Tripes na Soja: Como Identificar e Controlar Essa Praga Silenciosa
Tripes em soja: o que é, danos causados, transmissão de viroses e quais cuidados você deve ter durante o cultivo para evitar perdas
1 artigo encontrado com a tag " Tripes na Soja"
As tripes são insetos diminutos pertencentes à ordem Thysanoptera e à família Thripidae, frequentemente classificados como pragas secundárias na cultura da soja no Brasil. Apesar dessa classificação, sua presença pode se tornar crítica e causar prejuízos econômicos significativos, especialmente em anos com veranicos prolongados ou em solos de baixa fertilidade. As espécies mais comuns nas lavouras brasileiras incluem a Caliothrips brasiliensis, Caliothrips phaseoli (mais frequentes no Sul) e a Frankliniella schultzei (com alta incidência no Oeste da Bahia).
O mecanismo de alimentação desses insetos é através de um aparelho bucal raspador-sugador. Ao raspar a superfície das folhas e sugar a seiva, as tripes destroem as células da epiderme vegetal, causando a morte do tecido no local afetado. Visualmente, isso resulta em manchas prateadas ou bronzeadas nas folhas, que podem evoluir para deformações e queda prematura. Além do dano direto pela alimentação, que reduz a área fotossintética da planta, as tripes são vetores eficientes de viroses, como a queima-do-broto, o que potencializa o impacto negativo na produtividade.
O ciclo de vida da praga é rápido e influenciado pelas condições climáticas, completando-se entre 8 a 18 dias dependendo da temperatura. Uma característica biológica importante é que parte do desenvolvimento (fase de pupa) ocorre no solo, o que pode dificultar o controle e exige estratégias de manejo integrado. A infestação costuma ser mais severa na fase reprodutiva da soja, podendo atingir também as flores e causar esterilidade, comprometendo diretamente o enchimento de grãos e o rendimento final da safra.
Morfologia e Identificação: São insetos muito pequenos, medindo entre 1 mm e 3 mm de comprimento, com corpo alongado e asas estreitas com franjas (cilios). A coloração varia de amarelo-claro a preto, dependendo da espécie e fase de vida.
Hábito Críptico: Preferem alojar-se em locais protegidos da planta, como no interior dos folíolos novos (ponteiros) ou na face inferior (abaxial) das folhas mais velhas, o que dificulta a visualização rápida durante o monitoramento.
Ciclo Biológico Rápido: O desenvolvimento de ovo a adulto é acelerado em temperaturas altas, permitindo múltiplas gerações dentro de um mesmo ciclo da cultura da soja e explosões populacionais repentinas.
Danos por Raspagem: A lesão característica é a remoção da clorofila através da raspagem, deixando a folha com aspecto prateado ou esbranquiçado, diferindo dos danos causados por lagartas ou percevejos.
Polifagia: Muitas espécies, como a Caliothrips phaseoli, são polífagas, ou seja, alimentam-se de diversas culturas além da soja, como feijão, algodão e plantas daninhas, o que facilita sua permanência na área.
Relação com o Clima: O monitoramento deve ser intensificado em períodos de seca e altas temperaturas, pois o estresse hídrico favorece a multiplicação da praga e reduz a capacidade da planta de tolerar os danos.
Porta de Entrada para Doenças: As lesões provocadas pela alimentação das tripes quebram a barreira física da folha, facilitando a infecção por fungos e bactérias oportunistas, além da transmissão direta de vírus.
Impacto na Produtividade: Estudos indicam que altas infestações na fase de enchimento de grãos (R5) podem reduzir a produtividade em até 17%, devido à queda na taxa fotossintética e abortamento de flores.
Sinergia com Ácaros: É comum a ocorrência simultânea de tripes e ácaros na lavoura; quando atacam juntos, a redução da fotossíntese pode chegar a 50%, exigindo controle rigoroso de ambas as pragas.
Monitoramento Específico: Devido ao tamanho reduzido e hábito de se esconder, a amostragem deve ser minuciosa, observando a face inferior das folhas e o interior das flores, utilizando batida de pano com atenção redobrada aos resíduos menores.
Manejo Integrado: O controle químico deve ser posicionado corretamente, considerando que parte do ciclo ocorre no solo e que o uso indiscriminado de inseticidas pode eliminar inimigos naturais, agravando a infestação.
Ajude outros produtores compartilhando este conteúdo sobre Tripes na Soja