O que é Controle De Lagarta

O controle de lagarta refere-se ao conjunto de estratégias e práticas agronômicas adotadas para monitorar, prevenir e reduzir a população de larvas de lepidópteros que causam danos econômicos às culturas agrícolas. No contexto do agronegócio brasileiro, devido ao clima tropical e ao sistema intensivo de produção (como a sucessão soja-milho), as lagartas representam um dos maiores desafios fitossanitários. Espécies como a lagarta-do-cartucho (Spodoptera frugiperda) e a Helicoverpa armigera possuem alto potencial destrutivo, atacando desde a parte vegetativa até as estruturas reprodutivas das plantas.

A eficácia desse controle depende diretamente da implementação do Manejo Integrado de Pragas (MIP). Diferente da aplicação calendarizada de defensivos, o controle moderno de lagartas baseia-se na tomada de decisão fundamentada em dados. Isso envolve a integração de métodos culturais, biológicos, comportamentais e químicos, além do uso de biotecnologia (plantas Bt). O objetivo central não é a erradicação total da praga, o que é biologicamente inviável e ecologicamente indesejável, mas sim a manutenção da população abaixo do Nível de Dano Econômico (NDE), garantindo a rentabilidade da lavoura e a sustentabilidade do sistema produtivo.

Principais Características

  • Monitoramento e Amostragem: A base do controle é a vistoria frequente da lavoura (uso de pano de batida ou avaliação visual) para quantificar a infestação e identificar a espécie presente, visto que diferentes lagartas exigem diferentes manejos.

  • Definição de Níveis de Controle: Ocorre a determinação de um gatilho para ação (número de lagartas por metro ou porcentagem de desfolha/dano) que justifica a intervenção antes que o prejuízo financeiro aconteça.

  • Uso de Biotecnologia (Bt): Adoção de cultivares geneticamente modificadas que expressam proteínas inseticidas, sendo uma ferramenta profilática essencial no Brasil, embora exija manejo de resistência.

  • Rotação de Modos de Ação: Alternância de princípios ativos químicos e biológicos para evitar a seleção de populações de lagartas resistentes aos inseticidas utilizados.

  • Preservação de Inimigos Naturais: Escolha de produtos seletivos que controlem a lagarta-alvo, mas que tenham baixo impacto sobre predadores e parasitoides naturais presentes no agroecossistema.

Importante Saber

  • O estágio de desenvolvimento da lagarta é crítico para o sucesso da aplicação; lagartas nos primeiros instares (pequenas, até 1,5 cm) são significativamente mais fáceis de controlar do que lagartas grandes.

  • A tecnologia de aplicação é tão vital quanto o produto; para lagartas que se escondem no cartucho do milho ou no baixeiro da soja, é necessário garantir que a gota do defensivo atinja o alvo, ajustando volume de calda e pontas de pulverização.

  • O plantio de áreas de refúgio (sementes não-Bt) é obrigatório e indispensável para preservar a eficácia das tecnologias transgênicas, retardando a evolução da resistência das pragas.

  • A identificação correta da praga evita gastos desnecessários, pois produtos eficientes para o complexo Spodoptera podem não ter a mesma eficácia para a Falsa-Medideira (Chrysodeixis includens) ou Helicoverpa.

  • O controle biológico, através da liberação de parasitoides como Trichogramma ou uso de baculovírus e bactérias (Bacillus thuringiensis), tem crescido como uma ferramenta eficaz para complementar o controle químico e reduzir a pressão de seleção.

💡 Conteúdo útil?

Compartilhe com sua rede

Ajude outros produtores compartilhando este conteúdo sobre Controle de Lagarta

Veja outros artigos sobre Controle de Lagarta