O que é Secagem De Trigo

A secagem de trigo é uma operação crítica na etapa de pós-colheita, cujo objetivo primordial é reduzir o teor de água dos grãos recém-colhidos para níveis seguros, permitindo o armazenamento por longos períodos sem perda de qualidade. No contexto do agronegócio brasileiro, onde a colheita muitas vezes ocorre com teores de umidade acima do ideal (entre 13% e 14%), a secagem atua como um mecanismo de estabilização biológica. Ao retirar o excesso de água, interrompe-se a atividade metabólica acelerada do grão e cria-se um ambiente desfavorável para o desenvolvimento de fungos, bactérias e a produção de micotoxinas.

Este processo deve ser precedido por uma etapa de pré-limpeza para remover impurezas, como restos culturais e torrões, o que garante uma passagem de ar mais uniforme pela massa de grãos. A secagem não é apenas uma questão de remoção de peso; é um manejo decisivo para a manutenção da qualidade industrial do trigo. Se mal executada, pode comprometer as proteínas do glúten, afetando diretamente a força da farinha e, consequentemente, o valor comercial do produto final junto aos moinhos e à indústria de panificação.

Existem diferentes métodos para realizar este procedimento, sendo os mais comuns o uso de ar aquecido e a secagem com ar natural. A escolha do método e o rigoroso controle das temperaturas empregadas são fundamentais para evitar danos físicos, como fissuras e quebras, ou danos químicos, como a desnaturação proteica, que tornam o lote menos rentável ou até impróprio para certos usos comerciais.

Principais Características

  • Necessidade de Pré-limpeza: A eficiência da secagem depende diretamente da limpeza prévia do lote. A remoção de materiais estranhos e impurezas facilita a aeração uniforme dentro do secador, evitando zonas úmidas que podem servir de foco para deterioração posterior.

  • Controle de Temperatura da Massa: Para preservar a qualidade de panificação (glúten), a temperatura da massa de grãos nunca deve ultrapassar 60 ℃. O superaquecimento “cozinha” o grão, destruindo suas propriedades industriais.

  • Métodos de Secagem: Pode ser realizada com ar aquecido (mais rápido e independente do clima) ou com ar natural (mais lento, econômico, mas dependente da umidade relativa do ar ambiente).

  • Variação por Tipo de Secador: Em secadores estacionários, onde o grão fica parado, utilizam-se temperaturas mais baixas (45 ℃ a 50 ℃). Já em secadores intermitentes, onde há circulação do grão, tolera-se temperaturas do ar de secagem próximas a 70 ℃, pois o contato com o calor não é contínuo.

  • Influência da Umidade Inicial: A temperatura de operação deve ser ajustada conforme o teor de água inicial do trigo. Grãos mais úmidos (próximos a 20%) exigem temperaturas de secagem mais amenas para evitar choques térmicos, enquanto grãos com umidade próxima a 15% suportam temperaturas ligeiramente maiores.

Importante Saber

  • Risco de Fissuras e Quebras: A remoção de água deve ocorrer de forma gradual. Uma secagem muito rápida gera tensões internas no grão, resultando em fissuras (trincas) e quebras. Isso reduz a classificação do produto e facilita o ataque de pragas durante o armazenamento.

  • Limitações da Secagem Natural: O método de ar natural, embora evite danos por calor, não é recomendado para regiões com alta umidade relativa do ar ou períodos chuvosos constantes, pois a demora no processo pode levar à deterioração do grão antes que ele seque.

  • Monitoramento Constante: Durante a operação com ar aquecido, é vital monitorar não apenas a temperatura do ar injetado, mas principalmente a temperatura que a massa de grãos atinge, pois é ela que determina a preservação das qualidades organolépticas e industriais.

  • Impacto Econômico: Erros na secagem resultam em perdas diretas de rentabilidade. Um trigo que perdeu qualidade de glúten devido ao excesso de calor pode ser rebaixado de categoria, sendo vendido como trigo forrageiro (para ração animal) em vez de trigo panificável, que possui maior valor agregado.

  • Homogeneidade do Lote: A secagem desuniforme é um problema grave. Se parte da carga permanecer úmida, ela se tornará um foco de aquecimento e proliferação de fungos dentro do silo, podendo comprometer todo o volume armazenado posteriormente.

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