O que é Amostragem Georreferenciada

A amostragem georreferenciada é uma técnica fundamental na Agricultura de Precisão que consiste na coleta de solo em pontos ou zonas específicas da lavoura, devidamente identificados por coordenadas geográficas (latitude e longitude) através de receptores GPS. Diferente da amostragem tradicional, que gera uma média geral do talhão, este método permite mapear a variabilidade espacial da fertilidade do solo, identificando manchas de maior ou menor potencial produtivo dentro da mesma área. No Brasil, onde as extensões de terra são vastas e a heterogeneidade do solo é comum, essa prática é o alicerce para a gestão sítio-específica.

Ao dividir o talhão em grades (grids) ou zonas de manejo, o produtor consegue visualizar exatamente onde há deficiência ou excesso de nutrientes, permitindo correções localizadas de calcário, gesso e fertilizantes. O processo envolve a coleta de subamostras ao redor de um ponto central ou dentro de uma célula, que são misturadas para formar uma amostra composta representativa daquele local exato. Isso transforma o manejo agronômico, saindo de uma abordagem generalista para uma gestão de alta eficiência baseada em dados espaciais.

A execução correta deste procedimento é crítica, pois erros na coleta não podem ser corrigidos em laboratório e comprometerão todas as etapas subsequentes, como a geração de mapas de interpolação e a prescrição agronômica. Portanto, trata-se de um investimento estratégico que visa aumentar a eficiência operacional, reduzir desperdícios de insumos e maximizar a rentabilidade por hectare, garantindo que cada metro quadrado receba o tratamento adequado às suas necessidades reais e potencialidades.

Principais Características

  • Utilização de receptores GNSS/GPS para registrar a localização exata e rastreável de cada ponto ou célula de coleta no campo.

  • Divisão da área em grades amostrais (grids), que podem ser configuradas por ponto (coleta centralizada com raio definido) ou por célula (coleta em zigue-zague dentro de uma área delimitada).

  • Coleta de múltiplas subamostras (geralmente 8 a 12) para formar uma amostra composta homogênea e representativa daquele ponto geográfico específico.

  • Capacidade de processamento de dados via software para gerar mapas de interpolação, estimando valores de fertilidade nos espaços entre os pontos coletados.

  • Fornecimento da base técnica necessária para a criação de mapas de prescrição e aplicação de insumos em taxa variável (VRT).

  • Possibilidade de monitoramento histórico da fertilidade, permitindo voltar exatamente ao mesmo ponto em safras futuras para avaliar a evolução química do solo.

Importante Saber

  • A qualidade da coleta é inegociável; erros na amostragem geram mapas distorcidos e recomendações agronômicas equivocadas que não podem ser corrigidas posteriormente pelo laboratório.

  • O tamanho da grade (hectares por ponto) define a resolução do mapa: grades menores oferecem maior detalhamento da variabilidade, mas elevam proporcionalmente o custo operacional e de análises laboratoriais.

  • Na amostragem em grade por ponto, é crucial respeitar o raio de coleta (geralmente 3 a 5 metros do centro georreferenciado) para garantir a representatividade sem misturar manchas de solo distintas.

  • A limpeza rigorosa dos equipamentos (trados, baldes, sondas) é essencial para evitar contaminação cruzada entre as amostras, o que alteraria os resultados da análise química.

  • A padronização da profundidade de coleta (comumente 0-20 cm para fertilidade superficial e 20-40 cm para diagnóstico de subsuperfície) é vital para a consistência dos dados e tomada de decisão.

  • Os dados gerados devem ser interpretados por profissionais capacitados, pois a interpolação matemática dos pontos precisa ter coerência agronômica com a realidade física e o histórico de manejo da lavoura.

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