Guia Prático: Principais Doenças dos Citros e Como Fazer o Controle
Doenças dos citros: prevenção e correto diagnóstico são as chaves para um pomar saudável e produtivo. Confira agora e saiba mais!
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A melanose é uma doença fúngica de grande relevância econômica na citricultura brasileira, causada pelo fungo Phomopsis citri (fase assexuada) ou Diaporthe citri (fase sexuada). Embora não cause o apodrecimento da polpa ou alterações no sabor interno do fruto, a doença afeta severamente a aparência externa da casca. Para o produtor rural, isso representa um desafio significativo, especialmente para aqueles que destinam sua produção ao mercado de frutas frescas (fruta de mesa), onde a estética é um critério determinante para a precificação e aceitação do produto.
O fungo responsável pela melanose possui uma característica saprofítica marcante, o que significa que ele sobrevive e se multiplica em tecidos mortos, como ramos secos presentes na copa da planta ou no chão do pomar. É a partir desses reservatórios de inóculo que, sob condições de alta umidade e chuva, os esporos são liberados e atingem os tecidos jovens (frutos e folhas), causando a infecção. No contexto do agronegócio brasileiro, onde o clima tropical favorece a umidade, o controle dessa enfermidade exige atenção constante durante as fases críticas de desenvolvimento dos frutos.
Ainda que os danos sejam superficiais, a presença de melanose em alta severidade pode comprometer a fotossíntese em folhas muito atacadas e levar à depreciação total do valor comercial da fruta in natura. Para a indústria de suco, a tolerância é maior, mas o manejo continua sendo necessário para evitar o aumento excessivo do inóculo no pomar, o que poderia dificultar o controle de outras doenças ou reduzir o vigor geral das plantas ao longo do tempo.
Agente Causal: A doença é provocada pelo fungo Phomopsis citri, que se desenvolve colonizando ramos secos e mortos na planta, utilizando-os como base para a produção de esporos que infectarão os tecidos vivos.
Sintomas nos Frutos: Manifesta-se através de pequenas lesões escuras, salientes e superficiais na casca. Quando a infecção é severa, essas lesões coalescem (se unem), formando crostas ásperas e extensas, muitas vezes com um padrão de escorrimento conhecido como “mancha de lágrima”.
Textura das Lesões: Ao passar a mão sobre um fruto afetado, é possível sentir uma textura áspera, semelhante a uma lixa, devido às pústulas formadas pela reação da planta à infecção fúngica.
Sintomas nas Folhas: Nas folhas, a doença apresenta-se como pequenos pontos marrons, levemente elevados, que geralmente são circundados por um halo amarelado, podendo causar deformações se a infecção ocorrer em folhas muito jovens.
Dependência de Umidade: A disseminação dos esporos (conídios) depende diretamente da água da chuva ou irrigação, que lava os esporos dos ramos secos e os transporta para os frutos e folhas localizados abaixo.
Foco no Mercado de Mesa: O controle rigoroso da melanose é mandatório para pomares voltados à venda de frutas in natura, pois a presença das manchas desvaloriza drasticamente o produto, muitas vezes impedindo a exportação ou a venda para mercados exigentes.
Manejo Cultural Essencial: A aplicação de fungicidas isoladamente é menos eficaz se não houver a remoção das fontes de inóculo. A poda de limpeza (retirada de ramos secos e mortos) é uma prática fundamental para reduzir a pressão da doença no pomar.
Momento Crítico de Controle: Os frutos são mais suscetíveis à infecção nos estágios iniciais de desenvolvimento, logo após a queda das pétalas até atingirem cerca de 6 a 7 cm de diâmetro. A proteção química deve ser concentrada nesse período.
Uso de Cúpricos: O controle químico é frequentemente realizado com fungicidas à base de cobre (como hidróxido de cobre). É vital respeitar as doses e intervalos recomendados para evitar fitotoxidez, especialmente em dias muito quentes ou na floração.
Diferenciação de Doenças: É importante não confundir a melanose com a Pinta Preta ou a Verrugose, embora todas afetem a casca. A melanose caracteriza-se pela aspereza ao tato (“lixa”) e pelas manchas em forma de escorrimento, diferentemente das lesões deprimidas ou colorações específicas de outras patologias.
Resistência Varietal: A maioria das variedades comerciais de citros cultivadas no Brasil é suscetível à melanose, o que reforça a necessidade de um manejo integrado que combine práticas culturais e controle químico preventivo.
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