O que é Cultivo De Crambe

O cultivo de crambe (Crambe abyssinica) refere-se à produção agrícola de uma planta oleaginosa anual de inverno, originária da região do Mediterrâneo, que tem ganhado espaço no agronegócio brasileiro como uma alternativa estratégica para a safrinha. Pertencente à família das Brassicáceas, a mesma da canola e do nabo forrageiro, o crambe se destaca por sua rusticidade e ciclo curto, o que permite seu encaixe em janelas de plantio mais apertadas, onde o cultivo de milho poderia ser arriscado devido às condições climáticas.

No contexto brasileiro, esta cultura é valorizada principalmente pela produção de óleo industrial e matéria-prima para biodiesel, não competindo com a produção de alimentos para consumo humano. Agronomicamente, o crambe desempenha um papel importante no sistema de plantio direto e na rotação de culturas. Seu sistema radicular vigoroso auxilia na descompactação do solo e na reciclagem de nutrientes, além de promover a quebra do ciclo de pragas e doenças comuns às culturas principais, como a soja.

Principais Características

  • Ciclo produtivo curto: A planta completa todo o seu desenvolvimento, do plantio à colheita, em um período que varia de 85 a 100 dias, sendo considerada uma cultura precoce.

  • Alto teor de óleo: As sementes de crambe possuem uma concentração de óleo significativa, girando em torno de 38%, o que garante seu valor comercial para a indústria.

  • Sistema radicular pivotante: Possui uma raiz principal profunda e agressiva, capaz de penetrar camadas compactadas e buscar água em profundidade, conferindo tolerância a períodos de seca moderada.

  • Morfologia e porte: A planta atinge altura entre 60 cm e 1 metro, apresentando folhas ovaladas e lisas. O florescimento é caracterizado por numerosas flores brancas que surgem cerca de 35 dias após a semeadura.

  • Produtividade: A cultivar registrada no Brasil (FMS Brilhante) apresenta um potencial produtivo que varia de 1.000 kg/ha a 1.500 kg/ha, dependendo das condições de manejo e clima.

Importante Saber

  • Destinação exclusiva do óleo: O óleo de crambe não é comestível devido ao alto teor de ácido erúcico (50% a 60%). Seu uso é estritamente industrial, servindo para fabricação de lubrificantes, plásticos, borrachas sintéticas e, principalmente, biodiesel.

  • Restrições na alimentação animal: O farelo resultante da extração do óleo é rico em proteínas, mas contém glucosinolatos. Por isso, só deve ser fornecido a ruminantes (bovinos), sendo tóxico e não recomendado para monogástricos como suínos e aves.

  • Sensibilidade do solo: A cultura exige solos com boa fertilidade, pH entre 6,0 e 7,5 e textura média. É crucial corrigir o solo antes do plantio, pois o crambe é altamente sensível à presença de alumínio tóxico e não tolera solos encharcados ou muito argilosos.

  • Benefícios para o sistema: Além do retorno econômico, o cultivo deixa uma palhada que protege o solo e pode reduzir a incidência de nematoides, funcionando como uma excelente ferramenta de manejo integrado na entressafra.

  • Resistência climática: Como cultura de inverno, o crambe apresenta boa tolerância a baixas temperaturas e geadas leves durante a fase vegetativa, embora o frio intenso na floração possa comprometer a produtividade.

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