O que é Mosaico Dourado

O Mosaico Dourado do Feijoeiro é uma enfermidade de origem viral, causada pelo Bean Golden Mosaic Virus (BGMV), considerada a virose de maior importância econômica para a cultura do feijão no Brasil e na América Latina. A doença é transmitida de forma persistente e circulativa pela mosca-branca (Bemisia tabaci), um inseto-vetor que, ao se alimentar da seiva de plantas infectadas, adquire o vírus e o dissemina para plantas sadias. Devido à alta eficiência de transmissão pelo vetor e à agressividade do patógeno, o Mosaico Dourado tem potencial para inviabilizar lavouras inteiras, tornando-se um fator limitante para a produção em diversas regiões agrícolas.

A incidência e a severidade da doença variam conforme a época de plantio, sendo historicamente mais agressiva na segunda safra (safra da seca) e na terceira safra (inverno). Isso ocorre porque as condições climáticas desses períodos, muitas vezes mais secas e quentes, favorecem a multiplicação e a dispersão da mosca-branca. Quando a infecção ocorre nos estágios iniciais de desenvolvimento vegetativo do feijoeiro, as perdas na produtividade podem ser totais, uma vez que a planta perde sua capacidade fotossintética e reprodutiva.

O manejo do Mosaico Dourado é complexo, pois não existem defensivos químicos capazes de curar a planta após a infecção viral. A estratégia de controle deve ser preventiva e integrada, focando na redução da população do vetor e na utilização de genética resistente. O impacto econômico vai além da redução de volume colhido; a doença afeta drasticamente a qualidade dos grãos, resultando em produtos deformados e de baixo valor comercial, o que exige do produtor um monitoramento rigoroso e adoção de tecnologias de proteção.

Principais Características

  • Apresenta como sintoma típico um mosaico de coloração amarelo-ouro intenso, que geralmente se inicia nas folhas mais novas e pode cobrir toda a superfície foliar com a evolução da infecção.

  • Causa redução significativa no crescimento da planta (nanismo), devido ao encurtamento dos internódios, afetando o porte e a estrutura do feijoeiro.

  • Provoca o superbrotamento, caracterizado pela emissão excessiva de brotos laterais improdutivos, dando à planta um aspecto arbustivo desordenado.

  • Gera deformações severas nas folhas, que ficam enrugadas (encarquilhadas) e com aspecto mosqueado, diminuindo drasticamente a área fotossintética ativa.

  • Resulta na má formação de vagens e grãos, que se tornam retorcidos, chochos e descoloridos, comprometendo a classificação final do produto.

  • A transmissão ocorre exclusivamente pelo vetor (mosca-branca) ou por enxertia, não sendo transmitida mecanicamente por contato ou através das sementes.

Importante Saber

  • O momento da infecção é crítico: plantas infectadas logo após a emergência ou antes da floração sofrem os maiores danos, com perdas que podem chegar a 100% da produção.

  • A utilização de cultivares resistentes ou tolerantes ao vírus BGMV é considerada a medida de controle mais eficiente, reduzindo a dependência do controle químico do vetor.

  • O cumprimento do Vazio Sanitário é uma medida legislativa e técnica obrigatória em muitas regiões, essencial para quebrar o ciclo do vírus e diminuir a população da mosca-branca na entressafra.

  • O controle químico deve ser direcionado exclusivamente ao inseto-vetor, exigindo rotação de princípios ativos para evitar a seleção de populações de mosca-branca resistentes aos inseticidas.

  • A eliminação de plantas voluntárias (tigueras) de feijão e de outras hospedeiras do vírus na área e nas bordaduras é vital para remover fontes de inóculo antes do novo plantio.

  • O manejo integrado deve considerar a época de semeadura, evitando janelas de plantio onde há histórico de alta pressão populacional de mosca-branca na região.

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