Lagarta na Lavoura: Identificação e Controle da Lagarta-Preta
A lagarta-preta causa grandes prejuízos na lavoura. Aprenda a identificar essa praga e veja as melhores táticas de controle químico e biológico.
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A Spodoptera cosmioides, popularmente conhecida no campo como lagarta-preta, é uma espécie de lepidóptero da família Noctuidae que se consolidou como uma praga de grande importância econômica para o agronegócio brasileiro. Historicamente considerada uma praga secundária, ela assumiu o status de praga primária em diversas regiões, especialmente em sistemas de produção intensivos, como o cultivo de soja, milho e algodão. Sua ocorrência tem se tornado mais frequente devido a desequilíbrios ecológicos e à eliminação de inimigos naturais pelo uso excessivo de inseticidas de amplo espectro.
Esta espécie caracteriza-se por ser extremamente polífaga, possuindo a capacidade de se hospedar e alimentar de uma vasta diversidade de plantas, que vão desde ervas daninhas e plantas nativas até as principais commodities agrícolas. O grande desafio no controle da Spodoptera cosmioides reside na sua voracidade e no seu comportamento de ataque. Diferente de outras lagartas que se limitam às folhas, esta espécie pode comprometer o estande inicial da lavoura e atacar diretamente as estruturas reprodutivas, como vagens e grãos, causando prejuízos irreversíveis à produtividade se não manejada corretamente.
Alta Voracidade: A lagarta-preta possui uma capacidade de consumo foliar muito superior à de outras espécies do mesmo gênero, podendo destruir o dobro de área foliar comparada a outras lagartas, o que reduz drasticamente a capacidade fotossintética da planta.
Ciclo de Vida e Temperatura: O desenvolvimento da praga é fortemente influenciado pela temperatura ambiente, encontrando condições ideais para reprodução e crescimento rápido na faixa entre 25 °C e 28 °C, clima típico de muitas regiões produtoras do Brasil.
Identificação dos Ovos: As fêmeas depositam ovos de coloração amarelada em massas, geralmente na parte inferior das folhas (face abaxial), cobrindo-os com uma secreção semelhante a algodão (escamas) para proteção contra predadores e dessecação.
Potencial Reprodutivo: Uma única fêmea tem a capacidade de realizar posturas que variam de 30 a 300 ovos, o que permite um crescimento populacional explosivo em curto período se as condições forem favoráveis.
Hábito Polífago: Além das culturas comerciais (soja, milho, algodão, feijão, café), a praga utiliza plantas daninhas e restos culturais como “ponte verde”, sobrevivendo na área entre as safras.
Danos às Estruturas Reprodutivas: A atenção do produtor não deve se limitar às folhas; a Spodoptera cosmioides é conhecida por atacar vagens na soja e maçãs no algodão, o que afeta diretamente a qualidade do grão e o rendimento final da colheita.
Preservação de Inimigos Naturais: O uso indiscriminado de inseticidas não seletivos elimina predadores naturais da lagarta, favorecendo o ressurgimento da praga com maior intensidade; a escolha de defensivos deve ser criteriosa e baseada no Manejo Integrado de Pragas (MIP).
Monitoramento Constante: Devido à sua capacidade de destruir o estande inicial de plantas, o monitoramento deve começar antes mesmo da semeadura e continuar intensamente nas fases iniciais da cultura para evitar falhas na lavoura.
Manejo de Plantas Daninhas: O controle eficaz de plantas daninhas na entressafra e dentro da lavoura é fundamental, pois elas servem de abrigo e alimento alternativo, permitindo que a população da praga se mantenha ativa no local.
Identificação Correta: É crucial diferenciar a Spodoptera cosmioides de outras espécies como a Spodoptera frugiperda ou Spodoptera eridania, pois as estratégias de controle e a suscetibilidade a certas tecnologias Bt podem variar entre as espécies.
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