O que é Heterodera Glycines

O Heterodera glycines, popularmente conhecido como Nematoide do Cisto da Soja (NCS), é um verme microscópico fitoparasita que representa um dos maiores desafios fitossanitários para a sojicultura no Brasil e no mundo. Este patógeno habita o solo e ataca o sistema radicular das plantas, comprometendo severamente a capacidade de absorção de água e nutrientes. A sua denominação deriva da formação de “cistos”, que são os corpos das fêmeas mortas endurecidos, servindo como uma estrutura de proteção extremamente resistente para os ovos, permitindo que o nematoide sobreviva no solo por vários anos, mesmo na ausência de uma planta hospedeira.

No contexto do agronegócio brasileiro, a presença deste nematoide é crítica devido ao seu potencial de causar perdas de produtividade que podem variar de 10% a 100%, dependendo da infestação e da suscetibilidade da cultivar. O Heterodera glycines é considerado um “inimigo silencioso” porque, muitas vezes, os sintomas na parte aérea da planta não são evidentes ou são confundidos com deficiências minerais e estresse hídrico. Quando os danos se tornam visíveis, geralmente em reboleiras com plantas amareladas e de porte reduzido, a população do patógeno no solo já atingiu níveis alarmantes, dificultando o controle imediato.

A biologia deste nematoide é complexa devido à sua alta variabilidade genética, manifestada através de diferentes “raças fisiológicas”. Isso significa que populações distintas do nematoide possuem capacidades diferentes de parasitar cultivares de soja. No Brasil, já foram identificadas diversas raças, o que exige do produtor e do agrônomo um planejamento estratégico minucioso na escolha das variedades de soja e no manejo do solo para evitar a seleção de populações ainda mais agressivas do parasita.

Principais Características

  • Formação de Cistos: A característica mais marcante é a presença de fêmeas em formato de limão, que variam da cor branca à marrom-escura, fixadas às raízes; após a morte, tornam-se cistos duros que protegem centenas de ovos contra dessecação e predadores.

  • Variabilidade Genética (Raças): O patógeno apresenta diversas raças fisiológicas (como 1, 3, 4, 5, 14, entre outras), sendo que cada raça possui a habilidade específica de quebrar a resistência de determinados genótipos de soja.

  • Sintomatologia Visual: Na lavoura, a infestação manifesta-se tipicamente em “reboleiras” (manchas circulares) onde as plantas apresentam nanismo (porte reduzido), clorose (amarelecimento) e fechamento incompleto das entrelinhas.

  • Mecanismo de Parasitismo: É um endoparasita sedentário; as fêmeas penetram na raiz, estabelecem um sítio de alimentação permanente e ali permanecem até completarem o ciclo, expondo parte do corpo para fora da raiz.

  • Sobrevivência Prolongada: Graças à estrutura do cisto, os ovos podem permanecer viáveis no solo por 8 anos ou mais na ausência de hospedeiros, eclodindo gradativamente quando estimulados por exsudatos radiculares.

Importante Saber

  • Diagnóstico Laboratorial: A confirmação da presença e, principalmente, a identificação da raça do Heterodera glycines exigem análise laboratorial de solo e raízes, pois a identificação visual no campo pode ser imprecisa.

  • Escolha de Cultivares: O uso de cultivares resistentes é a principal ferramenta de manejo, mas deve-se atentar à raça presente na área; uma cultivar resistente à raça 3 pode ser suscetível à raça 4, por exemplo.

  • Rotação de Culturas: A rotação com plantas não hospedeiras (como milho ou gramíneas forrageiras) é essencial para reduzir a população do nematoide no solo, induzindo a eclosão dos ovos sem oferecer alimento para o desenvolvimento do parasita.

  • Disseminação Passiva: O nematoide não se move longas distâncias sozinho; sua disseminação ocorre principalmente pelo transporte de solo infestado em máquinas agrícolas, implementos, calçados e pela erosão, exigindo rigorosa limpeza de equipamentos.

  • Reação de Hipersensibilidade: As plantas resistentes combatem o nematoide através da necrose celular ao redor do sítio de alimentação, impedindo que o parasita se nutra e complete seu ciclo de vida.

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