O que é Besouros Pequenos

No contexto agronômico brasileiro, a classificação “Besouros Pequenos” refere-se geralmente a insetos da ordem Coleoptera que possuem dimensões reduzidas e podem atuar como pragas em diversas culturas, como soja, milho e feijão. Embora o termo seja genérico, ele abrange espécies de grande importância econômica, distinguindo-se biologicamente dos percevejos (Hemiptera), que são o foco do artigo de referência. Enquanto os percevejos são insetos sugadores com metamorfose incompleta, os besouros são insetos mastigadores que passam por metamorfose completa (ovo, larva, pupa e adulto).

A confusão no campo é comum, pois algumas espécies de percevejos, como o percevejo-verde-pequeno (Piezodorus guildinii), possuem tamanho e formato que podem lembrar pequenos besouros para observadores menos experientes. No entanto, os verdadeiros “besouros pequenos” incluem pragas como a Vaquinha-verde-amarela (Diabrotica speciosa), o Besouro-da-soja (Myochrous armatus) e espécies de Lagria villosa. A identificação correta é crucial, pois o modo de ataque e os produtos fitossanitários para controle diferem significativamente entre besouros (mastigadores) e percevejos (sugadores).

A presença destes insetos na lavoura exige monitoramento constante. Na fase adulta, muitos desses besouros causam desfolha ou danos diretos às flores e vagens. Já na fase larval, muitas espécies habitam o solo e atacam o sistema radicular das plantas, comprometendo a absorção de nutrientes e água, o que pode levar ao tombamento ou redução do vigor da cultura. Portanto, entender essa categoria é fundamental para o Manejo Integrado de Pragas (MIP).

Principais Características

  • Aparelho Bucal Mastigador: Diferente dos percevejos que sugam a seiva, os besouros possuem mandíbulas desenvolvidas para cortar e triturar tecidos vegetais, causando desfolha visível ou danos em raízes.
  • Élitros (Asas Duras): A principal característica morfológica é a presença de um par de asas anteriores endurecidas (élitros) que protegem as asas membranosas e o abdômen, formando uma “carapaça” resistente.
  • Metamorfose Completa (Holometabolia): O ciclo de vida passa por quatro fases distintas: ovo, larva, pupa e adulto. As larvas frequentemente têm hábitos e habitats diferentes dos adultos (ex: larvas no solo e adultos na parte aérea).
  • Tamanho Reduzido: As espécies enquadradas nesta categoria geralmente medem menos de 10 mm, o que facilita a ocultação nas partes baixas da planta ou no solo durante o dia.
  • Hábito Polífago: Muitas espécies, como a Diabrotica speciosa, não são específicas de uma única cultura, alimentando-se de soja, milho, feijão e hortaliças, o que facilita sua permanência na área durante todo o ano.

Importante Saber

  • Diferenciação de Danos: É vital distinguir o dano de besouros (folhas cortadas, furadas ou raízes roídas) do dano de percevejos (picadas, grãos chochos e retenção foliar), pois isso define a estratégia de controle.
  • Controle de Larvas: O controle das formas jovens (larvas) é frequentemente mais difícil por estarem no solo; por isso, o tratamento de sementes e a aplicação de inseticidas no sulco de plantio são estratégias preventivas importantes.
  • Confusão na Identificação: Não confunda o percevejo-verde-pequeno (Piezodorus guildinii) com besouros. O percevejo tem um “escudo” triangular nas costas (escutelo), enquanto os besouros têm uma linha reta dividindo as asas duras.
  • Monitoramento: A amostragem deve considerar tanto a parte aérea (pano de batida para adultos) quanto a observação de falhas no estande ou plantas amareladas que indiquem ataque de larvas nas raízes.
  • Resistência: O uso repetitivo dos mesmos princípios ativos pode selecionar populações resistentes. A rotação de mecanismos de ação é essencial tanto para besouros quanto para percevejos.
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