Estádios Fenológicos da Soja: Um Guia Completo do Plantio à Colheita
Estádio fenológico da soja: veja a importância de saber esses detalhes, características e manejos realizados em cada um deles.
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A fenologia da soja é o estudo detalhado das fases de desenvolvimento da cultura, analisando as transformações morfológicas e fisiológicas que ocorrem desde a germinação da semente até a maturação final dos grãos. Mais do que uma contagem cronológica de dias, ela serve como um relógio biológico da planta, influenciado diretamente pela cultivar escolhida, época de semeadura e condições climáticas de cada região produtora do Brasil. O ciclo é dividido em duas grandes etapas: a fase vegetativa (V), focada no crescimento de raízes, caule e folhas, e a fase reprodutiva (R), destinada à formação de flores, vagens e enchimento de grãos.
Compreender a fenologia é fundamental para a tomada de decisão agronômica assertiva. Ao identificar corretamente em qual estádio a lavoura se encontra, o produtor consegue sincronizar as práticas de manejo — como adubação e aplicação de defensivos — com as necessidades reais da planta naquele momento específico. Isso maximiza a eficiência dos insumos, protege o potencial produtivo da lavoura e evita aplicações tardias ou precoces que poderiam resultar em fitotoxidez ou falhas de controle.
Classificação em Estádios: O ciclo é padronizado universalmente em estádios Vegetativos (identificados pela letra V, seguidos de números como V1, V2, Vn) e Reprodutivos (identificados pela letra R, variando de R1 a R8).
Critério Visual de Folhas: Nos estádios vegetativos, a identificação depende da contagem de nós na haste principal que possuem folhas totalmente desenvolvidas, critério definido quando as bordas dos folíolos do nó imediatamente superior já não se tocam.
Hábito de Crescimento: A fenologia comporta-se de maneira distinta entre cultivares de crescimento determinado (que cessam o crescimento vegetativo ao florescer) e indeterminado (que continuam emitindo novos nós e folhas mesmo após o início da floração).
Plasticidade Temporal: A duração de cada estádio não é fixa; ela varia conforme a temperatura e o fotoperíodo, fazendo com que a mesma cultivar possa ter ciclos diferentes dependendo da região ou época de plantio.
Sinalização de Maturação: O final do ciclo é caracterizado pela mudança de coloração das vagens e folhas, culminando na maturidade fisiológica (R7), momento em que cessa a transferência de nutrientes da planta para o grão.
Ponto de Dessecação: A aplicação de dessecantes para antecipar a colheita deve ser feita criteriosamente no estádio R7, geralmente quando a lavoura apresenta cerca de 70% das vagens com coloração marrom ou bronzeada, para não prejudicar o peso do grão.
Janelas de Aplicação: O controle de pragas e doenças é mais eficiente quando baseado na fenologia; por exemplo, a proteção contra percevejos é crítica durante o desenvolvimento das vagens e enchimento de grãos.
Fase Crítica Inicial: Os estádios VE (emergência) e VC (cotiledonar) exigem monitoramento rigoroso, pois o ataque de pragas aos cotilédones ou o tombamento por fungos de solo nessa fase pode comprometer irreversivelmente o estande de plantas.
Planejamento Hídrico: Conhecer a fenologia ajuda a planejar a semeadura respeitando o Zoneamento Agrícola de Risco Climático (ZARC), visando fazer com que as fases de maior demanda hídrica (florescimento e enchimento) coincidam com os períodos de maior probabilidade de chuvas.
Colheita e Umidade: Após a maturidade fisiológica, os grãos apenas perdem umidade; o monitoramento deve ser constante para iniciar a colheita assim que a umidade atingir o ponto ideal (geralmente entre 13% e 15%), evitando perdas mecânicas e descontos na comercialização.
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