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O Dicamba é um herbicida sistêmico e seletivo, pertencente ao grupo químico dos ácidos benzoicos e classificado como um mimetizador de auxina (Grupo O ou Grupo 4 na classificação de mecanismos de ação). Na agricultura brasileira, ele desempenha um papel fundamental no manejo de plantas daninhas de folhas largas (eudicotiledôneas), atuando como um regulador de crescimento que desequilibra o desenvolvimento celular da planta alvo, levando-a à morte. Embora seja utilizado há décadas na agricultura mundial, sua relevância no Brasil cresceu exponencialmente com a introdução de biotecnologias em sementes de soja que conferem tolerância a este princípio ativo.
Historicamente utilizado em dessecação pré-plantio ou no manejo de culturas como milho e trigo, o Dicamba ganhou destaque como uma ferramenta crucial para combater a resistência de plantas daninhas ao glifosato e a inibidores da ALS. No cenário atual, ele é posicionado estrategicamente para o controle de espécies de difícil manejo, como a buva (Conyza spp.), o caruru (Amaranthus spp.), a corda-de-viola (Ipomoea spp.) e o picão-preto (Bidens pilosa). Sua aplicação em pós-emergência da soja, permitida apenas em cultivares geneticamente modificadas para tal, oferece ao produtor uma nova camada de proteção e flexibilidade operacional.
A ação do herbicida ocorre mimetizando o hormônio natural de crescimento das plantas (auxina). Ao ser absorvido pelas folhas e raízes, o produto transloca-se rapidamente para os pontos de crescimento (meristemas), causando um crescimento desordenado e epinastia (encurvamento dos caules e pecíolos). Esse processo esgota as reservas de energia da planta daninha e interrompe o transporte de nutrientes, resultando em um controle eficiente, desde que respeitadas as recomendações técnicas de aplicação e estádio de desenvolvimento das invasoras.
Mecanismo de Ação: Atua como mimetizador de auxinas, interferindo na divisão e alongamento celular, o que provoca o colapso dos tecidos vasculares da planta daninha.
Espectro de Controle: É altamente eficaz contra plantas daninhas de folhas largas (latifoliadas), não tendo efeito sobre gramíneas (folhas estreitas), o que garante sua seletividade natural a culturas como milho e trigo, e induzida em soja tolerante.
Sistemicidade: O produto é absorvido tanto pela parte aérea quanto pelas raízes e possui alta mobilidade dentro da planta (via xilema e floema), atingindo os pontos de crescimento apicais e radiculares.
Sintomatologia Rápida: As plantas afetadas apresentam sintomas visíveis em poucos dias, como o retorcimento de caules, deformação das folhas (aspecto de “concha”) e necrose dos tecidos meristemáticos.
Formulações Específicas: Para o uso em pós-emergência na soja, foram desenvolvidas formulações modernas (como o sal DGA com tecnologia de redução de volatilidade) para minimizar os riscos de deriva de vapor, diferenciando-se das formulações antigas mais voláteis.
Gerenciamento de Deriva: O Dicamba exige extremo rigor na aplicação para evitar a deriva física ou de vapor, que pode causar danos severos a culturas sensíveis vizinhas (como soja não tolerante, uva, tomate e algodão convencional).
Tecnologia de Aplicação: É obrigatório o uso de pontas de pulverização com indução de ar que produzam gotas ultra grossas, além de respeitar limites de velocidade do vento (geralmente entre 3 e 10 km/h) e evitar aplicações em condições de inversão térmica.
Limpeza do Tanque: O produto adere facilmente às paredes do pulverizador e mangueiras; a tríplice lavagem com produtos específicos é mandatória após o uso para evitar a contaminação de aplicações subsequentes em lavouras não tolerantes.
Estádio das Plantas Daninhas: A eficácia é máxima quando aplicado em plantas daninhas jovens e pequenas (geralmente até 10-15 cm de altura); aplicações em plantas perenizadas ou muito desenvolvidas podem ter eficácia reduzida.
Manejo de Resistência: O Dicamba não deve ser visto como uma “bala de prata”; seu uso deve ser rotacionado com outros mecanismos de ação e integrado a práticas de manejo cultural (como cobertura de solo) para prevenir a seleção de biótipos resistentes a auxinas sintéticas.
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