O que é Besouro Perigoso

No contexto da agricultura brasileira, especialmente nas culturas de milho e soja, o termo “besouro perigoso” refere-se a um grupo de pragas da ordem Coleoptera que possuem alto potencial de dano econômico e que são alvos primários das tecnologias de proteção de plantas, como a biotecnologia Bt. O exemplo mais emblemático e prejudicial neste cenário é a Diabrotica speciosa (conhecida como vaquinha-verde-amarela na fase adulta e larva-alfinete na fase larval), além de outras espécies de corós e besouros desfolhadores.

Esses insetos são classificados como perigosos não apenas pela sua capacidade de destruir a parte aérea das plantas, mas principalmente pelos danos severos que causam ao sistema radicular durante sua fase larval. Em lavouras de alta tecnologia, o controle desses coleópteros é um dos principais motivos para a adoção de sementes geneticamente modificadas que expressam proteínas inseticidas específicas. No entanto, a pressão de seleção imposta pelo uso contínuo dessas tecnologias transformou esses besouros em um desafio agronômico complexo, exigindo estratégias rigorosas de manejo para evitar a quebra de resistência.

A “periculosidade” desses besouros também está associada à sua capacidade de adaptação. Sem o manejo adequado, como a implementação de áreas de refúgio estruturadas, populações desses insetos podem desenvolver resistência às proteínas Bt, tornando as ferramentas biotecnológicas ineficazes. Portanto, o conceito abrange tanto o dano físico imediato à lavoura quanto o risco sistêmico de perda de eficiência das tecnologias de controle disponíveis no mercado.

Principais Características

  • Ciclo de vida com dano duplo: A maioria desses besouros causa prejuízos em duas fases distintas; as larvas atacam as raízes (interferindo na absorção de água e nutrientes e causando acamento), enquanto os adultos se alimentam das folhas, pendões e estigmas, prejudicando a polinização e a fotossíntese.
  • Hábito polífago: Muitas espécies, como a Diabrotica, não se limitam a uma única cultura, podendo sobreviver e se multiplicar em diversas plantas hospedeiras, o que facilita sua permanência na área durante a entressafra ou em sistemas de sucessão soja-milho.
  • Alvo da Tecnologia Bt: São insetos controlados por proteínas específicas (como as da classe Cry) inseridas em híbridos de milho e variedades de soja, que atuam perfurando o intestino médio da larva ao serem ingeridas.
  • Alto potencial reprodutivo: Fêmeas podem depositar centenas de ovos no solo, próximo à base das plantas, garantindo uma rápida reinfestação se as condições ambientais forem favoráveis e o controle não for efetivo.
  • Capacidade de desenvolvimento de resistência: Devido à exposição contínua às mesmas proteínas em grandes áreas de cultivo, esses besouros possuem uma variabilidade genética que pode favorecer a seleção de indivíduos resistentes, caso não haja áreas de refúgio.

Importante Saber

  • Obrigatoriedade da Área de Refúgio: Para controlar besouros em lavouras com tecnologia Bt, o plantio da área de refúgio (com sementes não-Bt) é a estratégia mais crítica e obrigatória para garantir a sobrevivência de insetos suscetíveis e diluir a resistência.
  • Monitoramento constante é vital: A presença da tecnologia Bt na semente não elimina a necessidade de monitorar a lavoura; é preciso verificar o nível de dano nas raízes e a população de adultos na parte aérea para decidir sobre a necessidade de aplicações complementares.
  • Risco de acamento: O dano larval nas raízes, muitas vezes invisível até que seja tarde demais, compromete a ancoragem da planta, resultando em acamento (tombamento) em dias de vento forte ou chuva, dificultando ou inviabilizando a colheita mecanizada.
  • Manejo Integrado de Pragas (MIP): O controle químico de adultos e o tratamento de sementes devem ser utilizados de forma integrada à biotecnologia, respeitando os níveis de controle para preservar os inimigos naturais e a eficácia dos produtos.
  • Rotação de culturas: A prática de rotacionar culturas ajuda a quebrar o ciclo biológico desses besouros, reduzindo a população inicial para a safra seguinte e diminuindo a pressão sobre a tecnologia Bt.
💡 Conteúdo útil?

Compartilhe com sua rede

Ajude outros produtores compartilhando este conteúdo sobre Besouro Perigoso

Veja outros artigos sobre Besouro Perigoso