O que é Manejo De Pragas Na Cana

O manejo de pragas na cana-de-açúcar consiste na aplicação estratégica e integrada de diferentes métodos de controle para manter as populações de insetos nocivos abaixo do nível de dano econômico. No cenário agrícola brasileiro, onde a cultura ocupa milhões de hectares e é vital para a produção de açúcar e etanol, esse manejo é fundamental para evitar perdas severas de produtividade agrícola (toneladas de cana por hectare) e industrial (qualidade do caldo e teor de sacarose). O foco principal recai sobre pragas-chave, como a broca-da-cana (Diatraea saccharalis), que afetam diretamente a sanidade dos colmos.

Diferente de outras culturas onde o controle químico é predominante, o manejo na cana-de-açúcar no Brasil destaca-se pelo uso intensivo e bem-sucedido do Manejo Integrado de Pragas (MIP), com forte ênfase no controle biológico. Isso ocorre porque muitas pragas, como a broca, alojam-se no interior do colmo, protegidas da ação de pulverizações convencionais. Portanto, o manejo eficiente exige monitoramento constante e o uso de inimigos naturais, como a microvespa Cotesia flavipes, que consegue parasitar a praga onde os inseticidas muitas vezes não alcançam.

Além de combater o inseto em si, o manejo visa prevenir os danos indiretos causados pelas infestações. As galerias abertas pelas pragas servem de porta de entrada para fungos e bactérias, que causam a podridão vermelha e invertem a sacarose, prejudicando a fermentação industrial. Assim, o manejo de pragas na cana não é apenas uma questão de eliminar insetos, mas de preservar a qualidade da matéria-prima entregue à usina, garantindo a sustentabilidade econômica e ambiental da lavoura.

Principais Características

  • Adoção do Manejo Integrado de Pragas (MIP): Prioriza a harmonização de métodos biológicos, culturais e químicos, utilizando o controle químico apenas quando estritamente necessário e de forma seletiva para não eliminar inimigos naturais.

  • Predominância do Controle Biológico: Utilização massiva de macrobiológicos, como a vespa Cotesia flavipes (parasitoide larval) e o Trichogramma galloi (parasitoide de ovos), produzidos em biofábricas para combater a broca-da-cana.

  • Monitoramento e Amostragem: Realização de levantamentos populacionais frequentes nos talhões para identificar a intensidade da infestação (índice de intensidade de infestação) e determinar o momento exato da intervenção.

  • Dificuldade de Acesso do Controle Químico: Caracteriza-se pelo desafio de atingir pragas que possuem hábito broqueador, ou seja, que passam a maior parte do ciclo de vida protegidas dentro do colmo da planta.

  • Impacto na Qualidade Industrial: O manejo está diretamente ligado ao rendimento industrial, pois pragas não controladas reduzem o ATR (Açúcar Total Recuperável) e contaminam o caldo, dificultando a produção de açúcar e álcool.

Importante Saber

  • Identificação de Sintomas: É crucial reconhecer os sinais de ataque no campo, como perfurações externas nos colmos, presença de serragem (frass) na entrada dos furos, colmos quebrados, coração morto e enraizamento aéreo.

  • Janela de Controle: Para pragas como a broca, o controle químico só é eficiente se atingir as lagartas antes que elas penetrem no colmo; após a entrada, o controle biológico torna-se a ferramenta mais eficaz.

  • Danos Indiretos: Lembre-se que o prejuízo vai além da perda de biomassa; as lesões causadas por pragas facilitam a infecção por microrganismos que causam a podridão vermelha e fusariose, elevando a acidez e a formação de gomas no caldo.

  • Preservação de Inimigos Naturais: O uso indiscriminado de inseticidas de amplo espectro pode causar desequilíbrio ecológico, eliminando predadores e parasitoides naturais que ajudam a manter a população de pragas sob controle gratuitamente.

  • Planejamento de Liberação: A eficácia do controle biológico depende de fatores climáticos e logísticos; a liberação das vespas deve ser feita em horários adequados e com a quantidade correta de parasitoides por hectare, baseada no nível de infestação monitorado.

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