O que é Vants Na Agricultura

Os VANTs (Veículos Aéreos Não Tripulados), popularmente conhecidos como drones, representam uma das tecnologias mais disruptivas e essenciais na agricultura moderna brasileira. Tecnicamente, trata-se de qualquer aeronave capaz de voar sem um piloto humano a bordo, sendo controlada remotamente ou operando de forma autônoma através de planos de voo pré-programados via GPS. No agronegócio, eles deixaram de ser apenas ferramentas de fotografia para se tornarem plataformas robustas de coleta de dados e execução de tarefas operacionais, integrando o conceito de Agricultura de Precisão.

A função primordial desses equipamentos no campo é aumentar a eficiência da gestão agronômica, permitindo que o produtor visualize a lavoura de uma perspectiva aérea detalhada e tome decisões baseadas em dados georreferenciados. Diferente do monitoramento via satélite, que pode sofrer com a interferência de nuvens e possui menor resolução temporal, os VANTs oferecem flexibilidade para voos sob demanda e captura de imagens de altíssima resolução. Isso possibilita a identificação precoce de falhas de plantio, estresse hídrico, deficiências nutricionais e focos de pragas ou plantas daninhas.

No Brasil, o uso de VANTs evoluiu rapidamente para além do mapeamento. Com a regulamentação específica, como a Portaria nº 298 do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), essas aeronaves passaram a ser amplamente utilizadas para a aplicação aérea de defensivos, fertilizantes e sementes. Essa versatilidade permite operações em terrenos de difícil acesso para maquinários terrestres e reduz o amassamento da cultura, otimizando os custos operacionais e promovendo uma agricultura mais sustentável e tecnificada.

Principais Características

  • Classificação Aerodinâmica: Dividem-se principalmente em dois grupos: asa fixa (semelhantes a aviões, com maior autonomia e ideais para mapear grandes áreas) e asa rotativa (multirotores ou helicópteros, que permitem voo pairado e são mais versáteis para inspeções detalhadas e pulverização).

  • Sensores Embarcados: Podem carregar diversos tipos de câmeras, desde as convencionais (RGB) até sensores multiespectrais e termais, essenciais para gerar índices de vegetação como o NDVI, que indicam a saúde da planta.

  • Autonomia e Cobertura: A capacidade de voo varia drasticamente conforme o modelo; VANTs de asa fixa podem cobrir centenas de hectares em um único voo, enquanto multirotores de pulverização possuem autonomia reduzida devido ao peso da carga útil (calda).

  • Sistemas de Navegação: Utilizam GPS de alta precisão (muitas vezes com correção RTK) para garantir que o mapeamento ou a aplicação de insumos ocorra exatamente nas coordenadas planejadas, com margem de erro de centímetros.

  • Capacidade de Carga (Payload): Modelos voltados para pulverização são caracterizados pela capacidade de transportar tanques de líquidos ou dispersores de sólidos, com bombas e bicos específicos para garantir a vazão e o tamanho de gota adequados.

Importante Saber

  • Regulamentação Obrigatória: A operação profissional exige conformidade com órgãos como a ANAC (cadastro da aeronave), DECEA (solicitação de acesso ao espaço aéreo) e, no caso de pulverização, registro no MAPA e presença de responsável técnico (engenheiro agrônomo).

  • Escolha do Equipamento: Para mapeamento de grandes extensões (acima de 500 hectares), drones de asa fixa são mais eficientes. Para áreas menores, relevo acidentado, inspeção pontual ou pulverização, os modelos de asa rotativa são os indicados.

  • Processamento de Dados: O VANT é apenas a ferramenta de coleta. O valor agronômico real surge no processamento das imagens por softwares específicos que transformam fotos em ortomosaicos e mapas de aplicação em taxa variável.

  • Condições Climáticas: A operação é sensível ao clima. Ventos fortes (acima de 10-15 km/h para pulverização), chuva e baixa luminosidade impedem o voo ou comprometem a qualidade da aplicação e dos dados coletados.

  • Qualificação Profissional: Operar drones agrícolas, especialmente os de pulverização, requer treinamento específico (Curso de Aplicação Aeroagrícola Remota

  • CAAR) para garantir a segurança operacional e a eficácia agronômica, evitando deriva e acidentes.

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