Percevejos no Milho: Guia Completo de Identificação e Manejo
Percevejo no milho: veja quais são as principais espécies, os danos causados, as fases mais críticas e como fazer um controle assertivo
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Ler o Guia Principal sobre Percevejo no Milho →O termo “percevejo no milho” refere-se à incidência de um complexo de pragas, majoritariamente da família Pentatomidae, que ataca a cultura do milho em diferentes estágios de desenvolvimento, sendo particularmente destrutivo nas fases iniciais. No cenário agrícola brasileiro, este problema é agravado pelo sistema de produção intensivo, especialmente na sucessão soja-milho (safrinha). Os insetos, muitas vezes remanescentes da cultura anterior ou de plantas daninhas hospedeiras, migram para as plântulas de milho recém-emergidas, estabelecendo o que se conhece como “ponte verde”.
A ação danosa desses insetos ocorre através da introdução do estilete no colmo da planta para sucção de seiva. Durante a alimentação, os percevejos injetam toxinas enzimáticas que causam necrose nos tecidos e distúrbios fisiológicos severos. O resultado mais visível é o travamento do desenvolvimento das folhas centrais, sintoma popularmente conhecido como “encharutamento” ou “milho dominado”, que pode levar à morte da planta ou à formação de espigas improdutivas.
A importância econômica desta praga tem crescido substancialmente, tornando-se um dos principais fatores limitantes de produtividade no Brasil. Diferente de pragas desfolhadoras, o dano do percevejo é muitas vezes irreversível se ocorrer nos estágios fenológicos iniciais (V1 a V5). A severidade do ataque pode obrigar o produtor a realizar o replantio da área, gerando custos adicionais elevados e perda da janela ideal de cultivo, o que exige um monitoramento rigoroso e estratégias de manejo preventivo.
Espécies Predominantes: O complexo é formado principalmente pelo percevejo-barriga-verde (Dichelops melacanthus e D. furcatus), que é o mais agressivo ao milho, seguido pelo percevejo-marrom (Euschistus heros) e, em menor escala, o percevejo-verde (Nezara viridula).
Mecanismo de Dano: O inseto perfura a base da planta (colo) para se alimentar; as toxinas injetadas desorganizam as células, resultando em folhas com furos transversais simétricos e bordas amareladas quando se expandem.
Hábito Polífago: Estes insetos são generalistas e sobrevivem em diversas plantas hospedeiras, incluindo soja, trigo, trapoeraba e capim-pé-de-galinha, o que facilita sua permanência na área durante o ano todo.
Sintoma de “Charuto”: As folhas internas da planta atacada não conseguem se desenrolar corretamente devido às lesões e necroses, ficando presas umas às outras e deformando a arquitetura da planta.
Perfil Comportamental: O percevejo-barriga-verde tende a se abrigar sob a palhada ou torrões de terra durante as horas mais quentes do dia, dificultando a visualização e o contato com defensivos aplicados via pulverização.
Janela Crítica de Proteção: O período de maior vulnerabilidade da cultura vai da emergência até o estágio V5 (cinco folhas); danos ocorridos nesta fase comprometem diretamente o estande e o potencial produtivo da espiga.
Monitoramento Prévio: A vistoria deve começar antes mesmo do plantio do milho, ainda na cultura antecessora (geralmente soja) ou na dessecação, para identificar a pressão populacional e planejar o tratamento de sementes adequado.
Dificuldade de Controle Curativo: Após o fechamento do cartucho do milho, o controle químico torna-se menos eficiente, pois o alvo (o inseto) fica protegido dentro das folhas enroladas ou na base da planta, sob a palhada.
Tratamento de Sementes: É considerado uma das ferramentas mais eficazes no Manejo Integrado de Pragas (MIP) para esta cultura, oferecendo proteção inicial logo após a emergência, quando a planta é mais suscetível às toxinas.
Manejo de Plantas Daninhas: O controle eficaz de ervas daninhas na entressafra é fundamental para quebrar o ciclo da praga, eliminando abrigos e fontes de alimento alternativas que sustentam a população de percevejos até o plantio do milho.
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