Renovação do Canavial: O Guia Completo para Aumentar sua Produtividade
A renovação do canavial é um investimento. Saiba quando e como planejar essa operação para recuperar a produtividade e o lucro da sua lavoura.
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O Manejo de Soqueira refere-se ao conjunto de práticas agronômicas realizadas na lavoura de cana-de-açúcar imediatamente após a colheita (corte), visando preparar a cultura para o próximo ciclo vegetativo. Como a cana é uma cultura semi-perene, um único plantio sustenta de cinco a sete cortes anuais. A “soca” é a parte basal da planta e o sistema radicular que permanecem no solo após o corte dos colmos. O manejo adequado dessa estrutura é determinante para estimular a rebrota, garantir o perfilhamento vigoroso e manter a produtividade do canavial ao longo dos anos, postergando a necessidade de renovação da área.
No contexto do agronegócio brasileiro, onde a colheita é predominantemente mecanizada, o manejo de soqueira assume um papel crítico para mitigar os danos causados pelo tráfego de máquinas pesadas e pela compactação do solo. As operações incluem desde o cultivo mecânico (descompactação e corte de raízes antigas) até a aplicação de fertilizantes e defensivos. O objetivo central é criar condições físicas, químicas e biológicas favoráveis para que a planta expresse seu potencial produtivo novamente, recuperando-se do estresse da colheita e enfrentando a competição com plantas daninhas e o ataque de pragas específicas desse estágio.
Operação Pós-Colheita: As atividades devem ser iniciadas o mais breve possível após a retirada da cana, aproveitando a umidade residual do solo e evitando a matocompetição precoce.
Cultivo Mecânico: Utilização de implementos como o cultivador de soqueiras, que realiza o corte das raízes velhas (poda radicular) para estimular a emissão de novas raízes e a aeração do solo nas entrelinhas.
Adubação Específica: Foco na reposição nutricional, principalmente de Nitrogênio e Potássio, essenciais para o desenvolvimento vegetativo da rebrota, muitas vezes aplicada de forma localizada sobre a linha da cana.
Manejo da Palhada: Gestão dos resíduos vegetais deixados pela colheita mecanizada, que servem como cobertura morta para retenção de umidade e controle de erosão, mas que podem exigir afastamento da linha (enleiramento) em regiões mais frias ou úmidas para favorecer a brotação.
Controle Fitossanitário: Aplicação direcionada de herbicidas e inseticidas para controle de pragas que se alojam na base da planta ou sob a palha, como a cigarrinha-das-raízes e o Sphenophorus levis.
Impacto do Pisoteio: O tráfego desordenado de colhedoras e transbordos sobre a linha da cana (pisoteio da soqueira) é uma das principais causas de falhas na brotação e redução da vida útil do canavial, exigindo uso de piloto automático e bitolas ajustadas.
Monitoramento de Falhas: A presença de falhas (espaços sem cana) na soqueira é um indicativo direto da qualidade do manejo anterior e da colheita; o aumento progressivo dessas falhas é o principal fator que leva à decisão de renovação do canavial.
Diferença de Manejo (Seca x Chuva): As estratégias de manejo de soqueira diferem significativamente dependendo da época de colheita (início, meio ou fim de safra), ajustando-se as doses de fertilizantes e o tipo de herbicida à umidade disponível no solo.
Pragas de Solo: A soqueira é o habitat preferencial para pragas de difícil controle, como o bicudo-da-cana (Sphenophorus levis); o manejo de soqueira é o momento ideal para a aplicação de inseticidas sistêmicos ou biológicos visando a redução populacional dessas pragas.
Custo-Benefício: Um manejo de soqueira bem executado é economicamente mais vantajoso do que a reforma precoce, pois dilui o alto custo de implantação do canavial (CCT
Custo de Corte, Transbordo e Transporte) por um maior número de safras produtivas.
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