Pragas do Café: Guia Completo de Identificação e Manejo
Pragas do café: entenda como as principais pragas são favorecidas, como prevenir, identificar e controlá-las corretamente.
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O bicho-mineiro (Leucoptera coffeella) é uma micro-mariposa considerada, atualmente, a principal praga da cafeicultura brasileira, tendo assumido o posto de maior causadora de prejuízos econômicos em diversas regiões produtoras, especialmente aquelas com clima mais quente e seco, como o Cerrado Mineiro e o Oeste Baiano. O dano não é causado pela mariposa adulta, mas sim por suas lagartas, que eclodem dos ovos depositados na superfície das folhas e penetram imediatamente no tecido foliar.
Uma vez dentro da folha, a lagarta alimenta-se do parênquima paliçádico (tecido responsável pela fotossíntese), destruindo as células e criando galerias ocas conhecidas como “minas”. O resultado direto desse ataque é a necrose do tecido foliar e a redução da área fotossintética. Em infestações severas, a planta reage com uma intensa desfolha, o que compromete o enchimento dos grãos da safra atual e, principalmente, prejudica o desenvolvimento dos ramos produtivos para o ano seguinte, afetando drasticamente a produtividade e a longevidade do cafezal.
Lesões Típicas: O ataque resulta em manchas necróticas de coloração castanha na face superior das folhas; a epiderme da folha sobre a lesão seca e se desprende facilmente, revelando o espaço vazio (mina) onde a lagarta se alimentou.
Morfologia do Inseto: O adulto é uma pequena mariposa de coloração branco-prateada, com cerca de 6 mm de envergadura, que possui hábitos noturnos e se esconde na face inferior das folhas durante o dia.
Ciclo Biológico Rápido: O ciclo de vida da praga é fortemente influenciado pela temperatura; em condições quentes, pode se completar em menos de 20 dias, permitindo múltiplas gerações e explosões populacionais em curto período.
Preferência Climática: A praga prospera em períodos de estiagem e altas temperaturas, sendo menos incidente em épocas chuvosas ou em lavouras com alta umidade relativa do ar.
Localização na Planta: A infestação geralmente começa no terço superior do cafeeiro e nas faces da planta mais expostas ao sol (face norte/oeste), onde as condições microclimáticas são mais favoráveis ao inseto.
Monitoramento Assertivo: Para a tomada de decisão no Manejo Integrado de Pragas (MIP), deve-se monitorar a porcentagem de folhas com lagartas vivas, e não apenas as folhas com minas (cicatrizes antigas não indicam necessidade de controle imediato).
Nível de Controle: Geralmente, recomenda-se iniciar o controle quando a infestação atinge entre 20% a 40% de folhas com lagartas vivas, dependendo da região, da carga pendente e da época do ano, para evitar a desfolha excessiva.
Controle Cultural e Climático: A chuva é um importante agente de controle natural, pois pode romper as minas e afogar as lagartas; além disso, o adensamento de plantio e a arborização podem reduzir a incidência da praga ao diminuir a temperatura e aumentar a umidade no interior da lavoura.
Manejo de Resistência: Devido ao grande número de gerações por ano, o bicho-mineiro possui alta capacidade de desenvolver resistência a inseticidas; portanto, a rotação de princípios ativos e modos de ação é obrigatória para a eficácia do controle químico.
Impacto na Bienalidade: A desfolha causada pelo bicho-mineiro no final do ciclo produtivo ou após a colheita impede que a planta acumule reservas, resultando em uma safra seguinte muito fraca (“ano de baixa”) e podendo causar a “seca de ponteiros”.
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