O que é Besouro Filhote
O termo “besouro filhote” é uma designação popular e não técnica utilizada para descrever a fase larval dos insetos pertencentes à ordem Coleoptera. Na agronomia e na entomologia, esta fase é tecnicamente denominada larva. Diferente de pragas como os percevejos, que passam por uma metamorfose incompleta (ninfas semelhantes aos adultos), os besouros realizam a metamorfose completa (holometabolia), passando pelas fases de ovo, larva, pupa e adulto. Portanto, o “filhote” do besouro possui uma morfologia e, muitas vezes, um habitat e hábito alimentar completamente distintos do inseto adulto.
No contexto do agronegócio brasileiro, as larvas de besouros representam um dos grupos de pragas mais complexos e danosos, especialmente as que habitam o solo. O exemplo mais comum e economicamente relevante é o complexo de corós (larvas de escarabeídeos), que atacam o sistema radicular de culturas como soja, milho, trigo e pastagens. Além dos corós, existem larvas de besouros que atuam na parte aérea (como as larvas da vaquinha ou crisomelídeos) e aquelas que broqueiam hastes e frutos.
A identificação correta desta fase é crucial, pois é nela que muitas espécies causam os danos mais severos e irreversíveis às lavouras. Enquanto o besouro adulto pode se alimentar de folhas ou pólen, a larva frequentemente possui um aparelho bucal mastigador robusto, focado no consumo voraz de raízes ou tecidos vegetais para acumular energia necessária para a pupação. O desconhecimento sobre essa fase pode levar o produtor a notar o problema apenas quando as plantas já apresentam sintomas de deficiência nutricional, murcha ou morte, momentos em que o controle se torna menos eficiente.
Principais Características
- Morfologia Distinta: As larvas diferem drasticamente dos adultos; geralmente possuem corpo mole, cilíndrico ou em forma de “C” (escarabeiformes), sem as asas rígidas (élitros) características dos besouros adultos.
- Aparelho Bucal Mastigador: Possuem mandíbulas bem desenvolvidas e esclerotizadas, adaptadas para cortar e triturar raízes, caules ou folhas, causando danos físicos diretos aos tecidos da planta.
- Habitat Variado: Enquanto muitos adultos são voadores e vivem na parte aérea, grande parte das larvas de importância agrícola são subterrâneas (rizófagas), vivendo próximas às raízes, ou brocas que vivem dentro do caule.
- Voracidade Elevada: A fase larval é o período de crescimento exponencial do inseto, demandando uma ingestão contínua e volumosa de alimento, o que potencializa o dano na cultura em curto espaço de tempo.
- Desenvolvimento por Ecdise: As larvas passam por diferentes estágios de crescimento (instares), trocando de pele (ecdise) várias vezes antes de se transformarem em pupa.
- Mobilidade Reduzida: Comparadas aos adultos, as larvas têm menor capacidade de dispersão, concentrando o dano em reboleiras (manchas) na lavoura, o que facilita a identificação visual de áreas problemáticas no campo.
Importante Saber
- Monitoramento de Solo: Para larvas subterrâneas como os corós, o monitoramento deve ser feito através de trincheiras ou amostragem de solo antes do plantio, pois o controle curativo após a instalação da cultura é extremamente difícil.
- Diferenciação de Espécies: Nem todo “besouro filhote” é praga; muitas larvas de coleópteros no solo são detritívoras (alimentam-se de matéria orgânica morta) e benéficas para a ciclagem de nutrientes, exigindo conhecimento técnico para não eliminar organismos úteis.
- Sincronia com a Cultura: O ciclo de vida das larvas muitas vezes coincide com o desenvolvimento inicial das plântulas, fase em que a cultura é mais suscetível ao corte de raízes e perda de estande.
- Controle Biológico: O uso de fungos entomopatogênicos (como Metarhizium anisopliae e Beauveria bassiana) é uma estratégia eficiente e sustentável para o controle de larvas, especialmente em sistemas de plantio direto.
- Tratamento de Sementes: Para proteger a cultura nos estágios iniciais contra o ataque de larvas de solo, o tratamento de sementes com inseticidas sistêmicos é uma das ferramentas mais utilizadas e eficazes no Brasil.
- Sintomas Reflexos: O ataque de larvas nas raízes muitas vezes se manifesta na parte aérea como amarelamento, “coração morto”, murcha em horários quentes do dia e redução no crescimento, sintomas que podem ser confundidos com deficiência hídrica ou nutricional.