O que é Manejo De Percevejos

O manejo de percevejos refere-se ao conjunto de estratégias e práticas agronômicas adotadas para monitorar, identificar e controlar as populações de insetos da ordem Hemiptera que causam danos econômicos às lavouras. No contexto do agronegócio brasileiro, esta é uma das atividades mais críticas para a proteção de cultivos como soja, milho e algodão. Os percevejos são insetos fitófagos com aparelho bucal do tipo picador-sugador (estilete), que utilizam para perfurar os tecidos vegetais e extrair a seiva, afetando diretamente a produtividade e a qualidade dos grãos e sementes.

A complexidade desse manejo reside na diversidade de espécies e na capacidade de adaptação desses insetos. O processo inicia-se pela correta identificação taxonômica, distinguindo entre as famílias de percevejos que atacam a parte aérea (como os Pentatomidae, sugadores de grãos) e aqueles que atacam o sistema radicular (como os Cydnidae, sugadores de raízes). O manejo eficiente exige o entendimento profundo do ciclo biológico da praga, desde a fase de ovo, passando pelos ínstares ninfais, até a fase adulta, momento em que possuem maior mobilidade e capacidade reprodutiva.

Além dos danos diretos causados pela sucção de nutrientes, o manejo de percevejos visa mitigar os danos indiretos, uma vez que esses insetos são vetores de doenças e abrem portas de entrada para patógenos, como fungos e bactérias, que causam fermentação e podridão nos grãos. Devido à alta mobilidade e polifagia (capacidade de se alimentar de diversas plantas hospedeiras), o controle deve ser integrado e constante, observando não apenas a lavoura principal, mas também áreas de refúgio e plantas daninhas que servem de “ponte verde” entre as safras.

Principais Características

  • Aparelho Bucal Especializado: Possuem um estilete que funciona como um canudo, permitindo atingir tecidos profundos da planta para sucção de nutrientes, variando a profundidade da picada conforme a espécie e o estágio de desenvolvimento.

  • Ciclo de Vida em Fases: O desenvolvimento ocorre em três etapas principais: ovo, ninfa (com vários ínstares) e adulto, sendo que o comportamento alimentar e a suscetibilidade ao controle variam entre essas fases.

  • Comportamento Gregário das Ninfas: Em muitas espécies, as ninfas recém-nascidas alimentam-se em grupo para facilitar a digestão dos tecidos vegetais através da ação conjunta da saliva, dispersando-se apenas a partir do terceiro ínstar.

  • Alta Mobilidade e Dispersão: Os adultos possuem grande capacidade de voo e dispersão, migrando rapidamente entre talhões ou propriedades em busca de alimento ou locais para sobrevivência na entressafra.

  • Diversidade de Espécies: O complexo de percevejos inclui diversas espécies com características distintas, como o percevejo-marrom (Euschistus heros), percevejo-verde (Nezara viridula) e o percevejo-castanho (Scaptocoris spp.), este último com hábito subterrâneo.

Importante Saber

  • Identificação Correta é Crucial: Diferenciar as espécies é fundamental, pois a biologia e o comportamento variam. Por exemplo, o percevejo-barriga-verde (Dichelops spp.) pode atacar o milho logo no início do desenvolvimento, enquanto outros preferem a fase reprodutiva da soja.

  • Danos Irreversíveis na Qualidade: O ataque de percevejos afeta diretamente o vigor e a germinação das sementes, além de causar grãos “chochos” e manchados, resultando em descontos comerciais no momento da entrega da produção.

  • Atenção ao Sistema Radicular: Em áreas de plantio direto, o percevejo-castanho (Scaptocoris spp.) pode passar despercebido por atacar as raízes, exigindo monitoramento do solo e das raízes, não apenas da parte aérea.

  • Momento de Controle: O controle deve considerar o estágio de desenvolvimento da praga. A partir do terceiro ínstar, as ninfas já causam danos semelhantes aos adultos e começam a se dispersar, tornando o manejo mais desafiador.

  • Hospedeiros Alternativos: A presença de plantas daninhas e culturas subsequentes (ponte verde) permite que os percevejos sobrevivam e se reproduzam na área, mantendo a pressão populacional alta para a próxima safra.

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