O que é Colheita De Milho

A colheita de milho é a etapa final e decisiva do ciclo produtivo da cultura (Zea mays L.), representando o momento em que todo o investimento realizado em sementes, fertilizantes e manejo é convertido em produto comercializável. No contexto do agronegócio brasileiro, esta operação ocorre em dois períodos principais: a primeira safra (verão) e a segunda safra (safrinha), sendo esta última responsável atualmente pela maior parte do volume de grãos produzidos no país. O processo não se resume apenas à extração da planta do solo, mas envolve um planejamento logístico complexo que integra o corte, a trilha, a limpeza, o transporte e a secagem dos grãos.

Tecnicamente, a colheita deve ser planejada a partir do momento em que a planta atinge a maturação fisiológica, identificada pelo aparecimento da “camada preta” na base do grão, indicando que cessou a translocação de nutrientes da planta para a espiga. Embora o grão esteja formado, a colheita mecânica geralmente aguarda a redução natural da umidade para níveis economicamente viáveis. O sucesso desta fase depende do equilíbrio entre colher o mais cedo possível para evitar perdas por acamamento e pragas, e colher tarde o suficiente para reduzir custos com secagem artificial e danos mecânicos aos grãos.

Principais Características

  • Ponto de Maturação Fisiológica: Ocorre quando cerca de 50% das espigas apresentam a camada preta na inserção do grão com o sabugo, momento em que o grão atinge seu peso máximo de matéria seca, embora a umidade ainda esteja elevada (geralmente acima de 30%).

  • Umidade de Colheita: A operação mecanizada é idealmente realizada quando os grãos atingem entre 18% e 25% de umidade; colheitas com umidade superior exigem secagem artificial imediata, enquanto umidades muito baixas (abaixo de 15% no campo) aumentam as perdas por quebra de grãos e debulha natural.

  • Sazonalidade Brasileira: O Brasil possui a particularidade da “Safrinha” (milho de segunda safra), cultivada após a colheita da soja, o que exige janelas de colheita precisas para não comprometer a qualidade do grão devido ao clima seco do inverno ou chuvas de outono, dependendo da região.

  • Mecanização Intensiva: A colheita é predominantemente realizada por colhedoras automotrizes equipadas com plataformas específicas (bicos), que realizam o corte, a trilha (separação do grão do sabugo) e a limpeza simultaneamente.

  • Sistemas de Secagem: A redução da umidade para os 13% ou 14% ideais para armazenamento pode ocorrer naturalmente no campo (secagem no pé) ou através de secadores artificiais, sendo que a escolha impacta diretamente os custos operacionais e a qualidade final do produto.

Importante Saber

  • Regulagem de Máquinas: A velocidade do cilindro trilhador e a abertura do côncavo devem ser ajustadas conforme a umidade do grão; grãos mais úmidos exigem maior agressividade na trilha, enquanto grãos secos demandam rotações menores para evitar a quebra (danos mecânicos).

  • Monitoramento de Perdas: É fundamental realizar o monitoramento constante das perdas na plataforma e no sistema de separação da colhedora, utilizando armações de área conhecida (ex: 1m²) para contar os grãos caídos e calcular o prejuízo por hectare.

  • Riscos da Secagem no Campo: Embora deixar o milho secar naturalmente no campo reduza custos com secagem artificial, essa prática expõe a lavoura a riscos biológicos (ataque de pragas e fungos causadores de grãos ardidos) e físicos (acamamento e quebramento de plantas por ventos).

  • Logística e Armazenamento: O planejamento deve considerar a capacidade de recepção e secagem da unidade armazenadora; gargalos na descarga dos caminhões podem paralisar as colhedoras no campo, reduzindo a eficiência operacional da frota.

  • Qualidade Sanitária: A demora na colheita ou a regulagem inadequada podem aumentar a incidência de micotoxinas e impurezas, desvalorizando o produto final na comercialização, especialmente para mercados exigentes como o de ração animal e consumo humano.

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