O que é Nematoide Do Cisto Da Soja

O Nematoide do Cisto da Soja (Heterodera glycines) é considerado um dos patógenos mais severos e economicamente impactantes para a sojicultura brasileira e mundial. Trata-se de um verme microscópico que parasita o sistema radicular da planta, comprometendo significativamente a absorção de água e nutrientes. É frequentemente chamado de “inimigo silencioso”, pois seus sintomas na parte aérea — como amarelamento e porte reduzido — podem ser facilmente confundidos com deficiências nutricionais, compactação do solo ou estresse hídrico, o que muitas vezes atrasa o diagnóstico correto e permite o aumento da infestação.

A principal característica biológica que torna este nematoide um desafio complexo é a formação do cisto: o corpo da fêmea morta endurece e se transforma em uma estrutura de proteção extremamente resistente, capaz de abrigar centenas de ovos no solo por longos períodos, mesmo na ausência da cultura hospedeira. Além disso, o patógeno apresenta alta variabilidade genética, dividindo-se em diferentes “raças” fisiológicas. No Brasil, já foram identificadas mais de 11 raças, sendo que algumas populações conseguem quebrar a resistência de cultivares que funcionavam anteriormente, exigindo um monitoramento constante por parte do produtor.

O manejo deste parasita não visa a erradicação total, que é tecnicamente inviável em grandes áreas, mas sim a convivência em níveis populacionais baixos que não causem dano econômico. Para isso, a estratégia fundamental baseia-se na rotação de culturas com espécies não hospedeiras e no uso de variedades de soja com resistência genética específica para as raças presentes na lavoura. Sem essas medidas, as perdas de produtividade podem ser drásticas, inviabilizando o cultivo da oleaginosa em talhões altamente infestados.

Principais Características

  • Formação de Cistos: As fêmeas adultas adquirem um formato de limão e coloração branca ou amarelada, fixando-se nas raízes, sendo estas estruturas visíveis a olho nu e servindo como reserva de ovos.

  • Variabilidade de Raças: O nematoide possui diversas raças fisiológicas (como 1, 3, 4, 5, 14, entre outras), o que significa que uma população pode atacar uma cultivar resistente enquanto outra população não consegue.

  • Sintomas em Reboleiras: No campo, o ataque geralmente se manifesta em manchas ou “reboleiras” de plantas com desenvolvimento comprometido, clorose (amarelecimento) e vagens menores.

  • Mecanismo de Hipersensibilidade: Cultivares resistentes reagem ao ataque necrosando as células ao redor do nematoide, impedindo sua alimentação e reprodução.

  • Alta Sobrevivência: Os cistos protegem os ovos contra dessecação e condições adversas, permitindo a sobrevivência do inóculo no solo de uma safra para outra.

Importante Saber

  • Rotação com Não Hospedeiros: A rotação de culturas é vital para reduzir a população do nematoide. A canola é uma excelente opção para o inverno, pois não hospeda o nematoide do cisto, quebrando seu ciclo reprodutivo.

  • Intervalo de Plantio (Canola-Soja): Ao utilizar canola na rotação para controle do nematoide, é crucial respeitar um intervalo de pelo menos 20 dias entre a colheita da canola e a semeadura da soja para evitar efeitos alelopáticos que prejudicam a germinação.

  • Análise Laboratorial: A identificação visual dos sintomas não é suficiente para determinar a raça do nematoide. É indispensável realizar a análise nematológica de solo e raízes em laboratório para escolher a cultivar de soja correta.

  • Disseminação por Máquinas: O nematoide se espalha facilmente através de partículas de solo aderidas a pneus de tratores e implementos agrícolas. A limpeza do maquinário ao mudar de talhão é uma medida preventiva importante.

  • Limitações da Resistência: Não existe uma cultivar de soja resistente a todas as raças do nematoide. O uso contínuo da mesma fonte de resistência pode selecionar raças capazes de parasitar aquela variedade, tornando o manejo ineficaz a longo prazo.

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