O que é Cultivares De Soja Resistentes

As cultivares de soja resistentes são variedades desenvolvidas por meio de melhoramento genético para suportar o ataque de patógenos específicos, como o Nematoide do Cisto da Soja (Heterodera glycines), sem sofrer danos significativos em sua produtividade ou permitindo uma multiplicação muito reduzida da praga. No contexto do agronegócio brasileiro, essas cultivares representam uma das ferramentas mais estratégicas dentro do Manejo Integrado de Pragas (MIP), sendo essenciais para a viabilidade econômica de lavouras em áreas infestadas.

O mecanismo de defesa mais comum nessas plantas é conhecido como reação de hipersensibilidade. Quando o patógeno tenta infectar a raiz, as células da planta ao redor do ponto de ataque entram em um processo de morte programada (necrose). Isso isola o invasor, impedindo que ele se alimente e complete seu ciclo de vida. No caso dos nematoides, isso evita que as fêmeas se desenvolvam e produzam ovos, reduzindo drasticamente a população do parasita no solo para as safras seguintes.

É fundamental compreender que a resistência genética não significa imunidade total ou eterna. A resistência é frequentemente específica para certas “raças” fisiológicas do patógeno. Por exemplo, uma cultivar pode ser altamente resistente às raças 1 e 3 do nematoide do cisto, mas suscetível à raça 4. Portanto, o desenvolvimento dessas cultivares é um processo contínuo de pesquisa, visando acompanhar a variabilidade genética e a capacidade de adaptação dos organismos nocivos presentes nas lavouras do Brasil.

Principais Características

  • Mecanismo de Hipersensibilidade: A planta identifica a invasão e sacrifica tecidos celulares específicos ao redor do sítio de infecção, cortando a fonte de nutrição do patógeno e impedindo seu desenvolvimento.

  • Especificidade de Raça: A resistência geralmente está atrelada a raças fisiológicas específicas. No mercado, existem materiais com resistência a raças comuns (como 1 e 3) e novos lançamentos que cobrem um espectro maior (como 1, 3, 5 e 14).

  • Redução do Fator de Reprodução: O principal indicador técnico de uma cultivar resistente é sua capacidade de manter o fator de reprodução do nematoide abaixo de 1, diminuindo a população da praga no solo ao longo do tempo.

  • Manutenção do Potencial Produtivo: Ao contrário das variedades suscetíveis, que podem sofrer perdas totais, as resistentes conseguem manter níveis aceitáveis de produtividade mesmo sob pressão do patógeno alvo.

  • Base Genética Variável: As fontes de resistência podem vir de diferentes materiais genéticos, sendo crucial que os programas de melhoramento busquem novas fontes para evitar a quebra da resistência pelas pragas.

Importante Saber

  • Identificação da Raça é Pré-requisito: Antes de escolher a semente, é indispensável realizar a análise nematológica do solo para identificar quais raças estão presentes na área, garantindo que a cultivar escolhida possua a resistência adequada.

  • Não é uma Solução Isolada: O uso exclusivo de cultivares resistentes, sem outras práticas de manejo (como rotação de culturas e controle biológico), pode acelerar a seleção de raças do patógeno capazes de quebrar essa resistência.

  • Rotação de Cultivares: Recomenda-se não utilizar a mesma cultivar resistente (ou cultivares com a mesma fonte genética de resistência) sucessivamente na mesma área, para evitar a pressão de seleção sobre a população de nematoides.

  • Variabilidade do Patógeno: O nematoide do cisto possui alta variabilidade genética. No Brasil, já foram identificadas raças (como a 4+ e 14+) capazes de parasitar cultivares que anteriormente eram consideradas fontes universais de resistência.

  • Monitoramento de Sintomas: Mesmo utilizando variedades resistentes, o produtor deve monitorar a lavoura em busca de reboleiras, amarelamento ou plantas com porte reduzido, o que pode indicar a presença de outras raças ou outros tipos de nematoides não cobertos pela resistência daquela variedade.

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