Brusone no Trigo: Identificação, Diferenças da Giberela e Controle
Brusone no trigo: entenda como o fungo se comporta e quais estratégias de manejo são recomendadas para evitar perdas
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Ler o Guia Principal sobre Giberela no Trigo →A Giberela, tecnicamente conhecida como fusariose da espiga, é uma das doenças fúngicas mais complexas e destrutivas que afetam a cultura do trigo no Brasil. Causada pelo fungo Fusarium graminearum, a enfermidade encontra condições ideais de desenvolvimento em regiões de clima quente e úmido, sendo particularmente agressiva quando ocorrem chuvas frequentes durante o período de floração da lavoura. O patógeno ataca diretamente as espigas, comprometendo a formação dos grãos e resultando em perdas diretas de produtividade que podem chegar a 30% em casos severos.
Além dos danos quantitativos, a Giberela representa um sério risco à qualidade sanitária da produção agrícola. O fungo é responsável pela síntese de micotoxinas, substâncias tóxicas que contaminam os grãos e podem ser nocivas à saúde humana e animal. No cenário do agronegócio brasileiro, a presença dessas toxinas, especialmente o desoxinivalenol (DON), é rigorosamente monitorada pela Anvisa, o que pode desvalorizar o produto ou impedir sua comercialização para a indústria de alimentos e rações caso os limites de tolerância sejam ultrapassados.
Sintomatologia na Espiga: O sinal mais evidente é o branqueamento prematuro das espiguetas, que adquirem uma coloração de palha ou despigmentada. Diferente de outras doenças, esse sintoma ocorre de forma intercalada, com espiguetas doentes misturadas a sadias na mesma espiga.
Aristas Arrepiadas: As espiguetas afetadas frequentemente apresentam aristas deformadas e arrepiadas, uma característica visual distinta que auxilia no diagnóstico rápido em campo.
Grãos Róseos: Quando a infecção permite algum desenvolvimento do grão, este se torna chocho, enrugado e apresenta uma coloração rosada ou salmão, decorrente das estruturas reprodutivas do fungo.
Sobrevivência na Palhada: O fungo Fusarium graminearum é necrotrófico, sobrevivendo nos restos culturais de safras anteriores (como milho, triticale e cevada), o que torna o manejo da palhada um fator crítico.
Disseminação Eólica: Os esporos (ascósporos) são liberados e transportados pelo vento a longas distâncias, atingindo as anteras do trigo no momento da floração para iniciar a infecção.
Diferenciação da Brusone: É crucial distinguir a Giberela da Brusone. Na Giberela, o branqueamento é salteado (espiguetas isoladas brancas entre verdes), enquanto na Brusone a morte da espiga é contínua a partir do ponto de infecção (base ou raque).
Janela de Infecção: O momento de maior vulnerabilidade da planta é a antese (floração). O fungo penetra através da flor, destruindo-a ou colonizando o grão em formação, o que exige precisão no momento da aplicação de fungicidas.
Risco de Micotoxinas: A presença visual do fungo nos grãos indica alta probabilidade de contaminação por micotoxinas (DON). Lotes com níveis acima do permitido (ex: 1.000 ppb para farinha integral) podem ser rejeitados pela indústria.
Condições Climáticas: O risco de epidemia aumenta significativamente em anos de El Niño ou em primaveras chuvosas, exigindo monitoramento constante se houver previsão de molhamento foliar superior a 48 horas consecutivas durante o espigamento.
Estratégias de Manejo: O controle eficiente depende da integração de práticas, incluindo o uso de sementes sadias e tratadas, rotação de culturas com plantas não hospedeiras e o escalonamento da semeadura para tentar evitar que a floração coincida com picos de chuva.
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