O que é Fitotoxicidade Por Herbicidas

A fitotoxicidade por herbicidas é um fenômeno caracterizado pela intoxicação de plantas cultivadas causada pela exposição indevida a produtos químicos destinados ao controle de plantas daninhas. No contexto do agronegócio brasileiro, esse problema é frequentemente referido no campo apenas como “fito”. Ele ocorre quando o herbicida, que deveria atingir apenas as invasoras, entra em contato com a cultura de interesse econômico — seja por erro de aplicação, condições climáticas adversas ou falhas no planejamento do manejo —, desencadeando reações fisiológicas prejudiciais.

Quando uma cultura sofre fitotoxicidade, o ingrediente ativo do herbicida interfere em processos metabólicos vitais da planta, como a fotossíntese, a síntese de aminoácidos ou a divisão celular. O resultado prático é o comprometimento do desenvolvimento vegetativo e reprodutivo da lavoura. Dependendo da gravidade da intoxicação, do estágio fenológico da planta e da capacidade de recuperação da espécie, os danos podem variar desde leves reduções no crescimento até a morte total das plantas atingidas, gerando prejuízos econômicos significativos ao produtor.

A ocorrência desse problema está intrinsecamente ligada ao conceito de seletividade e à tecnologia de aplicação. Mesmo herbicidas considerados seletivos podem causar fitotoxicidade se aplicados em doses excessivas ou em momentos inadequados. Contudo, o cenário mais comum envolve a deriva de herbicidas não seletivos (como o glifosato) ou hormonais, onde o produto é deslocado pelo vento para fora do alvo desejado, atingindo as folhas da cultura principal e causando sintomas visuais e metabólicos severos.

Principais Características

  • Sintomas Visuais Variados: As plantas afetadas podem apresentar clorose (amarelecimento), necrose (morte do tecido), deformações nas folhas (como o aspecto lanceolado ou “encarquilhado”) e paralisação do crescimento.

  • Ocorrência por Deriva: Uma das características mais marcantes é a associação com a deriva, que é o deslocamento das gotas de pulverização para fora do alvo, geralmente causada por ventos fortes ou pontas de pulverização inadequadas.

  • Alteração Metabólica: O herbicida atua inibindo enzimas ou processos específicos dentro da planta, o que força o vegetal a gastar energia para tentar metabolizar e desintoxicar o composto, reduzindo seu potencial produtivo.

  • Padrão de Distribuição: No campo, a fitotoxicidade muitas vezes aparece em “manchas” ou faixas, coincidindo com as passadas do pulverizador ou com a direção do vento no momento da aplicação.

  • Dependência Climática: A gravidade dos sintomas é frequentemente exacerbada por condições de estresse, como altas temperaturas e baixa umidade relativa do ar durante ou logo após a aplicação.

Importante Saber

  • Monitoramento das Condições Climáticas: Para evitar a fitotoxicidade por deriva, é crucial respeitar os limites operacionais: umidade relativa do ar acima de 50%, temperatura abaixo de 30°C e velocidade do vento entre 3 e 10 km/h.

  • Regulagem de Equipamentos: A escolha correta das pontas de pulverização (bicos) e a calibração da pressão são fundamentais para garantir o tamanho de gota ideal, minimizando o risco de o produto atingir a cultura principal.

  • Diagnóstico Diferencial: É essencial não confundir os sintomas de fitotoxicidade com deficiências nutricionais ou doenças; a análise do histórico de aplicações e a observação da distribuição dos sintomas no talhão ajudam na identificação correta.

  • Tecnologia de Aplicação: O uso de bicos com indução de ar e a manutenção da barra de pulverização na altura correta (o mais próximo possível do alvo, sem comprometer a cobertura) são práticas eficazes para reduzir a deriva.

  • Impacto na Produtividade: Mesmo que a planta não morra e consiga se recuperar visualmente, a fitotoxicidade pode causar perdas “invisíveis” na produtividade final, pois a energia que seria usada para produção de grãos ou frutos é desviada para a recuperação do tecido.

  • Limpeza do Tanque: Resíduos de herbicidas de aplicações anteriores no tanque do pulverizador são uma causa silenciosa e frequente de fitotoxicidade; a tríplice lavagem e o uso de desengraxantes específicos são recomendados na troca de produtos.

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