Fitotoxicidade por Herbicidas no Café: Guia Prático para Evitar e Corrigir
Fitotoxicidade por herbicidas no café: entenda os principais pontos para evitar os danos da deriva e como atuar em lavouras afetadas.
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A deriva de defensivos agrícolas é definida tecnicamente como o deslocamento da calda de pulverização para fora do alvo desejado durante ou logo após a aplicação. Esse fenômeno ocorre quando as gotas do produto fitossanitário não atingem a planta, praga ou doença que deveriam controlar, sendo carregadas pelo vento ou evaporando antes de chegar à superfície foliar. No contexto da agricultura brasileira, a deriva representa um dos maiores desafios da tecnologia de aplicação, resultando em perdas significativas de insumos e redução da eficácia do tratamento.
Além do prejuízo econômico direto — já que parte do produto comprado não é utilizada para o fim a que se destina —, a deriva acarreta sérios riscos ambientais e agronômicos. O produto desviado pode contaminar cursos d’água, atingir áreas de preservação permanente, afetar a saúde de trabalhadores rurais e populações vizinhas, ou causar fitotoxicidade em lavouras adjacentes sensíveis (como a deriva de herbicidas hormonais em culturas de folhas largas).
Existem basicamente dois tipos de deriva: a exoderiva, quando o produto sai da área tratada atingindo áreas vizinhas, e a endoderiva, quando o produto cai no solo dentro da própria lavoura, mas não atinge o alvo biológico. O controle desse processo exige um equilíbrio técnico preciso entre o tamanho das gotas, as condições meteorológicas no momento da aplicação e a regulagem correta do equipamento de pulverização.
Influência do Tamanho de Gota: Gotas finas proporcionam melhor cobertura foliar, mas são extremamente suscetíveis ao arrasto pelo vento e evaporação; gotas grossas sofrem menos deriva, mas podem oferecer menor cobertura.
Fatores Meteorológicos: A intensidade da deriva está diretamente ligada à velocidade do vento, temperatura alta e baixa umidade relativa do ar (Delta T) no momento da aplicação.
Volatilização: Além do arrasto físico de partículas líquidas, a deriva pode ocorrer na forma de vapor (gás), especialmente em produtos com alta pressão de vapor aplicados em dias quentes.
Altura da Barra: Quanto maior a distância entre a ponta de pulverização e o alvo, maior o tempo de exposição da gota ao ambiente e, consequentemente, maior o risco de deriva.
Pressão de Trabalho: O aumento excessivo da pressão nos pulverizadores tende a reduzir o diâmetro das gotas, aumentando exponencialmente o potencial de deriva.
Monitoramento Climático: É fundamental utilizar anemômetros e termo-higrômetros no campo para garantir que a aplicação ocorra dentro das condições ideais (geralmente ventos entre 3 a 10 km/h, temperatura abaixo de 30°C e umidade acima de 50%).
Seleção de Pontas: A escolha correta das pontas de pulverização (bicos) é a estratégia mais eficiente para mitigar o problema; pontas com indução de ar, por exemplo, produzem gotas mais pesadas que resistem melhor ao vento.
Uso de Adjuvantes: A adição de adjuvantes redutores de deriva à calda pode alterar as propriedades físicas do líquido, aumentando a viscosidade e padronizando o tamanho das gotas para reduzir perdas.
Riscos de Fitotoxicidade: A deriva de herbicidas é a causa frequente de danos severos em culturas vizinhas sensíveis (ex: deriva de 2,4-D ou Dicamba atingindo lavouras de soja não tolerante, algodão ou uva).
Manutenção e Calibração: Equipamentos desregulados ou com vazamentos contribuem para a aplicação desuniforme; a calibração periódica é essencial para garantir que o volume de calda e o espectro de gotas estejam adequados.
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