Plantas Tiguera: O que são e por que ameaçam sua lavoura?
Planta tiguera: As principais recomendações de manejo para lidar com essas plantas que atrapalham a produção.
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O milho tiguera na soja, também conhecido popularmente como milho voluntário ou guaxo, refere-se à ocorrência de plantas de milho que germinam e se desenvolvem involuntariamente em meio a uma lavoura de soja. Este fenômeno é uma consequência direta do sistema de produção intensivo adotado no Brasil, caracterizado pela sucessão de culturas (como o plantio de soja no verão seguido de milho safrinha). Durante a colheita do milho da safra anterior, perdas naturais ou mecânicas depositam grãos, pedaços de espigas ou espigas inteiras no solo, que se tornam sementes para o ciclo seguinte, competindo diretamente com a cultura implantada.
Embora possa parecer inofensivo ter uma planta cultivada nascendo em meio a outra, o milho tiguera atua como uma planta daninha extremamente agressiva. Por ser uma planta C4 (com alta eficiência fotossintética), o milho possui uma taxa de crescimento superior à da soja (planta C3), competindo vigorosamente por água, luz e nutrientes. Além da competição por recursos, a presença dessas plantas interfere na eficiência da colheita da soja e deprecia a qualidade dos grãos colhidos devido à presença de impurezas e umidade desigual.
O problema se agravou significativamente com a adoção massiva de tecnologias de resistência a herbicidas, como a soja e o milho Roundup Ready (RR). Anteriormente, o controle era realizado facilmente com o uso de glifosato. No entanto, quando se cultiva soja tolerante ao glifosato sobre uma área que tinha milho também tolerante a esse herbicida, o controle químico torna-se complexo, pois o produto utilizado para limpar a lavoura de soja não afeta o milho voluntário, exigindo estratégias de manejo específicas e o uso de outros mecanismos de ação herbicida.
Origem dos Propágulos: As plantas podem se originar de grãos individuais perdidos na colheita ou de espigas inteiras/pedaços de ráquis, sendo que estas últimas formam touceiras de difícil controle.
Fluxos de Germinação: Ocorre em múltiplos fluxos; grãos soltos tendem a germinar mais rapidamente, enquanto sementes em espigas podem germinar mais tarde, dificultando o posicionamento único de herbicidas.
Alta Competitividade: O milho tiguera sombreia rapidamente a soja, reduzindo a taxa fotossintética da cultura principal e causando estiolamento das plantas de soja.
Resistência Genética: A maioria das ocorrências atuais envolve milho com biotecnologia de resistência a herbicidas (como glifosato ou glufosinato), o que anula a eficácia dos dessecantes mais comuns.
Hospedeiro de Pragas: Atua como uma “ponte verde”, servindo de abrigo e alimento para pragas como a cigarrinha-do-milho (Dalbulus maidis) e percevejos durante a entressafra, perpetuando doenças como os enfezamentos para a próxima safra de milho.
Impacto na Produtividade: Estudos indicam que a presença de apenas uma planta de milho por metro quadrado pode reduzir a produtividade da soja em cerca de 17%, podendo chegar a perdas de até 70% em altas densidades.
Controle Químico Específico: Para o controle em pós-emergência na soja, é necessário utilizar graminicidas inibidores da enzima ACCase (como cletodim, setoxidim, fluazifope e haloxifope), já que o glifosato não será efetivo em milhos RR.
Estádio Ideal de Controle: A eficiência dos herbicidas é significativamente maior quando aplicados em plantas de milho pequenas, preferencialmente até o estádio V2 ou V3 (duas a três folhas).
Manejo de Touceiras: Plantas originadas de espigas (touceiras) possuem maior reserva energética e capacidade de rebrota, exigindo doses mais elevadas de herbicidas ou aplicações sequenciais para um controle efetivo.
Cuidado com Antagonismo: A mistura de graminicidas com herbicidas latifolicidas (para folhas largas) ou glifosato no mesmo tanque pode reduzir a eficácia do controle do milho tiguera, fenômeno conhecido como antagonismo, exigindo atenção às recomendações agronômicas de intervalo entre aplicações.
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