O que é Bemisia Tabaci

A Bemisia tabaci, popularmente conhecida como mosca-branca, é um inseto hemíptero da família Aleyrodidae, considerado uma das pragas agrícolas mais complexas e destrutivas presentes no agronegócio brasileiro. Diferente do que o nome popular sugere, ela não é uma mosca verdadeira (ordem Diptera), mas sim parente próxima de pulgões e cigarrinhas. Este inseto destaca-se por ser polífago, ou seja, possui a capacidade de se alimentar e completar seu ciclo de vida em uma vasta gama de hospedeiros, que inclui mais de 600 espécies de plantas, abrangendo culturas de grande importância econômica como soja, feijão, algodão, tomate e diversas cucurbitáceas.

No contexto produtivo, a Bemisia tabaci representa um desafio duplo para o produtor rural. Primeiramente, causa danos diretos ao sugar a seiva das plantas, extraindo nutrientes essenciais e injetando toxinas que enfraquecem o desenvolvimento vegetativo e reprodutivo da lavoura. Em segundo lugar, e frequentemente mais grave, atua como vetor de mais de uma centena de viroses vegetais, como o Mosaico Dourado no feijoeiro e diversas outras doenças que podem comprometer severamente a produtividade. A praga é altamente adaptável a diferentes condições climáticas e possui uma grande facilidade de sobrevivência na entressafra, utilizando plantas daninhas e culturas “ponte” para se manter ativa no campo.

Principais Características

  • Morfologia e Identificação: Os adultos são pequenos, medindo entre 1 mm e 2 mm, com corpo amarelo-palha e asas brancas que, quando em repouso, deixam o corpo visível. As ninfas (formas jovens) são achatadas, ovais e variam de translúcidas a amarelo-pálido.

  • Ciclo de Vida Rápido: O desenvolvimento passa pelas fases de ovo, quatro estágios ninfais e adulto. A reprodução é contínua e veloz, especialmente em climas quentes, o que favorece explosões populacionais em curto período.

  • Diversidade Genética (Biótipos): A espécie apresenta alta variabilidade genética. No Brasil, predomina o Biótipo B (MEAM1), conhecido por sua agressividade e resistência a inseticidas, mas há registros crescentes do Biótipo Q (MED) nas regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste.

  • Localização na Planta: A praga tem preferência pela face abaxial (parte inferior) das folhas. Adultos e ovos costumam se concentrar nas folhas mais novas (ponteiros), enquanto as ninfas são encontradas nas folhas mais velhas e baixas.

  • Polifagia Extrema: Alimenta-se de mais de 84 famílias botânicas, incluindo Fabáceas (soja, feijão), Solanáceas (tomate, batata), Malváceas (algodão) e Euforbiáceas (mandioca), além de diversas plantas invasoras.

Importante Saber

  • Monitoramento Constante: A chave para o manejo não é apenas observar os adultos voando, mas inspecionar o verso das folhas para identificar a presença de ovos e ninfas, que são menos móveis e indicam o estabelecimento da colônia.

  • Ponte Verde: O controle de plantas daninhas e a eliminação de restos culturais (tiguera) são fundamentais, pois a Bemisia tabaci utiliza essas plantas para sobreviver e se multiplicar entre as safras comerciais.

  • Risco de Resistência: Devido à rápida reprodução e à presença de biótipos resistentes (como o B e o Q), é crucial rotacionar os mecanismos de ação dos inseticidas químicos para evitar a seleção de populações imunes aos defensivos.

  • Danos Irreversíveis: A transmissão de viroses (danos indiretos) ocorre durante a alimentação e, uma vez infectada, a planta não tem cura. Portanto, o controle do vetor deve ser preventivo e rigoroso, especialmente nas fases iniciais da cultura.

  • Impacto na Produtividade: Dependendo do nível de infestação e do estágio da cultura, as perdas podem variar de 20% a 100%, inviabilizando a colheita se não houver intervenção adequada.

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