Colheita de Milho: Como Reduzir Perdas e Aumentar Produtividade
Colheita de milho: maturação fisiológica do grão, umidade ideal, regulagem de maquinários e outros cuidados que fazem a diferença.
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As perdas na colheita de milho referem-se à diferença quantitativa e qualitativa entre a produtividade biológica existente na lavoura no momento da maturação fisiológica e a quantidade de grãos efetivamente recolhida e armazenada. No contexto do agronegócio brasileiro, onde o milho é cultivado em duas safras principais (verão e safrinha), essas perdas representam um gargalo significativo na rentabilidade do produtor, podendo ocorrer tanto por fatores naturais antes da entrada do maquinário quanto por ineficiências mecânicas durante a operação de colheita.
O processo de perda é categorizado em diferentes etapas. As perdas pré-colheita envolvem espigas caídas ou plantas acamadas devido a ventos, pragas ou doenças do colmo. Já as perdas na colheita propriamente dita estão diretamente ligadas à interação da colhedora com a planta, incluindo falhas na plataforma de corte (onde ocorre a maior parte do desperdício), na trilha, na separação e na limpeza dos grãos. Além do volume físico deixado no campo, considera-se também a perda qualitativa, caracterizada por grãos quebrados, trincados ou com excesso de impurezas, o que deprecia o valor comercial do produto final e dificulta o armazenamento seguro.
Para o agrônomo e o produtor rural, o gerenciamento dessas perdas é uma questão de ajuste fino entre a fisiologia da planta e a tecnologia da máquina. O objetivo não é apenas recolher o máximo de espigas, mas fazê-lo no momento correto de umidade e com a regulagem adequada do equipamento. Estima-se que, sem o devido monitoramento, as perdas podem ultrapassar facilmente os níveis de tolerância econômica, transformando uma safra de alta produtividade agronômica em um resultado financeiro mediano.
Origem na Plataforma de Corte: Estatisticamente, a maior parte das perdas mecânicas (cerca de 80% a 85%) ocorre na plataforma da colhedora, devido ao choque das espigas com os separadores, velocidade excessiva de avanço ou má sincronização das correntes recolhedoras.
Influência da Umidade: O teor de água nos grãos é determinante; colheitas realizadas com umidade muito alta tendem a aumentar a incidência de grãos amassados e “grãos passantes” na trilha, enquanto a colheita muito seca favorece a debulha natural e quebra na plataforma.
Perdas por Processamento Interno: Envolvem grãos que não foram devidamente separados do sabugo (perdas no cilindro/rotor) ou grãos soltos que são descartados junto com a palha pelo sistema de ventilação e peneiras (perdas na limpeza).
Danos Mecânicos (Qualitativos): Caracterizam-se por fissuras e quebras no pericarpo do grão, causadas principalmente por rotações inadequadas do cilindro ou côncavo muito fechado, facilitando a entrada de fungos e insetos no armazenamento.
Fatores Pré-Colheita: Incluem o acamamento e quebramento de plantas, muitas vezes associados à escolha do híbrido, adubação desequilibrada ou atraso no início da colheita, o que expõe a lavoura a intempéries por mais tempo.
Monitoramento Constante: É fundamental realizar a metodologia do “copo medidor” ou armações de área conhecida (ex: 2m²) periodicamente durante a operação para quantificar as perdas e ajustar a máquina em tempo real.
Níveis de Tolerância: Embora o objetivo seja zero perdas, tecnicamente aceita-se um limite de perdas totais em torno de 1 a 1,5 sacas por hectare (ou cerca de 1% a 1,5% da produtividade) como economicamente viável; acima disso, a regulagem é mandatória.
Regulagem Dinâmica: As configurações da colhedora (abertura do côncavo, rotação do cilindro, velocidade do ventilador) não são fixas; elas devem ser ajustadas ao longo do dia conforme a variação da temperatura e da umidade relativa do ar altera a condição da palha e do grão.
Velocidade de Avanço: A pressa é inimiga da eficiência; velocidades de colheita acima do recomendado para a capacidade de processamento da máquina aumentam exponencialmente as perdas na plataforma e sobrecarregam o sistema de separação.
Ponto de Maturação: O início ideal da colheita ocorre após a maturação fisiológica (camada preta), geralmente quando a umidade atinge níveis próximos a 18-25% para secagem artificial, ou 13-15% para armazenamento direto, equilibrando custos de secagem com riscos de perdas no campo.
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