O que é Helmintosporiose Do Milho

A helmintosporiose do milho, causada pelo fungo Exserohilum turcicum (anteriormente conhecido na literatura agronômica como Helminthosporium turcicum), é uma das doenças foliares mais severas e frequentes nas lavouras brasileiras. Ela ataca diretamente a área foliar da planta, comprometendo a capacidade fotossintética do milho e, consequentemente, reduzindo drasticamente o peso e o enchimento dos grãos. Além disso, a perda severa de área foliar predispõe a planta a outros problemas secundários, como a podridão de colmo, devido à remobilização excessiva de nutrientes das hastes para as espigas.

No cenário agrícola do Brasil, essa doença ganha destaque especial nas regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste, sendo uma preocupação constante tanto na safra de verão quanto na safrinha (segunda safra). O fungo encontra condições ideais para proliferação em ambientes com temperaturas amenas (variando entre 18°C e 27°C) e alta umidade relativa do ar. Esses cenários são muito comuns em plantios de segunda safra, em áreas de baixada com acúmulo de neblina ou em regiões de altitudes mais elevadas.

A importância prática de monitorar e controlar a helmintosporiose reside no seu alto potencial de dano econômico para o produtor rural. Se a infecção ocorrer precocemente, antes ou durante o período de pendoamento, e não for controlada adequadamente, as perdas de produtividade podem ultrapassar a marca de 50%. Portanto, o manejo integrado e o diagnóstico rápido no campo são essenciais para garantir a rentabilidade e a segurança da lavoura.

Principais Características

  • Lesões foliares alongadas e elípticas, frequentemente descritas pelos técnicos como tendo o formato de um “charuto”, que podem variar de 2 a 15 centímetros de comprimento.
  • As manchas apresentam uma coloração inicial verde-acinzentada, evoluindo para tons de marrom ou palha à medida que o tecido vegetal necrosa e morre.
  • A doença geralmente inicia-se nas folhas mais baixas e velhas da planta, progredindo rapidamente para o terço superior conforme a severidade da infecção aumenta.
  • Em condições de alta umidade e orvalho, é possível observar uma massa escura e aveludada de esporos do fungo no centro das lesões, o que facilita a identificação visual no campo.
  • A disseminação dos esporos (conídios) ocorre facilmente através da ação do vento e de respingos de chuva, espalhando a doença de forma rápida entre as plantas.
  • O patógeno sobrevive em restos culturais (palhada) infectados de safras anteriores e em plantas de milho voluntário (tiguera), servindo como inóculo inicial para novas infecções no sistema de plantio direto.

Importante Saber

  • A escolha de híbridos de milho com resistência genética ou alta tolerância ao Exserohilum turcicum é a principal, mais barata e mais eficiente estratégia de manejo preventivo.
  • O monitoramento da lavoura deve ser intensificado a partir do estágio vegetativo V8 até a fase de pendoamento e espigamento, período crítico em que a planta não pode perder área foliar ativa.
  • A aplicação de fungicidas foliares deve ser realizada de forma preventiva ou logo aos primeiros sintomas da doença, respeitando a rotação de princípios ativos (como estrobilurinas e triazóis) para evitar a resistência do fungo.
  • A rotação de culturas com espécies não hospedeiras, como a soja ou o algodão, é fundamental para reduzir a quantidade de inóculo do fungo presente na palhada do solo.
  • Fique atento às previsões meteorológicas: períodos prolongados de orvalho noturno, alta umidade e dias nublados são os principais gatilhos para explosões da doença na lavoura.
  • Atenção ao acamamento: plantas severamente atacadas pela helmintosporiose tendem a enfraquecer o colmo, aumentando os riscos de tombamento e dificultando significativamente a operação de colheita mecanizada.
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