Cultivo de Cevada: Guia Completo de Manejo para a Safra de Inverno
Cevada como cultura de inverno: conheça a importância, onde e como cultivar, nutrição, manejo de pragas, doenças, daninhas e muito mais!
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A cevada para malte refere-se à produção de grãos da cultura Hordeum vulgare que atendem aos rigorosos padrões de qualidade física, química e fisiológica exigidos pela indústria cervejeira. Diferentemente da cevada forrageira, destinada exclusivamente à alimentação animal, a cevada cervejeira possui alto valor agregado e liquidez, sendo a matéria-prima essencial para o processo de malteação, etapa anterior à fabricação da cerveja. No Brasil, o mercado nacional absorve cerca de 70% dos grãos produzidos para esta finalidade, embora o país ainda dependa de importações para suprir a demanda total das cervejarias.
O cultivo desta categoria de cevada é estratégico para o agronegócio brasileiro, posicionando-se como uma importante cultura de inverno, especialmente na Região Sul (RS, SC e PR) e em áreas irrigadas do Cerrado (SP, MG, GO). Além de seu retorno financeiro, que pode superar o do trigo, a cevada para malte desempenha um papel agronômico fundamental na rotação de culturas, auxiliando na quebra do ciclo de pragas e doenças e na proteção do solo através da cobertura de palhada para a safra de verão subsequente.
Para que o grão seja aceito como “cevada para malte”, ele deve apresentar características específicas, como alta energia germinativa (vigor), pureza varietal, tamanho de grão adequado (calibre) e teores de proteína equilibrados. Quando a lavoura não atinge esses parâmetros devido a fatores climáticos ou de manejo, a produção é reclassificada para o mercado de ração animal, garantindo o escoamento, porém com menor rentabilidade.
Exigência Climática: É uma cultura típica de clima frio, necessitando de baixas temperaturas para o perfilhamento e enchimento de grãos, sendo cultivada entre maio e novembro dependendo da região.
Ciclo Curto: Apresenta um ciclo de desenvolvimento rápido, geralmente em torno de 110 dias, o que facilita o planejamento da sucessão com culturas de verão como a soja.
Alta Produtividade: Com o manejo correto e genética adequada, a produtividade média brasileira gira em torno de 4.000 kg/ha, com potencial para ultrapassar 5.000 kg/ha.
Rentabilidade Superior: Grãos classificados como Classe 1 (alta qualidade) podem ter preços de 120% a 135% superiores ao valor do trigo pão.
Versatilidade de Uso: Embora o foco seja a indústria cervejeira, a cultura possui um mercado secundário robusto na alimentação animal, que absorve cerca de 30% da produção nacional.
Contratos de Fomento: É comum que a produção de cevada para malte seja realizada mediante contratos com indústrias ou cooperativas, que garantem a compra e muitas vezes fornecem as sementes e assistência técnica.
Sensibilidade à Chuva na Colheita: A precipitação no momento da colheita é o maior inimigo da qualidade industrial, pois pode causar a pré-germinação na espiga, desclassificando o lote para uso cervejeiro.
Manejo de Nitrogênio: A adubação nitrogenada deve ser precisa; o excesso pode elevar o teor de proteína acima do aceitável pela indústria, prejudicando a qualidade do malte e a clarificação da cerveja.
Controle de Doenças: O monitoramento de doenças fúngicas, especialmente a giberela, é crítico, pois a presença de micotoxinas (DON) acima dos limites legais impede a comercialização para consumo humano.
Zoneamento Agrícola: O respeito ao Zoneamento Agrícola de Risco Climático (ZARC) é fundamental para definir a época de semeadura e minimizar riscos climáticos, especialmente em cultivos de sequeiro.
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