a colheita. Um software de gestão agrícola como o Aegro facilita esse controle ao centralizar a gestão financeira e operacional, permitindo que você acompanhe os gastos com insumos e mão de obra em tempo real, garantindo que o lucro não se perca entre as safras.
Além disso, para quem busca acessar mercados mais exigentes ou a exportação, a organização dos dados é fundamental para garantir a rastreabilidade e a qualidade. Com o Aegro, você gera relatórios precisos que ajudam a entender a rentabilidade real de cada canal de venda, transformando a complexidade do dia a dia no campo em decisões mais seguras para o crescimento do seu negócio.
Vamos lá?
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Perguntas Frequentes
Qual a principal vantagem de vender diretamente para supermercados em vez de usar atravessadores?
Vender diretamente para redes de varejo e supermercados permite que o produtor capture uma margem de lucro maior, eliminando a comissão do intermediário que costuma reduzir os ganhos na Ceasa. Embora exija uma logística mais profissional e organizada, essa modalidade oferece maior estabilidade de preços e previsibilidade para o escoamento da safra.
Como o clima afeta a resistência e a doçura do mamão entre o verão e o inverno?
No verão, as altas temperaturas elevam o brix (açúcar) para níveis entre 16% e 18%, mas tornam a polpa mais mole e sensível a danos físicos. Já no inverno, a fruta fica menos doce e com casca mais áspera, porém sua polpa torna-se mais firme, o que reduz as perdas durante o transporte e melhora a conservação pós-colheita.
Por que o mamão de plantas femininas é considerado um prejuízo logístico?
Frutos de plantas femininas possuem uma cavidade interna muito grande, o que os torna volumosos mas leves. Em termos práticos, um caminhão que levaria 10 toneladas de mamão hermafrodita consegue carregar apenas 7 toneladas de mamão feminino, resultando em um frete muito mais caro por quilo transportado, além da rejeição do mercado consumidor.
Existe uma diferença real de lucratividade entre o mamão Solo e o Formosa?
Sim, o mamão Solo (tipo Papaya ou Havaí) geralmente possui um valor agregado muito maior, com preços de venda de 30% a 50% superiores ao Formosa. O Formosa é uma opção popular por render mais para grandes famílias, mas o produtor deve estar ciente de que o valor pago por quilo é significativamente menor do que o da variedade Solo.
Qual é a fase da plantação que mais exige investimento financeiro?
O maior peso financeiro ocorre no primeiro ano, na fase de implantação, onde cerca de 69% dos gastos são direcionados para insumos como mudas, adubos e calcário. A partir do segundo e terceiro anos, o perfil do custo muda radicalmente: os gastos com insumos caem e a mão de obra para colheita passa a representar a maior fatia das despesas, chegando a 64% do total.
O que é necessário para um produtor começar a exportar mamão?
A exportação exige um padrão de qualidade rigoroso, com frutos menores (entre 350g e 500g) e certificações que comprovem a ausência de pragas e o controle fitossanitário. É uma estratégia excelente para o período de outubro a fevereiro, pois permite vender por valores em dólar enquanto os preços no mercado interno brasileiro estão em queda devido ao excesso de oferta no verão.
Artigos Relevantes
- Gestão Logística no Agro: Como Reduzir Custos de Transporte e Armazenagem: Este artigo é essencial para o produtor de mamão, pois o texto principal identifica o transporte como o ‘vilão’ que consome o lucro e causa perdas de 6% na carga. Ele oferece as estratégias práticas de escoamento e gestão de frete necessárias para resolver o problema logístico das plantas femininas e da fragilidade da fruta no verão.
- Pós-Colheita: O Guia Prático para Proteger sua Safra e Maximizar Lucros: O artigo complementa diretamente o alerta sobre os 40% de perda pós-colheita mencionados no texto principal. Ele fornece um guia técnico para proteger a qualidade do fruto após a retirada do pé, ajudando o produtor a manter o padrão de classificação exigido tanto pelo mercado interno quanto para a exportação.
- Como Vender a Produção Agrícola com Mais Lucro: Estratégias Essenciais: Enquanto o artigo principal discute ‘para quem’ vender (supermercados vs. exportação), este candidato oferece a metodologia de ‘como’ planejar essa venda. Ele aprofunda as estratégias de comercialização que permitem ao produtor de mamão escapar dos atravessadores e negociar contratos mais rentáveis.
- O principal insumo da gestão rural não vem da lavoura — vem dos dados: Este texto conecta-se à seção de ‘Custo de Produção’ do artigo principal, explicando por que o registro detalhado de insumos e mão de obra é vital. Ele ensina o produtor a utilizar os dados para proteger suas margens, especialmente útil para gerenciar a transição de custos que ocorre entre o primeiro e o terceiro ano da cultura.
- Como um produtor de MT aumentou o lucro da soja em 23% com gestão e tecnologia: Este artigo funciona como uma prova social prática para a recomendação do software Aegro feita no texto principal. Embora foque em soja, ele demonstra como a tecnologia e a gestão profissional transformam a rentabilidade, servindo de inspiração para o produtor de mamão que deseja profissionalizar seu negócio.

![Imagem de destaque do artigo: Venda de Mamão: Mercado Interno ou Exportação? [Guia 2025]](/images/blog/geradas/venda-mamao-mercado-interno-x-exportacao-preco.webp)