Cultivo de Cevada: Guia Completo de Manejo para a Safra de Inverno
Cevada como cultura de inverno: conheça a importância, onde e como cultivar, nutrição, manejo de pragas, doenças, daninhas e muito mais!
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O manejo da cevada compreende o conjunto de práticas agronômicas aplicadas ao cultivo deste cereal de inverno, visando atingir altos tetos produtivos e, principalmente, a qualidade industrial exigida pelas malterias. No Brasil, a cevada é uma cultura estratégica para a composição de renda na entressafra, servindo como uma excelente alternativa ao trigo em sistemas de rotação de culturas, especialmente na Região Sul e em áreas irrigadas do Cerrado. O sucesso da lavoura depende intrinsecamente da interação entre a genética da semente, o ambiente e as técnicas de condução adotadas pelo produtor.
Diferente de outras commodities onde o volume é o único foco, o manejo da cevada é fortemente orientado para a qualidade do grão. Para que a produção seja aceita pela indústria cervejeira — que paga ágios significativos sobre o preço de mercado —, os grãos precisam atender a padrões rigorosos de germinação, teor de proteína e classificação (tamanho). Caso esses parâmetros não sejam atingidos devido a falhas no manejo nutricional ou fitossanitário, a produção é destinada à alimentação animal, mercado que, embora robusto, oferece menor rentabilidade.
Portanto, o manejo eficiente engloba desde a escolha da área, respeitando o Zoneamento Agrícola de Risco Climático (ZARC), até a colheita precisa. Envolve a correção antecipada da fertilidade do solo, a semeadura em densidade adequada para garantir o estande de plantas ideal e um controle rigoroso de doenças fúngicas, que podem comprometer a qualidade final do produto. É uma cultura que exige tecnificação e planejamento para maximizar o retorno sobre o investimento.
Ciclo de Desenvolvimento: A cultura apresenta um ciclo relativamente curto, girando em torno de 110 dias, com germinação rápida (1 a 3 dias), o que permite um bom ajuste na janela de plantio de inverno.
Exigência Climática: É uma planta típica de clima frio, necessitando de baixas temperaturas para o perfilhamento e desenvolvimento adequado, sendo cultivada preferencialmente no Sul (sequeiro) ou no Sudeste e Centro-Oeste (irrigado).
Finalidade Comercial: Possui dupla aptidão econômica, sendo o foco principal a produção de malte para a indústria cervejeira (maior valor agregado) e, secundariamente, a produção de grãos para ração animal ou forragem.
Densidade de Semeadura: O manejo exige alta população de plantas, com recomendação técnica visando estabelecer cerca de 250 plantas por metro quadrado (2,5 milhões/ha) para otimizar a produtividade.
Potencial Produtivo: Com o manejo correto, a produtividade média brasileira de 4.000 kg/ha pode ser superada, alcançando patamares acima de 5.000 kg/ha em lavouras de alta tecnologia.
Contratos de Comercialização: Devido à especificidade da indústria, é comum e recomendável que o cultivo seja realizado mediante contratos com cervejarias ou cooperativas, garantindo a venda e, muitas vezes, o fornecimento de sementes certificadas.
Qualidade do Grão (Classe 1): A rentabilidade máxima é obtida quando mais de 85% dos grãos são classificados como “Classe 1” (maior calibre); o manejo deve focar em nutrição e sanidade para atingir esse padrão.
Correção do Solo: A cevada é sensível à acidez do solo e à deficiência de nutrientes; a semeadura deve ocorrer em áreas com pH corrigido e níveis adequados de fertilidade para evitar perdas produtivas.
Controle Fitossanitário: A cultura é suscetível a doenças fúngicas, como manchas foliares e giberela, que afetam diretamente a qualidade do malte; o monitoramento constante e a aplicação preventiva de fungicidas são essenciais.
Momento da Colheita: A colheita deve ser realizada com umidade adequada e regulagem precisa das máquinas para evitar danos mecânicos ao grão, pois a integridade do embrião é vital para o processo de malteação.
Zoneamento Agroclimático: Respeitar as janelas de plantio indicadas para cada região (maio a setembro no Cerrado; junho a novembro no Sul) é crucial para evitar geadas na espiga ou chuvas excessivas na colheita.
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