Colheita de Trigo: Guia Completo para Evitar Perdas e Maximizar a Produtividade
Colheita do trigo: saiba como programar, organizar e evitar problemas até na pós-colheita
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As perdas na colheita de trigo referem-se à redução quantitativa e qualitativa dos grãos durante a etapa final do ciclo produtivo, impactando diretamente a rentabilidade do produtor e a qualidade industrial do cereal. No cenário agrícola brasileiro, essas perdas são classificadas majoritariamente em duas categorias: climáticas e técnicas. As perdas climáticas envolvem fatores incontroláveis, como geadas tardias, chuvas excessivas ou granizo, que podem causar o acamamento das plantas, a debulha natural ou a germinação na espiga. Já as perdas técnicas estão associadas ao manejo operacional, especificamente à regulagem inadequada das colheitadeiras e à falta de sincronização entre o ciclo da cultivar e a janela de colheita.
A gestão dessas perdas começa muito antes da entrada do maquinário no campo, iniciando-se no planejamento do plantio e na escolha da cultivar (ciclo curto, médio ou longo) para evitar que a maturação coincida com períodos de risco climático severo. Uma colheita eficiente busca não apenas recolher o máximo volume de grãos, mas preservar a integridade física e fisiológica do trigo, garantindo que o produto final atenda aos padrões exigidos pela indústria de moagem e panificação.
Influência Climática: A ocorrência de geadas na fase de enchimento de grãos ou chuvas frequentes na maturação são características marcantes que elevam as perdas, podendo causar a germinação pré-colheita (brotamento na espiga) devido à combinação de umidade e calor.
Desafios Mecânicos: As perdas mecânicas ocorrem principalmente na plataforma de corte (falha no recolhimento), na trilha (grãos não debulhados) e na separação/limpeza (grãos jogados fora com a palha), exigindo ajustes finos nos componentes da máquina.
Janela de Umidade: A colheita do trigo possui uma janela ideal de umidade dos grãos, geralmente iniciando-se entre 16% e 18% e finalizando próximo a 13%, o que exige monitoramento constante para evitar a quebra mecânica de grãos muito secos ou o “embuchamento” da máquina com grãos úmidos.
Acamamento de Plantas: Ventos fortes e tempestades podem derrubar as plantas (acamamento), tornando o recolhimento pela plataforma de corte extremamente difícil e aumentando significativamente o índice de perdas na lavoura.
Velocidade de Operação: A velocidade de deslocamento da colheitadeira é um fator crítico para minimizar perdas; recomenda-se trabalhar entre 5 km/h e 8 km/h para garantir que o sistema de trilha e separação consiga processar a massa colhida eficientemente.
Regulagens do Sistema de Trilha: É fundamental ajustar a rotação do cilindro e a abertura do côncavo de acordo com a umidade do grão e a facilidade de debulha da cultivar, evitando tanto a quebra de grãos (excesso de agressividade) quanto a perda de grãos na palha (falta de agressividade).
Monitoramento Meteorológico: O acompanhamento de previsões climáticas é essencial para antecipar a colheita em caso de risco de chuvas fortes ou geadas, prevenindo a deterioração da qualidade do grão no campo.
Altura de Corte: A regulagem da altura da plataforma de corte deve ser precisa para capturar todas as espigas, inclusive as de plantas mais baixas ou parcialmente acamadas, sem levar excesso de palhada para dentro da máquina, o que sobrecarregaria o sistema de separação.
Sincronização do Plantio: O planejamento deve considerar o ciclo da cultivar (de 100 a 170 dias) para que a colheita não atrase o plantio da cultura sucessora e ocorra fora dos picos de intempéries climáticas regionais.
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