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O que é Pragas Do Arroz

As pragas do arroz compreendem um complexo de insetos e organismos que afetam a cultura da Oryza sativa em seus diferentes estágios fenológicos, desde a emergência das plântulas até a maturação dos grãos. No contexto do agronegócio brasileiro, onde a cultura ocupa mais de 1,6 milhões de hectares — com predominância do sistema irrigado na região Sul —, o manejo desses agentes é decisivo para a viabilidade econômica da lavoura. Estas pragas podem ser classificadas de acordo com o local de ataque (raiz, colmo, folha ou panícula) e o hábito alimentar (mastigadores ou sugadores).

A presença desses insetos impacta diretamente a produtividade agrícola e a qualidade industrial do grão. Como o arroz é um cereal consumido diretamente após o beneficiamento, danos físicos causados por pragas como percevejos ou lagartas podem depreciar o valor comercial do produto final, além de reduzir o volume colhido. O controle ineficiente pode levar a perdas severas, exigindo do produtor um conhecimento técnico aprofundado para a correta identificação taxonômica e a tomada de decisão baseada em níveis de controle preestabelecidos.

No sistema de cultivo irrigado, a dinâmica populacional dessas pragas é influenciada pela lâmina de água e pelo manejo da resteva. Pragas como o gorgulho-aquático (Oryzophagus oryzae) adaptaram-se a esse ambiente, atacando o sistema radicular submerso, enquanto outras, como a lagarta-da-panícula, atacam a parte aérea na fase reprodutiva. O entendimento do ciclo biológico de cada espécie é fundamental para a implementação do Manejo Integrado de Pragas (MIP).

Principais Características

  • Ataque ao Sistema Radicular: No arroz irrigado, destaca-se o gorgulho-aquático (bicheira-do-arroz), cujas larvas se alimentam das raízes, causando amarelamento e redução do porte da planta, com picos populacionais ocorrendo após a entrada da água.

  • Danos nos Colmos e Folhas: Insetos como o percevejo-do-colmo (Tibraca limbativentris) perfuram a base da planta para sugar a seiva, provocando o sintoma conhecido como “coração morto”, que inviabiliza a produção da panícula naquele perfilho.

  • Perdas na Fase Reprodutiva: Lagartas como a Pseudaletia sequax atacam diretamente a panícula, cortando o pedúnculo e causando a queda dos grãos no solo, o que gera perdas quantitativas imediatas próximo à colheita.

  • Hábitos Noturnos e Hibernação: Muitas dessas pragas, como as lagartas-da-panícula, possuem atividade noturna, escondendo-se na base da planta durante o dia. Além disso, adultos de certas espécies hibernam na resteva ou vegetação adjacente durante o inverno.

  • Sazonalidade das Gerações: O ciclo das pragas está atrelado ao desenvolvimento da cultura e às condições climáticas, com gerações específicas surgindo em intervalos previsíveis (ex: larvas de bicheira surgindo 20 e 70 dias após a emergência/irrigação).

Importante Saber

  • Monitoramento Rigoroso: A vistoria da lavoura deve ser constante e técnica. Para a bicheira-do-arroz, o monitoramento deve iniciar cerca de 20 dias após a inundação, observando o nível de dano econômico (ex: cinco larvas por amostra).

  • Horário de Inspeção: Devido aos hábitos noturnos de pragas como a lagarta-da-panícula, as vistorias são mais eficientes quando realizadas ao entardecer, momento em que as lagartas sobem para se alimentar.

  • Sintomas Visuais: É crucial saber identificar os sinais de ataque antes de ver o inseto. Cicatrizes brancas longitudinais nas folhas indicam adultos de gorgulho, enquanto panículas brancas ou secas podem indicar ataque de percevejos ou brocas no colmo.

  • Manejo de Entressafra: A destruição de restos culturais e o controle de plantas daninhas nas bordaduras são essenciais, pois servem de abrigo para adultos hibernantes que reinfestarão a lavoura na safra seguinte.

  • Impacto na Qualidade: Além da redução de peso, o ataque de percevejos nos grãos (como o Oebalus poecilus) causa manchas (“picada de percevejo”) e gessamento, reduzindo o rendimento de grãos inteiros no engenho e o valor de mercado.

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