O que é Gps

O Sistema de Posicionamento Global (GPS) é uma tecnologia de navegação por satélite que, no contexto do agronegócio brasileiro, atua como a espinha dorsal da Agricultura de Precisão. Embora o termo GPS se refira especificamente à constelação de satélites norte-americana, no campo o conceito é frequentemente utilizado para descrever receptores GNSS (Sistemas Globais de Navegação por Satélite) que captam sinais de múltiplas constelações para determinar a localização exata de máquinas, equipamentos ou pontos de interesse dentro da propriedade rural. Essa tecnologia permite transformar a gestão da lavoura, saindo de uma visão generalista para um manejo localizado e específico de cada metro quadrado do talhão.

Na prática agrícola, o GPS vai muito além de apenas indicar o caminho. Ele é o responsável por guiar tratores e colheitadeiras através de pilotos automáticos, garantindo o paralelismo das passadas e evitando o “remonte” (sobreposição) ou falhas na aplicação de insumos. Além da navegação de máquinas, o GPS é a ferramenta fundamental para o georreferenciamento de imóveis rurais (exigência legal do INCRA), para o monitoramento de frotas via telemetria e para a coleta de dados em campo, como a amostragem de solo georreferenciada e o mapeamento de pragas.

A importância dessa tecnologia no Brasil é acentuada pela dimensão das áreas produtivas e pela necessidade de eficiência operacional. Sem o posicionamento global, seria impossível realizar a aplicação de defensivos e fertilizantes em taxa variável, onde o equipamento dosa a quantidade de produto automaticamente baseando-se na localização da máquina no mapa de prescrição. Portanto, o GPS é o elo que conecta o planejamento agronômico digital à execução física no campo, permitindo que dados de satélites, drones e sensores sejam traduzidos em ações mecânicas precisas.

Principais Características

  • Níveis de Precisão Variáveis: A tecnologia oferece desde precisões métricas (margem de erro de alguns metros), usadas em navegação simples e reconhecimento de áreas, até precisões centimétricas (RTK), essenciais para plantio e operações que exigem alinhamento perfeito entre passadas.
  • Integração com Piloto Automático: O receptor GPS envia dados de posicionamento em tempo real para o sistema hidráulico ou elétrico do trator, corrigindo a rota automaticamente e compensando inclinações do terreno para manter a máquina na linha projetada.
  • Suporte à Taxa Variável: Permite que os controladores de pulverizadores e distribuidores de adubo saibam exatamente onde estão no talhão, ajustando a abertura dos bicos ou a vazão das esteiras conforme o mapa de recomendação agronômica carregado no computador de bordo.
  • Rastreabilidade e Mapeamento: Cada dado coletado (seja produtividade na colheita ou compactação do solo) recebe uma coordenada geográfica (latitude e longitude), permitindo a criação de mapas históricos que mostram a evolução da lavoura ao longo das safras.
  • Compatibilidade GNSS: Os receptores modernos utilizados na agricultura brasileira geralmente captam sinais não apenas do GPS (EUA), mas também do GLONASS (Rússia), Galileo (Europa) e BeiDou (China), garantindo maior estabilidade de sinal mesmo em áreas com obstruções ou próximas a matas.

Importante Saber

  • Sinais de Correção são Necessários: Para operações de alta precisão, como o plantio, o sinal “puro” do satélite não é suficiente devido a erros atmosféricos. É necessário utilizar sinais de correção pagos ou bases RTK (Real Time Kinematic) instaladas na fazenda para garantir erro menor que 2,5 cm.
  • Configuração do Datum: No Brasil, o sistema de referência oficial é o SIRGAS 2000. Configurar o GPS com o Datum incorreto (como o antigo SAD 69 ou o WGS 84 sem conversão) pode causar deslocamentos de metros nos mapas, fazendo com que a máquina invada a área vizinha ou erre as linhas de plantio.
  • Cintilação Ionosférica: Em regiões próximas à linha do Equador e em certas épocas do ano, o Brasil sofre com a cintilação ionosférica, um fenômeno atmosférico que pode degradar ou interromper o sinal de GPS temporariamente, afetando a operação de máquinas autônomas.
  • Diferença entre GPS de Mão e Geodésico: Não se deve usar GPS de navegação (como os de celular ou portáteis simples) para demarcação de divisas ou curvas de nível que exigem rigor técnico, pois a imprecisão desses aparelhos pode gerar erros acumulativos graves no planejamento hidráulico e fundiário.
  • Calibração do Equipamento: A simples instalação da antena no teto do trator não garante precisão. É fundamental configurar corretamente as medidas da máquina (distância da antena até o eixo e até o implemento) para que o computador compense o movimento e aplique o insumo no local correto, especialmente em curvas.
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