Brusone no Trigo: Identificação, Diferenças da Giberela e Controle
Brusone no trigo: entenda como o fungo se comporta e quais estratégias de manejo são recomendadas para evitar perdas
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O controle da brusone refere-se ao conjunto de estratégias de manejo integrado adotadas para prevenir, monitorar e mitigar os danos causados pelo fungo Pyricularia oryzae (fase sexuada Magnaporthe oryzae) em cereais de inverno, com destaque para o trigo. No contexto do agronegócio brasileiro, esta prática é fundamental em regiões de cultivo onde o inverno apresenta temperaturas mais elevadas e umidade constante, como no norte do Paraná, São Paulo, Minas Gerais e Centro-Oeste. A doença é considerada uma das mais severas para a triticultura tropical, exigindo ações rápidas e assertivas por parte dos produtores e agrônomos.
A complexidade do controle da brusone reside no fato de que o fungo ataca principalmente a raque da espiga, obstruindo a passagem de seiva e nutrientes para os grãos em formação. Uma vez que os sintomas visuais de branqueamento da espiga aparecem, o dano já está consolidado e é irreversível naquela estrutura específica. Por isso, o controle eficaz baseia-se fortemente na proteção preventiva da planta, especialmente durante o período reprodutivo, e no monitoramento rigoroso das condições climáticas que favorecem a esporulação e infecção do patógeno.
Além da aplicação de fungicidas, o controle da brusone envolve práticas culturais como a escolha de épocas de semeadura que evitem o espigamento em períodos chuvosos e quentes, o uso de sementes sadias e a rotação de culturas. O objetivo final do controle não é apenas evitar a perda de volume produtivo, que pode chegar a 74% do peso da espiga, mas também preservar a qualidade industrial do grão, mantendo o Peso do Hectolitro (PH) em níveis comerciais aceitáveis.
Foco na Proteção da Espiga: Embora o fungo possa atacar folhas, o controle visa primordialmente proteger a espiga, fase onde ocorrem os maiores prejuízos econômicos.
Dependência Climática: A estratégia de controle é ditada pelas condições meteorológicas, sendo crítica em temperaturas acima de 20°C associadas a alta umidade relativa.
Janela de Infecção: O período de maior vulnerabilidade da cultura e foco das ações de controle ocorre do emborrachamento até o enchimento de grãos.
Sintomatologia Específica: Caracteriza-se pelo branqueamento total ou parcial da espiga acima do ponto de infecção na raque, resultando em grãos chochos e deformados.
Agressividade: O patógeno possui alta capacidade de disseminação pelo vento e pode causar perdas totais em lavouras suscetíveis se não manejado preventivamente.
Diferenciação da Giberela: É crucial distinguir a brusone da giberela para a escolha do fungicida correto. Na brusone, o branqueamento é contínuo a partir do ponto de infecção; na giberela, as espiguetas brancas aparecem intercaladas com verdes.
Molhamento Foliar: O risco de infecção aumenta drasticamente quando há períodos de molhamento foliar superiores a 10 horas, seja por chuva ou orvalho intenso.
Impacto do El Niño: Em anos de El Niño, que geralmente trazem maior volume de chuvas para a região Sul e Sudeste, o monitoramento e o intervalo de aplicações devem ser mais rigorosos.
Qualidade do Grão: O controle ineficiente resulta em grãos com baixo PH (Peso do Hectolitro), o que desvaloriza o produto final na comercialização ou inviabiliza seu uso para panificação.
Manejo de Resistência: A rotação de princípios ativos nos fungicidas é necessária para evitar a seleção de populações do fungo resistentes aos produtos químicos disponíveis.
Diagnóstico Precoce: Manchas ovais com centro acinzentado nas folhas podem ser um indicativo da presença do inóculo na área antes mesmo da emissão das espigas.
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