O prêmio tem tamanho, e a NF-e mostra qual
Na safra 25/26, a mesma Syngenta cobrou 3,2 vezes mais por hectare pelo Verdavis do que pelo Engeo Pleno S. Na fazenda que comprou os dois no mesmo período, o Verdavis saiu 223,9% mais caro por hectare: R$ 79,50/ha a mais em cada aplicação. Não é estimativa de tabela nem intenção de compra. É NF-e real registrada no Aegro.
O Verdavis é o lançamento da Syngenta contra percevejo e lagarta na soja: isocicloseram, um grupo químico novo (IRAC 30), combinado com lambda-cialotrina. Ele divide com o Engeo Pleno S, da mesma fabricante, o alvo de posicionamento: o percevejo-marrom, a praga que mais tira dinheiro da soja brasileira. Este dado não depende de notícia de mercado. O sinal está inteiro dentro da nota fiscal.
Índice
- O preço, em número redondo
- O prêmio: 3,2 vezes mais por hectare, na mesma fazenda
- Um não é a versão cara do outro: as bulas mostram listas diferentes
- Onde este dado vai, e onde ele para
- Em reais caiu, em dólar subiu 4,6%
- O mesmo produto, de R$ 99,27 a R$ 149,56 por hectare
- O juro que não está na etiqueta
- O sinal para a 26/27
- Vamos lá?
- Perguntas frequentes
- Quanto o Verdavis custa a mais que o Engeo Pleno S por hectare?
- Dá para trocar o Engeo Pleno S pelo Verdavis para economizar?
- Por que o mesmo Verdavis tem preços tão diferentes entre fazendas?
- O preço do Verdavis caiu para a safra 26/27?
- Vale a pena comprar o Verdavis a prazo?
- A NF-e diz se o Verdavis vale o preço?
O preço, em número redondo
Na safra 25/26 fechada (abril de 2025 a março de 2026), a mediana do Verdavis ficou em R$ 485,00/L, o que dá R$ 115,79/ha na dose de aplicação. Coloque esse custo na régua da soja no mesmo período, com a mediana nacional a R$ 118,08/sc60, e você chega a 0,98 sc/ha. Cada hectare tratado com Verdavis consome quase uma saca de soja.
Comparado com a safra anterior, o preço cedeu de leve. A 24/25 marcou R$ 495,00/L e R$ 117,48/ha, contra R$ 485,00/L e R$ 115,79/ha agora: 2,0% a menos por litro e 1,4% a menos por hectare, com mais fazendas atendidas. Preço em queda com adoção em alta é o padrão de um prêmio de lançamento que começa a ceder conforme o produto ganha escala.
O prêmio: 3,2 vezes mais por hectare, na mesma fazenda
Este é o número que carrega a leitura. Na safra 25/26, o Verdavis saiu a R$ 116,02/ha contra R$ 36,53/ha do Engeo Pleno S: um prêmio de 217,6% por hectare no mercado.
Comparação de mercado sempre carrega uma dúvida legítima: e se forem produtores diferentes, em regiões diferentes, com poder de negociação diferente? Por isso vale ir ao corte mais limpo da série. As fazendas que compraram os dois produtos no mesmo período servem de controle, porque é o mesmo comprador, o mesmo poder de barganha e a mesma safra dos dois lados. Dentro desse grupo:
- Verdavis: R$ 485,00/L, R$ 115,00/ha
- Engeo Pleno S: R$ 132,00/L, R$ 35,50/ha
Controlando por fazenda, o prêmio sobe para 223,9% por hectare, ou R$ 79,50/ha a mais em cada aplicação. Numa área de 1.000 ha, são cerca de R$ 79,5 mil por aplicação. Na régua da soja, 0,98 sc/ha do Verdavis contra cerca de 0,30 sc/ha do Engeo Pleno S.
Parte da diferença entre o prêmio por litro e o prêmio por hectare vem da dose. A dose padrão cadastrada é de 0,25 L/ha para o Verdavis e de 0,2818 L/ha para o Engeo Pleno S, cerca de 11,3% maior no segundo. É dose declarada no sistema, não confirmação de aplicação por talhão, e não diz que um produto “rende mais” no campo. E há um detalhe que puxa a conta: os 0,2818 L/ha do Engeo estão acima da dose de bula para percevejo-marrom, que é 0,2 L/ha. Ou seja, a dose declarada infla o custo por hectare do Engeo na base. O prêmio de 3,2 vezes é, por esse lado, conservador. Na dose de bula de cada um, a distância seria maior, não menor.
Mesma fabricante, mesma fazenda, mesmo período, mesmo alvo principal. Não há canal, região ou perfil de comprador que explique um distanciamento desse tamanho. O prêmio é do produto. O que ainda não diz é se ele se paga.
Um não é a versão cara do outro: as bulas mostram listas diferentes
Aqui a comparação precisa ser honesta, senão ela não serve para decidir nada.
