Cercosporiose no Café: Guia Completo para Identificar, Prevenir e Controlar
Cercosporiose no café: principais sintomas, as condições favoráveis para a doença, como controlar e muito mais!
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A Cercosporiose do milho, popularmente conhecida como “mancha-cinzenta”, é uma das doenças foliares mais severas e frequentes na cultura do milho no Brasil. Causada principalmente pelo fungo Cercospora zeae-maydis (e também pela espécie Cercospora zeina), a doença ganhou grande importância econômica com a expansão do sistema de plantio direto e o cultivo contínuo de milho “safrinha”. O patógeno possui a capacidade de sobreviver nos restos culturais (palhada) de uma safra para outra, o que aumenta a pressão de inóculo em áreas onde não se pratica a rotação de culturas adequada.
O impacto agronômico da cercosporiose está diretamente ligado à redução da área foliar fotossinteticamente ativa da planta. Ao necrosar os tecidos das folhas, o fungo diminui a capacidade da planta de produzir energia para o enchimento de grãos. Em casos de alta severidade, as perdas de produtividade podem ser expressivas, chegando a comprometer mais de 50% do potencial produtivo da lavoura se não houver manejo, além de predispor as plantas a infecções secundárias e problemas de colmo.
No cenário brasileiro, a doença encontra condições ideais para desenvolvimento em diversas regiões produtoras, especialmente no Centro-Oeste e Sul. A combinação de temperaturas amenas a moderadas (entre 22°C e 30°C) e alta umidade relativa do ar (acima de 90%) ou molhamento foliar prolongado favorece a esporulação e infecção. Por isso, o monitoramento constante e a adoção de estratégias de Manejo Integrado de Doenças (MID) são fundamentais para a proteção do teto produtivo.
Sintomas Visuais Típicos: A característica diagnóstica mais marcante são as lesões retangulares e alongadas nas folhas. Elas crescem paralelas às nervuras secundárias, que limitam a expansão lateral do fungo, dando o formato retilíneo peculiar.
Coloração das Lesões: Inicialmente, as manchas apresentam-se cloróticas (amareladas). Com a evolução da doença, tornam-se necróticas, adquirindo uma coloração cinza ou marrom-acinzentada, o que origina o nome popular “mancha-cinzenta”.
Sobrevivência do Patógeno: O fungo é necrotrófico, o que significa que ele sobrevive e se multiplica em tecidos mortos. A palhada de milho infectada remanescente no solo é a principal fonte de inóculo primário para a safra seguinte.
Disseminação: Os esporos (conídios) produzidos nos restos culturais ou nas lesões antigas são facilmente disseminados pelo vento e por respingos de chuva para as folhas superiores ou para plantas vizinhas.
Evolução na Planta: Os sintomas geralmente começam nas folhas inferiores (baixeiro) e progridem para o terço superior da planta. O período de maior suscetibilidade ocorre próximo ao pendoamento e durante o enchimento de grãos.
Escolha de Híbridos: A utilização de híbridos com resistência genética é a medida de controle mais eficiente e econômica. Ao planejar a safra, o produtor deve consultar o portfólio das sementeiras para escolher materiais com boa tolerância à cercosporiose, especialmente em áreas com histórico da doença.
Momento de Controle Químico: A aplicação de fungicidas deve ser preventiva ou realizada logo no aparecimento dos primeiros sintomas. O atraso na aplicação, quando a doença já atingiu o terço médio ou superior da planta, reduz drasticamente a eficácia do controle e o retorno econômico.
Rotação de Culturas: Como o fungo depende da palhada de milho para sobreviver, a rotação com culturas não hospedeiras (como soja, girassol ou algodão) é essencial para quebrar o ciclo da doença e reduzir a quantidade de inóculo inicial na área.
Risco de Acamamento: Ataques severos de cercosporiose podem comprometer a translocação de açúcares para o colmo, enfraquecendo a estrutura da planta. Isso aumenta significativamente o risco de acamamento e quebramento do milho antes da colheita.
Diferenciação de Doenças: É crucial não confundir a cercosporiose com outras manchas foliares, como a mancha branca (Phaeosphaeria) ou a helmintosporiose. Embora o manejo possa ser similar, a identificação correta garante a escolha do ingrediente ativo mais assertivo.
Condições Climáticas: Fique atento às previsões meteorológicas. Períodos de dias nublados, com alta umidade e orvalho prolongado, criam o ambiente perfeito para explosões populacionais do fungo, exigindo intervalos de monitoramento mais curtos.
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