O que é Soja Bt

A Soja Bt é uma variedade de soja geneticamente modificada que expressa proteínas inseticidas derivadas da bactéria de solo Bacillus thuringiensis (Bt). Essa biotecnologia foi desenvolvida para conferir à planta resistência específica contra determinadas ordens de insetos, principalmente lagartas desfolhadoras que causam prejuízos significativos à produtividade agrícola. Ao se alimentar dos tecidos da planta (folhas, hastes ou vagens), a lagarta ingere a proteína Cry, que se liga a receptores específicos no intestino do inseto, causando sua morte.

No contexto do agronegócio brasileiro, a introdução e a adoção massiva da Soja Bt representaram um marco no manejo fitossanitário. A tecnologia permitiu uma redução substancial no número de aplicações de inseticidas químicos voltados para o controle de lagartas-alvo, otimizando os custos operacionais e facilitando a logística das propriedades. Contudo, a Soja Bt é uma ferramenta dentro do Manejo Integrado de Pragas (MIP) e não uma solução isolada, exigindo práticas agronômicas rigorosas para manter sua eficácia ao longo do tempo.

Principais Características

  • Controle eficiente de lagartas-alvo: A tecnologia oferece proteção robusta contra pragas importantes do sistema produtivo brasileiro, como a lagarta-da-soja (Anticarsia gemmatalis), a lagarta-falsa-medideira (Chrysodeixis includens) e a lagarta-das-maçãs (Chloridea virescens).

  • Mecanismo de ação por ingestão: A ação inseticida ocorre somente quando a lagarta consome partes da planta, garantindo que o controle seja focado nos insetos que efetivamente causam danos à cultura, diferentemente de aplicações por contato.

  • Seletividade e segurança: As proteínas Bt são altamente específicas para os insetos-alvo, sendo inócuas para humanos, animais domésticos e a maioria dos insetos benéficos (inimigos naturais), auxiliando na preservação do equilíbrio ecológico da lavoura.

  • Exigência de Área de Refúgio: O plantio de soja Bt obriga tecnicamente a implementação de áreas com soja não-Bt (convencional) em pelo menos 20% do talhão, prática fundamental para evitar a seleção rápida de populações de insetos resistentes.

  • Limitação de espectro: A tecnologia não possui eficácia contra pragas sugadoras, como percevejos e mosca-branca, nem contra ácaros ou certas espécies de lagartas do gênero Spodoptera, exigindo monitoramento e manejo complementar para esses grupos.

Importante Saber

  • O refúgio é inegociável: O plantio da área de refúgio estruturado é a principal estratégia para retardar a evolução da resistência das pragas; negligenciar essa prática coloca em risco a durabilidade da tecnologia para todo o setor produtivo nacional.

  • Monitoramento contínuo: A presença da tecnologia Bt não elimina a necessidade do monitoramento semanal da lavoura (pano de batida), pois pragas não-alvo e pragas secundárias podem atingir níveis de dano econômico e exigir intervenção química.

  • Manejo no refúgio: Em áreas de refúgio, o controle químico deve ser realizado apenas quando a população de pragas atingir o Nível de Controle (NC), preservando uma população de insetos suscetíveis para cruzamento com eventuais resistentes oriundos da área Bt.

  • Pressão de pragas: É esperado observar uma pressão maior de lagartas nas áreas de refúgio (soja convencional) em comparação à área Bt; isso demonstra que a tecnologia está funcionando, mas o produtor deve estar atento para evitar perdas econômicas nessas faixas.

  • Risco de resistência: O uso contínuo da mesma tecnologia sem rotação ou sem a adoção correta do refúgio acelera a seleção de lagartas resistentes, o que pode levar à “quebra” da resistência da planta e perda da ferramenta biotecnológica.

  • Decisão de aplicação: A aplicação de inseticidas na soja Bt deve ser criteriosa, focando principalmente em percevejos, ácaros e lagartas não controladas pela proteína, evitando aplicações preventivas desnecessárias que encarecem o custo de produção.

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