O que os dois realmente têm em comum, pela bula registrada no MAPA: o percevejo-marrom (Euschistus heros) como alvo de posicionamento, a lambda-cialotrina na formulação, a lagarta-da-soja (Anticarsia gemmatalis), a vaquinha-verde-amarela (Diabrotica speciosa) e o mesmo teto de duas aplicações por ciclo em soja. É uma sobreposição de verdade, e ela cobre a praga que mais tira dinheiro da lavoura. É o que sustenta pôr os dois preços lado a lado.
Só que a lista para de coincidir rápido. Em soja, cada um cobre o que o outro não cobre:
- Só o Engeo Pleno S: percevejo-verde (Nezara viridula), percevejo-verde-pequeno (Piezodorus guildinii) e mosca-branca (Bemisia tabaci).
- Só o Verdavis: percevejo-barriga-verde (Dichelops melacanthus), ácaro-rajado, tripes e um leque bem maior de lagartas (helicoverpa zea e armigera, falsa-medideira, lagarta-preta, lagarta-das-folhas e lagarta-militar), além de tamanduá-da-soja, cascudinho, broca-das-axilas e gafanhoto.
Some a isso uma diferença de comportamento na planta: o Engeo Pleno S carrega tiametoxam, que é sistêmico e circula na planta; o Verdavis age por contato e ingestão, sem sistemia. São ferramentas com perfis distintos, não a mesma ferramenta em duas faixas de preço.
Ou seja: quem tem pressão de Piezodorus não resolve trocando um pelo outro, e quem enfrenta helicoverpa junto com percevejo não tem no Engeo Pleno S a resposta que o Verdavis dá numa passada só. Trocar um pelo outro não é uma decisão de preço. É uma decisão agronômica, que depende do complexo de pragas da sua área.
O próprio dado de nota fiscal aponta nessa direção: as fazendas que aparecem no corte controlado compraram os dois na mesma safra. Isso é mais compatível com dois produtos convivendo no mesmo programa, inclusive por manejo de resistência (são modos de ação diferentes), do que com um substituindo o outro. A Syngenta, aliás, mantém os dois no portfólio e posiciona o Engeo Pleno S para as primeiras aplicações.
Onde este dado vai, e onde ele para
A comparação acima é de custo por hectare. Só isso. A NF-e mede o que saiu do caixa, não mede controle de praga.
Espectro maior por aplicação, residual e valor no manejo de resistência são razões plausíveis para o Verdavis custar mais, e a base de nota fiscal do Aegro não tem uma linha sequer sobre eficácia. Não estamos dizendo que o prêmio vale a pena, nem que não vale. Estamos dizendo qual é o tamanho dele.
E o tamanho é este: de 218% a 224% a mais por hectare, cerca de 3,2 vezes o preço do Engeo Pleno S. A partir daí a conta deixa de ser financeira e passa a ser agronômica, com o agrônomo que conhece a pressão de praga da sua área e o histórico de resistência dela, dentro de um manejo integrado de pragas. O papel do dado é impedir que essa decisão seja tomada sem saber quanto custa. Se as duas ferramentas resolvem o seu problema daquela aplicação, a diferença de R$ 79,50/ha entra na conta. Se só uma resolve, o preço não é o critério.
Em reais caiu, em dólar subiu 4,6%
Este corte desarma a leitura fácil da queda.
Em reais, a mediana por litro recuou de R$ 494,00 na safra 24/25 para R$ 485,00 na 25/26: 1,8% a menos. Em dólar, no mesmo comparativo, a mediana subiu de US$ 87,98/L para US$ 92,06/L: 4,6% a mais.
Ou seja, o real mais forte no período compensou, e escondeu, uma alta de preço em dólar. Quem olha só a nota em reais conclui “não subiu nada”. Em dólar, subiu 4,6%. É câmbio favorável mascarando o repasse, não ausência dele. Se o câmbio virar, o preço em reais volta a subir sem que a Syngenta precise mexer em nada na tabela.
É uma leitura indicativa: a decomposição não isola frete, tributos ou política comercial do fabricante, e não dá para cravar quanto disso é decisão comercial. Mas a direção é clara, e vale ter isso na cabeça na hora de projetar custo para a 26/27.
O mesmo produto, de R$ 99,27 a R$ 149,56 por hectare
Fabricante único, produto único, safra única, e mesmo assim o preço varia muito. Na safra 25/26, o preço mínimo pago foi de R$ 408,71/L e o máximo de R$ 625,74/L. Por hectare, de R$ 99,27 a R$ 149,56.
Quem comprou mal pagou 50,7% a mais por hectare do que quem comprou bem. Numa fazenda de 1.000 ha na dose mediana, essa diferença dá cerca de R$ 50 mil por aplicação. Dinheiro que não tem nada a ver com molécula nova ou velha. É só timing e negociação, o mesmo que decide a sua compra de insumos todo ano.
O canal responde por uma fatia pequena disso. Entre cooperativa (R$ 495,28/L e R$ 118,60/ha), revenda (R$ 484,21/L e R$ 114,50/ha) e venda direta (R$ 471,47/L e R$ 110,57/ha), a distância por hectare é de 7,3%. É pouco diante dos 50,7% totais, e não é um botão que você aperta: comprar direto do fabricante depende de volume, cadastro e presença da indústria na região. O grosso da diferença vem de quando e como se negocia.
