O que é Pragas Do Cafeeiro

Pragas do cafeeiro referem-se ao complexo de insetos e ácaros que infestam as lavouras de café (Coffea arabica e Coffea canephora) no Brasil, causando danos econômicos significativos através da redução da produtividade e da qualidade dos grãos. No contexto da agronomia tropical, este termo abrange desde organismos que atacam a parte aérea, como folhas e frutos, até aqueles que comprometem o sistema radicular. Entre os grupos mais relevantes e desafiadores para o produtor brasileiro estão os insetos sugadores, com destaque para as cochonilhas, que se alimentam da seiva e enfraquecem a planta sistemicamente.

A incidência dessas pragas é influenciada diretamente pelas condições climáticas e pelo manejo adotado na propriedade. Insetos como as cochonilhas (ordem Hemiptera), por exemplo, utilizam um aparelho bucal do tipo picador-sugador para perfurar os tecidos vegetais e extrair nutrientes essenciais, podendo levar ao definhamento total do cafeeiro. Além do dano direto pela sucção de seiva, muitas dessas pragas abrem portas para doenças fúngicas ou transmitem viroses, agindo como vetores que amplificam os prejuízos na safra.

O controle eficiente das pragas do cafeeiro exige um entendimento profundo da biologia de cada espécie, visto que elas podem atacar em diferentes estágios fenológicos da cultura. No caso das cochonilhas, a infestação pode ocorrer desde as raízes (cochonilha-de-raiz) até as rosetas e frutos (cochonilha-branca e farinhenta). O manejo inadequado ou a identificação tardia podem resultar em perdas que, em casos severos de infestação não controlada, chegam a comprometer 100% da produção de talhões afetados.

Principais Características

  • Hábito alimentar sugador: Muitas das principais pragas, como as cochonilhas, alimentam-se da seiva elaborada, competindo diretamente com a planta por fotoassimilados e nutrientes.

  • Polifagia e adaptação: Diversas espécies não se restringem apenas ao café, podendo sobreviver em plantas daninhas ou outras culturas intercalares, o que dificulta o controle e favorece a reinfestação.

  • Ciclo de vida rápido: Em condições favoráveis, especialmente em temperaturas acima de 15°C, apresentam alta capacidade reprodutiva; uma única fêmea de cochonilha pode colocar entre 50 e 600 ovos.

  • Ocultação na planta: Pragas como a cochonilha tendem a se alojar em locais de difícil acesso para defensivos de contato, como a parte inferior das folhas, fendas no caule e no sistema radicular (subsolo).

  • Dimorfismo sexual: Em muitas espécies, machos e fêmeas possuem morfologias distintas; no caso das cochonilhas, os machos adultos geralmente são alados e menores, enquanto as fêmeas são ápteras e fixas ou pouco móveis.

Importante Saber

  • Monitoramento em períodos secos: A incidência de pragas sugadoras, como as cochonilhas, tende a ser mais severa durante estiagens e períodos secos, exigindo vistoria constante da lavoura nessas épocas.

  • Identificação visual precisa: É fundamental distinguir as famílias da praga (ex: Coccidae com carapaça vs. Pseudococcidae farinhenta), pois a morfologia e o comportamento influenciam a escolha da estratégia de controle.

  • Atenção às raízes: O diagnóstico de problemas na parte aérea (amarelecimento, queda de folhas) pode ter origem no subsolo; a verificação do sistema radicular é obrigatória para identificar cochonilhas de raiz ou outros patógenos de solo.

  • Danos indiretos: Além da perda de vigor, a excreção de substâncias açucaradas por insetos sugadores favorece o desenvolvimento de fumagina, um fungo escuro que cobre as folhas e reduz a capacidade fotossintética do cafeeiro.

  • Manejo Integrado de Pragas (MIP): O controle químico isolado muitas vezes é insuficiente ou antieconômico; a rotação de princípios ativos e a preservação de inimigos naturais são essenciais para evitar resistência e surtos secundários.

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