Geada no Milho: Efeitos, Prejuízos e Como Proteger sua Lavoura
Geada no milho: principais regiões de ocorrência, efeitos em cada estágio fenológico da cultura, como reduzir as consequências e mais!
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O manejo da geada compreende um conjunto de estratégias agronômicas, de planejamento e de monitoramento climático destinadas a mitigar os danos causados por baixas temperaturas nas lavouras comerciais. No contexto do agronegócio brasileiro, este manejo é particularmente crítico para a cultura do milho segunda safra (safrinha), trigo, café e hortifruti, concentrando-se majoritariamente nas regiões Sul, Sudeste e em áreas de maior altitude do Centro-Oeste. O objetivo principal não é impedir o fenômeno meteorológico, mas sim gerenciar a exposição da cultura ao risco, buscando evitar que o frio intenso coincida com os estágios fenológicos mais vulneráveis da planta.
A base desse manejo reside no entendimento da fisiologia vegetal e na utilização do Zoneamento Agrícola de Risco Climático (ZARC). A geada ocorre quando a temperatura do ar desce a níveis que provocam o congelamento da água no interior das células vegetais ou na superfície das folhas. Esse congelamento causa a expansão do volume celular e o rompimento das membranas, levando à morte do tecido (necrose). O manejo eficiente envolve a escolha correta da época de semeadura, a seleção de cultivares com ciclos adequados à janela de plantio e a adoção de práticas que mantenham a saúde da planta, permitindo uma possível recuperação em casos de danos não letais.
Dependência da Janela de Plantio: A característica mais marcante do manejo preventivo é a correlação direta entre a data de semeadura e o risco de perdas. No milho safrinha, quanto mais tardio o plantio, maior a probabilidade da cultura enfrentar geadas em fases críticas.
Sensibilidade Fenológica Variável: O impacto da geada não é uniforme durante todo o ciclo. O manejo exige o conhecimento de que plantas em estágios iniciais (com ponto de crescimento protegido) reagem de forma diferente de plantas em fase reprodutiva.
Danos Fisiológicos Irreversíveis: A geada provoca a cristalização da água intracelular e o rompimento da parede celular. O manejo pós-evento foca na avaliação da área foliar remanescente e na capacidade da planta de continuar a fotossíntese.
Impacto na Translocação de Nutrientes: Além da queima das folhas, o frio intenso afeta a produção de fotoassimilados (açúcares), resultando em espigas menores, grãos mal formados e redução direta no peso final da colheita.
Regionalização do Risco: As estratégias de manejo são altamente dependentes da localização geográfica, sendo mais intensivas nos estados do Paraná, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, sul de Mato Grosso do Sul e partes de São Paulo e Minas Gerais.
Ponto de Crescimento Protegido: Em gramíneas como o milho, se a geada ocorrer entre a emergência (VE) e o estágio de duas folhas (V2), a chance de recuperação é alta, pois o ponto de crescimento (meristema apical) ainda está abaixo da superfície do solo, protegido do congelamento direto.
O Perigo da Fase V3-V4: A partir do estágio de três a quatro folhas, a planta esgota as reservas da semente e passa a depender exclusivamente da fotossíntese. Geadas nesta fase são críticas, pois a destruição da área foliar compromete a fonte de energia necessária para o desenvolvimento.
Prejuízos na Fase Reprodutiva: Se o evento climático ocorrer durante o pendoamento ou embonecamento (VT), os danos são frequentemente irreversíveis, afetando a viabilidade do pólen e dos estigmas, o que resulta em falhas severas na formação dos grãos.
Quantificação de Perdas: Mesmo que a planta sobreviva a uma geada no estágio vegetativo (até 6 folhas), estudos indicam que a redução da área foliar pode causar uma queda de produtividade entre 10% e 25%, devido à menor capacidade fotossintética.
Avaliação Pós-Geada: Após a ocorrência do fenômeno, recomenda-se aguardar alguns dias antes de tomar decisões drásticas (como o replantio ou dessecação), para observar se o tecido do colmo permanece firme e se há emissão de novas folhas verdes a partir do cartucho.
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