O que é Inibidor De Hppd

Os inibidores de HPPD constituem uma classe específica e estratégica de herbicidas amplamente utilizados na agricultura brasileira, com destaque fundamental para o manejo de plantas daninhas na cultura do milho. A sigla refere-se à enzima 4-hidroxifenil-piruvato-dioxigenase, que desempenha um papel vital na biossíntese de carotenoides dentro das plantas. Os carotenoides funcionam como pigmentos protetores da clorofila contra a oxidação causada pela luz solar; portanto, ao inibir a enzima HPPD, o herbicida deixa a clorofila desprotegida, resultando em sua degradação pela luz.

No contexto prático do campo, o uso de inibidores de HPPD, como as tricetonas (grupo químico onde se encontra a tembotriona e a mesotriona), provoca um sintoma visual muito característico conhecido como “branqueamento” ou albinismo das folhas. Sem a proteção dos carotenoides e com a consequente destruição da clorofila, a planta invasora perde a capacidade de realizar fotossíntese, cessa seu desenvolvimento e morre. Essa ferramenta é essencial para o controle em pós-emergência, atuando tanto em gramíneas quanto em folhas largas.

A importância agronômica desta classe de herbicidas cresceu substancialmente devido aos desafios com a resistência de plantas daninhas a outros mecanismos de ação, como os inibidores da EPSPS (glifosato) e da ALS. Por serem altamente seletivos à cultura do milho, os inibidores de HPPD permitem que o produtor realize o controle químico com a lavoura já estabelecida, limpando a área sem causar fitotoxidez significativa à cultura comercial, desde que respeitadas as doses e recomendações técnicas.

Principais Características

  • Sintomatologia Visual: O efeito mais notável é o branqueamento (albinismo) dos tecidos novos das plantas daninhas, que evolui para necrose e morte.

  • Mecanismo de Ação: Atua na inibição da síntese de carotenoides, pigmentos essenciais para a proteção da clorofila e captação de luz.

  • Seletividade: Apresenta alta seletividade para a cultura do milho, pois a planta cultivada consegue metabolizar o produto rapidamente antes que ocorram danos.

  • Espectro de Controle: É eficaz contra uma ampla gama de plantas daninhas, controlando tanto eudicotiledôneas (folhas largas) quanto monocotiledôneas (folhas estreitas).

  • Dependência de Luz: Para que o sintoma de morte da planta ocorra efetivamente, é necessária a presença de luz solar, que atua na degradação da clorofila desprotegida.

Importante Saber

  • Ferramenta Antirresistência: A rotação de herbicidas com inibidores de HPPD é crucial para prevenir a seleção de biótipos resistentes, sendo uma alternativa vital onde o glifosato já não é eficaz.

  • Estádio de Aplicação: A eficiência é maximizada quando a aplicação ocorre em plantas daninhas nos estádios iniciais de desenvolvimento; plantas muito desenvolvidas podem apresentar rebrote.

  • Condições Climáticas: Assim como outros sistêmicos, a eficácia depende de boas condições de umidade e temperatura para a absorção e translocação do produto na planta.

  • Tecnologia de Aplicação: O uso de adjuvantes específicos, muitas vezes óleos minerais ou vegetais, é frequentemente recomendado para garantir a absorção correta pelas folhas das daninhas.

  • Efeito Residual: Alguns produtos desta classe podem apresentar atividade residual no solo, o que exige atenção no planejamento da rotação de culturas para evitar danos à cultura sucessora (carryover).

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