Geada na Lavoura: Um Guia Completo para Prevenir Perdas de Grãos
Perda de grãos por geada: saiba como se planejar, como obter o histórico climático da sua área e acertar a janela de plantio.
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Os danos por geada referem-se às injúrias fisiológicas e morfológicas causadas às plantas agrícolas devido ao abaixamento da temperatura do ar a níveis críticos, geralmente próximos ou abaixo de 0°C na superfície. No contexto agronômico, esse fenômeno provoca o congelamento da água presente nos espaços intercelulares e no interior das células vegetais. A formação de cristais de gelo atua mecanicamente rompendo as paredes celulares e desorganizando os tecidos, o que resulta na morte de partes da planta (como folhas, flores e grãos em enchimento) ou do organismo inteiro.
No Brasil, a ocorrência de danos por geada é um fator de risco climático significativo, especialmente para a região Sul, mas também afetando áreas produtivas em São Paulo, sul de Minas Gerais e Mato Grosso do Sul. O impacto econômico varia conforme a intensidade do frio, a duração da exposição e, crucialmente, o estágio fenológico da cultura. Plantas em fases reprodutivas, como florescimento e enchimento de grãos, tendem a sofrer perdas irreversíveis de produtividade, enquanto plantas em estágios vegetativos podem ter apenas o desenvolvimento retardado ou sofrer queima das folhas.
Além do congelamento direto, os danos podem se manifestar por desidratação celular severa. Em situações de baixa umidade relativa do ar, ocorre a chamada “geada negra”, onde não há formação visual de gelo, mas o frio intenso causa a morte dos tecidos por congelamento interno e oxidação, conferindo um aspecto escuro e queimado à lavoura. A compreensão desses mecanismos é vital para o planejamento agrícola e zoneamento de riscos.
Mecanismo de Ação: O dano ocorre principalmente pela expansão da água ao congelar, rompendo as membranas celulares, ou pela desidratação causada pela saída de água das células para os espaços intercelulares onde o gelo se forma.
Geada Branca: Caracteriza-se pela deposição visível de cristais de gelo sobre as plantas (sublimação do vapor d’água). Embora visualmente impactante, é frequentemente menos destrutiva que a geada negra, pois a liberação de calor latente durante o congelamento pode atenuar a queda de temperatura interna da folha.
Geada Negra: Ocorre quando o ar está muito seco e frio. Sem umidade suficiente para formar gelo externo, a temperatura da planta cai drasticamente, congelando a seiva interna. É a forma mais letal, resultando na morte rápida e escurecimento dos tecidos.
Geada de Canela: Um tipo específico de dano que afeta a base do caule de plantas jovens (comum em culturas perenes como o café) em contato com a camada de ar frio próxima ao solo, podendo anelar a planta e interromper o fluxo de seiva.
Influência Topográfica: O ar frio é mais denso e tende a escorrer para as partes mais baixas do relevo. Portanto, os danos são frequentemente mais severos em baixadas e vales, áreas onde o ar frio se acumula (bolsões de ar frio).
Monitoramento Meteorológico: Acompanhar previsões de órgãos como INMET e CPTEC é fundamental. Mapas de risco ajudam a antecipar eventos de geada de advecção (massas de ar polar com vento) ou de radiação (noites de céu limpo e calmaria), permitindo tomadas de decisão preventivas.
Estágio Fenológico: A suscetibilidade da lavoura muda drasticamente durante o ciclo. Culturas de inverno, como o trigo, toleram melhor o frio no perfilhamento, mas são extremamente sensíveis durante o espigamento e a floração.
Planejamento de Plantio: A escolha da época de semeadura e o uso de variedades com ciclos adequados são as ferramentas mais eficazes para evitar que a fase crítica da cultura coincida com os períodos de maior probabilidade de geada histórica na região.
Identificação Pós-Evento: Os sintomas de danos podem não ser imediatos. Em muitos casos, a extensão da necrose dos tecidos só se torna visível dias após o evento, exigindo cautela na avaliação de prejuízos para acionamento de seguro agrícola.
Manejo do Solo: Solos cobertos com muita palhada ou vegetação densa podem favorecer geadas em certas condições, pois a cobertura isola o solo e impede que o calor armazenado durante o dia seja liberado para aquecer a camada de ar próxima às plantas durante a noite.
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