O que é Agricultor De Subsistencia

O agricultor de subsistência é o produtor rural cujo sistema de cultivo tem como objetivo primário a garantia da alimentação e a sobrevivência do núcleo familiar, em detrimento da geração de lucro ou acúmulo de capital. No contexto do agronegócio brasileiro, este perfil se diferencia dos produtores comerciais por focar na autossuficiência, onde a terra é trabalhada para prover itens básicos como arroz, feijão, milho, mandioca e hortaliças diretamente para a mesa da família. A comercialização ocorre apenas quando há excedente de produção, servindo para a troca ou compra de itens essenciais que a propriedade não consegue gerar.

Esta categoria de agricultor desempenha um papel social e cultural profundo no Brasil, estando presente em todos os biomas, desde comunidades ribeirinhas no Norte até pequenas propriedades no Sul. Embora muitas vezes associado à escassez de recursos, o agricultor de subsistência é um guardião de técnicas tradicionais de manejo e de sementes crioulas. A sua atividade é caracterizada pela “economia de subsistência”, onde a lógica de mercado é secundária à manutenção da vida, tornando-o uma peça fundamental para a segurança alimentar em regiões mais isoladas ou com acesso limitado a grandes centros de abastecimento.

Principais Características

  • Mão de obra estritamente familiar: Todo o ciclo produtivo, desde o preparo do solo até a colheita e beneficiamento, é realizado pelos membros da família, sem a contratação de trabalhadores externos permanentes.
  • Policultura e diversificação: Ao contrário da monocultura comercial, o agricultor de subsistência planta diversas espécies simultaneamente (consórcios de milho, feijão, raízes) para garantir uma dieta variada e reduzir o risco de perda total da safra.
  • Baixo nível de mecanização: O uso de maquinário agrícola moderno é raro ou inexistente; prevalecem ferramentas manuais (enxadas, foices) e técnicas tradicionais, muitas vezes passadas de geração em geração.
  • Independência de insumos externos: Há uma utilização mínima ou nula de fertilizantes químicos, defensivos agrícolas industriais ou sementes comerciais (híbridas/transgênicas), optando-se por recursos orgânicos disponíveis na própria propriedade.
  • Produção em pequena escala: As áreas cultivadas são reduzidas, dimensionadas apenas para atender à demanda de consumo da família e gerar pequenos excedentes eventuais.

Importante Saber

  • Distinção de Agricultura Familiar: É crucial não confundir agricultor de subsistência com agricultor familiar. Embora todo agricultor de subsistência seja familiar, nem todo agricultor familiar é de subsistência; muitos agricultores familiares estão altamente integrados ao mercado, usam tecnologia e visam lucro.
  • Vulnerabilidade Climática: Devido à falta de tecnologias de irrigação e infraestrutura, este perfil é o mais suscetível a perdas severas causadas por mudanças climáticas, como secas prolongadas ou excesso de chuvas.
  • Troca de Excedentes: A venda de produtos não é o foco, mas é comum a prática de escambo ou venda em feiras locais para a aquisição de bens manufaturados, roupas e medicamentos.
  • Segurança Alimentar Local: Em regiões remotas do Brasil, esses agricultores são essenciais para a disponibilidade de alimentos frescos, reduzindo a dependência de cadeias logísticas longas e complexas.
  • Desafios Fitossanitários: O controle de pragas e doenças é realizado de forma manual ou com receitas caseiras, o que exige monitoramento constante e conhecimento empírico do ecossistema local para evitar a dizimação das lavouras.
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