Nuvem de Gafanhotos no Brasil: O Que o Produtor Precisa Saber
Nuvem de gafanhotos no Brasil: Entenda o contexto histórico, as principais características desses insetos e quais medidas o país tem tomado.
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O Controle de Gafanhotos refere-se ao conjunto de estratégias de monitoramento, prevenção e combate a espécies de acridídeos que possuem comportamento gregário e potencial para formar nuvens devastadoras. No contexto do agronegócio brasileiro, este tema ganhou relevância renovada devido à aproximação de nuvens da espécie Schistocerca cancellata (gafanhoto-sul-americano) nas fronteiras do Sul do país, além da presença de espécies nativas como o Rhammatocerus pictus em regiões como o Mato Grosso e Rondônia. O controle não se limita apenas à aplicação de defensivos, mas envolve uma vigilância fitossanitária constante para identificar focos iniciais antes que os insetos atinjam a fase adulta migratória.
A importância prática deste controle reside na capacidade destrutiva massiva desses insetos. Diferente de pragas comuns que atacam culturas específicas, uma nuvem de gafanhotos é polífaga, alimentando-se de pastagens, culturas agrícolas (como soja, milho e cana-de-açúcar) e vegetação nativa. O controle efetivo exige uma ação coordenada entre produtores rurais e órgãos governamentais (como o MAPA e secretarias estaduais), uma vez que a mobilidade da praga torna o combate isolado em uma única propriedade muitas vezes ineficaz.
No Brasil, o manejo preventivo é essencial, pois as condições climáticas de certas regiões, combinadas com períodos de estiagem seguidos de chuvas, podem favorecer a eclosão massiva de ovos. O objetivo principal do controle é reduzir a população da praga ainda na fase de ninfa (saltões), quando os insetos ainda não possuem asas desenvolvidas para voos de longa distância, ou realizar o combate localizado quando as nuvens pousam para o repouso noturno, minimizando os danos econômicos e ambientais.
Comportamento Gregário e Migratório: A característica mais alarmante é a mudança comportamental e morfológica (polimorfismo) que ocorre quando a população aumenta excessivamente, levando os insetos a formarem nuvens coesas que podem percorrer até 150 km por dia.
Voracidade Extrema: Estima-se que uma nuvem de tamanho médio (cerca de 10 km²) possa consumir a mesma quantidade de massa verde que um rebanho de 20 mil bovinos em um único dia, causando perdas totais na área atingida.
Ciclo Reprodutivo Rápido: As fêmeas realizam a oviposição no solo, depositando de 80 a 100 ovos por postura, podendo repetir o processo várias vezes, o que gera um potencial de infestação exponencial se não houver controle imediato.
Gatilhos Climáticos: O surto populacional está frequentemente associado a condições específicas, como temperaturas consistentemente acima de 30°C e períodos de seca que concentram a vegetação, seguidos de chuvas que favorecem a eclosão.
Dificuldade de Controle em Voo: O combate é tecnicamente complexo quando a nuvem está em deslocamento; as janelas de oportunidade para controle químico ocorrem principalmente quando os insetos estão pousados (início da manhã ou final da tarde) ou na fase juvenil.
Monitoramento é a Chave: A detecção precoce de ninfas ou de aumento populacional na fase solitária é a medida mais eficaz. O produtor deve inspecionar áreas de pastagem e bordaduras regularmente.
Notificação Obrigatória: A presença de nuvens ou aglomerações anormais de gafanhotos deve ser comunicada imediatamente aos órgãos de defesa agropecuária estaduais ou ao Ministério da Agricultura, pois trata-se de uma praga quarentenária e transfronteiriça.
Diferenciação de Espécies: É crucial distinguir entre gafanhotos isolados comuns da fauna local e as espécies com potencial de formar nuvens (Schistocerca cancellata no Sul e Rhammatocerus pictus no Centro-Oeste), pois as estratégias de manejo diferem.
Risco de Reinfestação: Mesmo após a passagem de uma nuvem, a área deve ser monitorada, pois as fêmeas podem ter depositado ovos no solo, criando uma “bomba relógio” para a próxima safra ou ciclo de chuvas.
Segurança na Aplicação: O controle químico, quando autorizado em caráter emergencial, deve seguir rigorosamente as recomendações técnicas para evitar a contaminação de recursos hídricos e a morte de insetos polinizadores, como abelhas.
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