Entre estados, só Paraná, Minas Gerais e Goiás alcançaram o piso que a Aegro usa para publicar conclusão de mercado. O Paraná é o mais caro dos três (R$ 512,00/L e R$ 122,05/ha), Minas fica no meio (R$ 490,00/L e R$ 117,41/ha) e Goiás na ponta mais barata (R$ 480,00/L e R$ 112,89/ha): 8,1% de diferença por hectare, um distanciamento moderado. Os demais estados ficaram abaixo do piso e não entram como leitura regional.
O juro que não está na etiqueta
Tem custo escondido no prazo. A compra a prazo saiu, na mediana, a R$ 496,80/L, com prazo de 179 dias. A compra à vista saiu a R$ 456,00/L, com prazo mediano de 17 dias. São 8,9% a mais para financiar cerca de 162 dias adicionais, o que equivale a uma taxa implícita de aproximadamente 21,3% ao ano embutida no parcelamento.
Isso pesa independente de você trocar de molécula ou não, e pesa mais aqui, porque empilha custo financeiro sobre o produto mais caro por hectare da comparação. Antes de financiar, calcule a taxa implícita do seu próprio prazo e compare com o custo do crédito rural ou da CPR que você tem disponível.
O sinal para a 26/27
Comparar safra fechada com safra em curso distorce. A leitura limpa é a de mesmo ponto do ciclo, ano contra ano.
De abril a julho de 2025, o Verdavis estava a R$ 495,00/L e R$ 117,88/ha. No mesmo intervalo de 2026, entrou a R$ 475,00/L e R$ 113,01/ha: 4,0% a menos por litro e 4,1% a menos por hectare. É coerente com a leitura de safra fechada e reforça o quadro de acomodação do preço de lançamento. Serve como direção para a 26/27, não como leitura fina mês a mês.
Vamos lá?
O prêmio de lançamento existe e tem tamanho medido: de 218% a 224% a mais por hectare, cerca de 3,2 vezes o preço do Engeo Pleno S, na mesma fazenda e no mesmo período. Se ele se paga no campo, quem responde é o seu agrônomo, com a pressão de praga e o histórico de resistência da sua área. O que não dá é decidir sem saber quanto custa.
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Faça a mesma consulta para o Engeo Pleno S. Se o complexo de pragas da sua área permite escolher entre os dois naquela aplicação, a diferença de preço entra na decisão. Se só um deles cobre o que você precisa controlar, o preço não é o critério. Nos dois casos, a conversa com o seu agrônomo fica melhor com os dois valores da sua região na mesa, em R$/ha, antes de fechar.
Perguntas frequentes
Quanto o Verdavis custa a mais que o Engeo Pleno S por hectare?
Cerca de 3,2 vezes mais. No mercado da safra 25/26, o prêmio foi de 217,6% por hectare. No corte controlado, só as fazendas que compraram os dois produtos no mesmo período, ele sobe para 223,9% por hectare, o equivalente a R$ 79,50/ha a mais em cada aplicação.
Dá para trocar o Engeo Pleno S pelo Verdavis para economizar?
Não é uma decisão de preço, é agronômica. As bulas têm listas de alvos diferentes: o Engeo Pleno S cobre percevejo-verde, percevejo-verde-pequeno e mosca-branca; o Verdavis cobre percevejo-barriga-verde, ácaros, tripes e um leque maior de lagartas. Quem enfrenta Piezodorus ou helicoverpa não resolve simplesmente trocando um pelo outro.
Por que o mesmo Verdavis tem preços tão diferentes entre fazendas?
Porque timing e negociação pesam mais que canal ou região. Na safra 25/26, o custo por hectare foi de R$ 99,27 a R$ 149,56, uma diferença de 50,7% entre quem comprou bem e quem comprou mal. O canal explica só 7,3% e o estado 8,1%. O resto é quando e como se negocia.
O preço do Verdavis caiu para a safra 26/27?
Em reais, sim, de leve: no mesmo ponto do ciclo (abril a julho), recuou 4,1% por hectare de 2025 para 2026. Mas cuidado com a leitura fácil: na safra fechada, o preço caiu 1,8% em reais e subiu 4,6% em dólar. Foi o câmbio favorável que mascarou o repasse, não uma queda real de tabela.
Vale a pena comprar o Verdavis a prazo?
Depende do seu custo de crédito. A compra a prazo saiu 8,9% mais cara que a à vista para financiar cerca de 162 dias a mais, o que equivale a uma taxa implícita de aproximadamente 21,3% ao ano. Compare essa taxa com a do crédito rural ou da CPR que você tem à mão antes de aceitar o parcelamento.
A NF-e diz se o Verdavis vale o preço?
Não. A nota fiscal mede o que saiu do caixa, não a eficácia no campo. Espectro maior, residual e valor no manejo de resistência são razões plausíveis para o prêmio, mas a base de NF-e não tem uma linha sobre controle de praga. O dado mostra o tamanho do prêmio; se ele se paga, quem responde é o agrônomo que conhece a pressão de praga da sua área.

