Umidade de Armazenamento da Soja: O Guia Definitivo para Evitar Perdas
Umidade de armazenamento da soja: entenda ainda mais sobre umidade e temperatura na hora de armazenar o grão de soja. Confira!
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O armazenamento de soja é uma etapa estratégica e técnica da pós-colheita que visa preservar a integridade física, fisiológica e sanitária dos grãos por um período determinado. No contexto do agronegócio brasileiro, onde a colheita é concentrada em janelas específicas, o armazenamento adequado permite ao produtor reter a produção para comercialização em momentos mais oportunos, fugindo da pressão de baixa de preços comum durante o pico da safra. Mais do que simplesmente estocar o produto em silos ou armazéns, trata-se de gerenciar um ecossistema vivo, visto que os grãos continuam biologicamente ativos após a colheita.
Para que o armazenamento seja eficiente, é necessário controlar rigorosamente as variáveis ambientais dentro da unidade armazenadora, especificamente a temperatura e a umidade relativa do ar. O objetivo central é reduzir a taxa metabólica (respiração) dos grãos e criar condições desfavoráveis para o desenvolvimento de fungos, bactérias e insetos-praga. Quando mal executado, o armazenamento pode resultar em perdas quantitativas (quebra técnica por perda de matéria seca) e qualitativas (fermentação, ardidos e perda de poder germinativo), comprometendo a rentabilidade final da lavoura.
Equilíbrio Higroscópico: A soja possui a propriedade de trocar umidade com o ambiente até atingir um equilíbrio. Se a umidade relativa do ar no silo for alta, o grão absorverá água; se for baixa, perderá. O controle da aeração visa manter esse equilíbrio em níveis seguros.
Necessidade de Secagem: Como a colheita no Brasil frequentemente ocorre com teores de umidade entre 14% e 18% (ou mais, dependendo das chuvas), a secagem artificial é uma característica quase obrigatória antes do armazenamento definitivo para atingir os níveis de segurança.
Taxa Respiratória: Os grãos armazenados continuam “respirando”, consumindo suas próprias reservas de energia. Quanto maior a umidade e a temperatura da massa de grãos, maior a respiração, o que acelera a deterioração e o aquecimento da massa.
Padrão de Umidade de 13%: Convencionalmente, considera-se 13% como a umidade base para a comercialização e armazenamento de curto a médio prazo. Abaixo desse nível, a atividade da água é reduzida o suficiente para inibir a maioria dos microrganismos decompositores.
Interdependência Tempo-Temperatura: A viabilidade do armazenamento não é fixa. Existe uma correlação direta onde temperaturas mais altas no armazém exigem grãos com teores de umidade mais baixos para garantir o mesmo tempo de conservação sem perdas.
Danos Pré-Colheita são Irreversíveis: Grãos que sofreram com excesso de chuvas no final do ciclo (absorção e perda de água repetida) apresentam microfissuras e enrugamento. Esses grãos têm menor potencial de armazenamento e deterioram-se mais rápido no silo, exigindo expedição prioritária.
A Regra dos 13% não é Absoluta: Para armazenamentos de longo prazo (superiores a 6 meses ou um ano) ou em regiões de clima muito quente (acima de 25°C-30°C), a umidade segura deve ser reduzida para patamares próximos a 11% ou 10% para evitar a perda de qualidade.
Monitoramento de Sementes: Se o objetivo do armazenamento é a produção de sementes, o rigor deve ser dobrado. A deterioração por umidade e temperatura afeta primeiro o vigor e a germinação, antes mesmo de alterar a aparência física do grão.
Controle de Aeração: A aeração não serve apenas para resfriar a massa de grãos, mas também para uniformizar a temperatura e remover a umidade migratória. O uso incorreto dos ventiladores (em momentos de alta umidade relativa externa) pode reumidificar a soja e causar emboloramento.
Riscos de Autoaquecimento: A combinação de alta umidade e falta de aeração pode levar ao aquecimento espontâneo da massa de grãos (fermentação), que em casos extremos pode provocar a carbonização dos grãos ou até princípios de incêndio em silos.
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