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O que é Geada No Milho

A geada no milho é um fenômeno meteorológico adverso caracterizado pelo congelamento dos tecidos vegetais da cultura, causado pela queda acentuada da temperatura do ar, geralmente próxima ou abaixo de 0 °C. No contexto agrícola brasileiro, este evento representa um dos riscos climáticos mais severos, incidindo predominantemente sobre o milho segunda safra (safrinha). Como o plantio da safrinha ocorre entre janeiro e abril, as fases de desenvolvimento da planta frequentemente coincidem com a chegada de massas de ar polar no outono e inverno, afetando principalmente as lavouras das regiões Sul, Sudeste e partes do Centro-Oeste.

Fisiologicamente, o dano ocorre quando a água presente no interior das células da planta congela, formando cristais de gelo. Esse processo provoca a expansão do volume celular e o consequente rompimento das paredes celulares, levando à morte do tecido afetado. O impacto na produtividade varia drasticamente conforme o estágio fenológico em que a cultura se encontra no momento da geada. Enquanto plantas muito jovens podem ter capacidade de regeneração, a ocorrência do fenômeno durante as fases reprodutivas ou de enchimento de grãos pode comprometer irreversivelmente a produção, resultando em perdas econômicas significativas para o produtor.

A gestão desse risco envolve um planejamento rigoroso da janela de plantio, visto que semeaduras mais tardias aumentam exponencialmente a probabilidade de a lavoura ser atingida pelo frio intenso em estágios críticos. Além da morte tecidual direta, a geada reduz a área foliar fotossinteticamente ativa, diminuindo a capacidade da planta de produzir fotoassimilados necessários para o desenvolvimento vigoroso das espigas e dos grãos.

Principais Características

  • Dano Celular Irreversível: O congelamento dos fluidos intracelulares causa a ruptura das membranas e paredes celulares, resultando em necrose dos tecidos, que apresentam inicialmente um aspecto encharcado e escurecido antes de secarem completamente.

  • Correlação com a Janela de Plantio: O risco de incidência é diretamente proporcional ao atraso na semeadura do milho safrinha; quanto mais tarde o plantio, maior a exposição da cultura às ondas de frio típicas do meio do ano.

  • Dependência do Ponto de Crescimento: A severidade do dano em estágios iniciais depende da localização do ponto de crescimento (meristema apical); se estiver abaixo da superfície do solo (geralmente até V2), a planta tem maior chance de sobrevivência.

  • Redução da Fotossíntese: A destruição da área foliar pela queima da geada limita a capacidade da planta de realizar fotossíntese, o que impacta diretamente o acúmulo de biomassa e o enchimento dos grãos.

  • Suscetibilidade Regional: As ocorrências são mais frequentes e severas em estados do Sul (PR, SC, RS), Sudeste (SP, MG) e no sul do Mato Grosso do Sul, exigindo zoneamento agrícola preciso nessas áreas.

Importante Saber

  • Resiliência nos Estágios Iniciais (VE a V2): Plantas atingidas entre a emergência e o estágio de duas folhas (V2) possuem alta capacidade de recuperação, pois o ponto de crescimento ainda está protegido abaixo do solo, permitindo o rebrote mesmo com folhas queimadas.

  • Ponto Crítico de Transição (V3 a V4): A partir do estágio de três a quatro folhas, a planta esgota as reservas da semente e passa a depender exclusivamente da fotossíntese; geadas nesta fase são mais letais pois o ponto de crescimento emerge do solo e a perda foliar interrompe o fornecimento de energia.

  • Impacto na Fase Reprodutiva (VT): A ocorrência de geada durante o pendoamento e embonecamento é devastadora, pois danifica as estruturas reprodutivas (pendão e estilo-estigmas), impedindo a fecundação e resultando em espigas com falhas severas ou sem grãos.

  • Perdas no Enchimento de Grãos (R): Mesmo em fases finais, o frio intenso pode causar a morte prematura da planta ou das folhas, interrompendo o transporte de nutrientes para os grãos, o que reduz o Peso de Mil Grãos (PMG) e a qualidade final do produto.

  • Avaliação de Danos: Após uma geada, recomenda-se aguardar alguns dias antes de tomar decisões drásticas (como o replantio ou dessecação), para observar se haverá emissão de novas folhas saudáveis a partir do cartucho.

  • Estimativa de Prejuízo: Estudos indicam que, mesmo quando há recuperação da planta em estágios vegetativos (até 6 folhas), a redução da área foliar pode causar uma queda de produtividade entre 10% e 25% devido ao atraso no ciclo e menor vigor.

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